sexta-feira, outubro 30, 2009

»Tenho uma lágrima no canto do olho»






Descobrir as diferenças entre um olho derramado e um olho sem derrame nenhum. Amostras sem valor. Nenhum destes olhos é meu, para o caso de se confundirem

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De repente, eis-me com um derrame no olho esquerdo. O médico que existe em cada um dos portugueses (tal como o camionista ucraniano, quem se lembra de O meu Pipi? E não faço link porque há vários «Meus Pipis» neste momento) cedo me explicou que era hipertensão, treçolho, vista cansada, tensão ocular, uma pancada que devo ter dado a dormir (!!!!), conjuntivite e uma relação mais ou menos diversificada de maleitas do olho. Medida a tensão, verificada a ausência de qualquer protuberância infecta na pálpebra, descansada a vista numa «vizinha» do almoço de rotina, distendida a musculatura e nervos que suportam o globo ocular através de uma sessão de ioga oftalmológico, verificada a ausência de esquinas ou outros acutilâncias ao redor da cama e que pudessem ter-me causado alguma pancada (já que, do ponto de vista puramente antropológico não me parece que me dê ou durma com gente que ande aos murros durante a noite) e percebida uma completa ausência da sintomatologia das conjuntivites (quem tem conjuntivas e já tenha estado em África sabe exactamente do que estou a falar, quem não esteve… é uma trabalheira explicar, mas acreditem que me é fácil distinguir uma conjuntivite) decidi que… não fazia ideia nenhuma do que este derrame possa ser. De uma coisa tenho a certeza. É um derrame, que é uma coisa que a lógica nos convida a perceber que um pequeno vaso sanguíneo se rompeu e me manchou de vermelho o branco do olho. Assim sendo, e porque shit happens, os derrames acontecem, resolvi dar setenta e duas horas de avanço ao derrame. Hoje é Sexta, o derrame que se defina até Segunda. Ou se chateia de me chatear e se vai embora ou instala-se confortavelmente no meu olho. O que francamente, não me dá muito jeito, mas estou disposto a arriscar antes de ir maçar um médico qualquer.

E aqui fica a expressão do meu sincero reconhecimento a pelo menos doze médicos. Dos tais que existem dentro de todos e cada um dos portugueses. Meus amigos incluídos.
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