domingo, setembro 16, 2007

Mais um...



[2014]

Miguel Sousa Tavares desfia no Expresso desta semana mais um rosário de dores pelo facto de o Dalai Lama não ter sido oficialmente recebido pelas autoridades portuguesas.

Fiquei a saber, assim, que fosse Miguel Sousa Tavares presidente da república ou primeiro ministro e o Dalai Lama seria certamente convidado para um chá em Belém, uns bolinhos da fortuna em S. Bento ou, pelo menos, um licor de rosas no Pavilhão Chinês. Temos, assim, mais um, a juntar ao número substancial de figuras íntegras que derramaram um comovente exercício de deliquescência política e se exasperaram com a atitude do nosso governo. Nos jornais, na rádio, na televisão e, inevitavelmente, na Blogos.

Como seria diferente o mundo se essas figuras pudessem decidir…
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quinta-feira, setembro 13, 2007

Nobreza

[2008]

Do milhão de posts que li sobre a visita do Dalai Lama a Portugal e sobre o facto de o Governo não o ter recebido, fiquei a saber que a maioria dos respectivos autores dos posts se fossem Primeiro Ministro ou Presidente da Republica teriam recebido o Dalai Lama com honras de chefe de estado, mesmo que tivessem de atropelar todas as exigências sinuosas da real politik.

Como não são, arvoram-se a comodidade de apregoarem a tremenda injustiça cometida e lamuriarem-se sobre o triste pais em que vivemos. E, naturalmente, glorificarem a nobreza de sentimentos de que todos estamos profundamente imbuídos.
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Ficam-nos bem estes sentimentos



[2010]

Verdadeiramente, não me surpreende este recente bru-á-á com a vinda do Dalai Lama a Portugal. Já em 2001 assim foi e as consciências adormecidas voltaram a acordar e a espernear em 2007.

Diverte-me a nobreza dos portugueses. Sobretudo sempre que isso representa a afirmação do protagonismo que, de outras formas, seria inalcançável. Gritamo-la com a mão no peito e de mento bem elevado. Um dia destes o Dalai Lama vai-se embora e tudo volta à paz do Senhor. E voltamos a falar dos professores, do Scolari e da mudança da designação de velhos do Restelo para velhos do Campo Alegre, como quer o Manuel Serrão.

São os ciclos do nosso contentamento. E então desde que a Blogos se impôs definitivamente, estas causas têm crescido. Em número e variedade. E como já tinha passado a época da Festa do Avante e das “farc”, aí tivemos o Dalai Lama. Vão ver que Jorge Sampaio ainda se vai cruzar com ele no museu de Arte Antiga, no CCB ou no Martinho da Arcada. Sem querer, claro. E depois manda uma farpa a Cavaco Silva. Qualquer coisa como “pelo circunstancialismo dos factores inerentes à opacidade necessária das causas que poderiam inquinar o bom relacionamento institucional há que procurar, estimular e, mesmo, participar, em medidas conducentes à materialização das condições necessárias, mesmo que insuficientes, do reconhecimento dos grandes vultos da liberdade. Da justiça. Da modernidade”. No fim, rola uma lágrima e vem tudo no jornal.
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