terça-feira, abril 28, 2015

O Honório Bar


O «Honório Bar», no canto inferior direito da foto (Clicar na foto)

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O Honório era um colega meu, mais velho talvez uma dezena de anos e com quem eu não tinha um conhecimento chegado, até pela diferença de idade. Mas conhecia em detalhe as suas invejáveis capacidades, a cultura, a sua inteligência, a oratória fantástica, a capacidade de argumentação e, sobretudo o seu extraordinário sentido de humor, a par de uma incontrolável tendência para as situações mais bizarras. Ficou célebre (eu não vi, contaram-me) a sua oferta para comer, perdoe-se-me a rudeza, mas não há outra maneira de contar, uma sanduíche de merda. Até aqui nada de muito difícil, dizia ele, se a dita cuja não proviesse das tripas do colega que eventualmente seria o mais mal cheiroso do burgo, com os seus muito prováveis 100 quilos.

Parece que a cena congregou dezenas de estudantes, o «cagão» defecou à vista de todos, o Honório abriu uma carcaça e, com esmero e respeito, recheou-a com as fezes frescas, acabadas de produzir. Se ainda estiverem a ler este post e se ainda não vomitaram, saibam que ninguém se adiantou com os 100$00 que o Honório exigia como contrapartida, apesar do desafio, de sanduíche na mão, perguntando quem pagaria 100$00 para que ele a comesse. Como parece não ter havido pagantes, provavelmente estaria tudo teso, o Honório fez uma pequena demonstração grátis que consistiu… numa lambidela da sanduíche, após o que a deitou fora.

Outra história conhecida, foi a de como ele conseguiu convencer um comerciante do mato na Guiné Bissau, onde ele cumpria serviço militar, que deveria comprar uma autometralhadora, um veículo militar ligeiro equipado de uma metralhadora no topo, por causa dos terroristas. O comerciante pagou e o Honório pegou numa das autometralhadoras no quartel e entregou-lha. Parece que a história só acabou quando viram o comerciante passeando-se alegremente em Bissau de autometralhadora, que foi imediatamente apreendida. Não sei o que aconteceu ao Honório, mas tenho a certeza que ele conseguiu resolver a coisa e acabou a beber um copo com o capitão. E tenho a certeza que terá sido o único alferes miliciano, em todo o mundo, que terá vendido um veículo militar a um civil.

O Honório era da Praia, capital de Cabo Verde e toda a gente o conhecia pelas suas partidas. Todas elas cheias de humor e que deixavam os «lesados» a morrer de riso. Quando ele morreu, muitos colegas e amigos foram ao velório. Parece que eram muitos os que vinham fora da igreja e não acreditavam, de todo, que o Honório tivesse morrido. Achavam, diziam eles, que aquilo era mais uma partida do Honório, ele estava apenas a fingir que tinha morrido, até porque ele se estava a sorrir no caixão.

Na semana passada fui ver o Bayern/Porto ao bar do Pestana Trópico Hotel na cidade da Praia. No fim dos 6-1, pedi a conta para assinar e qual não é o meu espanto quando vi na factura «HONÓRIO BAR». Perguntei ao empregado porque é que o bar se chamava Honório. Ele começou a contar a história que acabei de descrever e que eu, naturalmente, já conhecia. Mas eu deixei-o contar até ao fim.

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1 Comments:

At 6:54 da tarde, Blogger papoila disse...

Que engraçado!
Há coisas bem estranhas nesta vida!!!
xx

 

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