terça-feira, novembro 10, 2009

Pífio mas teso

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«Há muitos que dizem com justiça que as revoluções democráticas precursoras do movimento que levou à queda do Muro foram as revoluções ibéricas as revoluções democráticas em Portugal e em Espanha, e eu faço essa leitura histórica»

José Sócrates não quis deixar por mãos alheias o sentimento pífio e marialva que nos caracteriza, desde que as pessoas começaram a ter a mania e a tendência de se esquecerem de nós depois dos descobrimentos. Vai daí, «desarrincou» esta «tirada» onde, de uma cajadada, mata o coelho da revolução de Abril em Portugal, apesar da resistência heróica daqueles que não permitiram que se desvirtuasse o rumo do 25 de Abril que, entretanto, ia apontando para a instalação do regime vigente em Berlim-Leste, e matou o outro coelho espanhol, qual fosse o de achar que o processo iniciado e materializado por Franco e que apontou para a transição pacífica do regime espanhol e para o regresso do Rei de forma ordenada e na paz do Senhor, tivesse sido uma revolução democrática.

Por estas e por outras é que Reagan, João XXIII, Walesa e Gorbatchov conseguiram contribuir para o derrube do muro. Inspirados pelas revoluções peninsulares. Sobretudo a portuguesa, que eu bem me lembro de uma vizinha a quem os SUV (Soldados Unidos Vencerão) lhe deitaram o muro abaixo para ver se ela tinha armas na capoeira. Fugiram-lhe as galinhas todas e a única coisa que lhe encontraram foi uma caçadeira velhinha com que o neto costumava ir aos tordos que lhe comiam os figos todos numa figueira que ela tinha num quintal ali para os Olivais. Mas foi uma premonição, configurada na imagem comovente do derrube do muro que suportava a capoeira.
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