quinta-feira, dezembro 09, 2004

Cascais, 8 de Dezembro de 2004. 18:00 às 21:30




Ontem estive “assim” entre as seis e as nove meia da noite.

O dia já tinha corrido mal. Foi o aspirador da vizinha, o cio das gatas, o torcicolo e outras desgraças avulso. Quando, depois de ter “fugido” de casa em busca de algum episódio balsâmico, reparador, regressei por volta das seis apenas para reparar que não tinha luz. Estava eu ainda no segundo palavrão, aparece gente em casa, gente boa com quem gosto de estar e que, lamentavelmente, acabou por ir embora, claro.

Sentei-me no sofá com aquele convencimento idiota de que a luz viria dentro de minutos... e acabei por estar três horas e meia (TRÊS HORAS E MEIA) sem televisão, sem computador, sem café, a ir à casa de banho às apalpadelas e cabeçadas nas ombreiras das portas, sem ler e sem saber rigorosamente o que fazer. Ainda estive quase a aceder a um convite de uma prima quase vizinha para ir até lá casa. Mas havia sempre aquela ideia de que luz estava a chegar. Já desesperado, tentei telefonar uma dúzia de vezes para o 800 505 505, número pomposamente anunciado nas facturas da EDP, aquelas que nos dizem que por falta de pagamento o fornecimento será interrompido. De cada vez que ligava para o tal número, atendia-me uma voz feminina ( ???) de uma mulher que só podia ser feia, ter cabelo oleoso e pé de atleta a dizer que “não é possível estabelecer ligação”.

Para quem, como eu, viveu no chamado terceiro mundo, sobretudo numa altura em que por questões de guerra civil a energia faltava com frequência e, por isso mesmo, a maioria dos expatriados tinha gerador, este episódio poderia até nem merecer referência. Mas eu vivo na Europa, que diabo. Num meio supostamente civilizado onde uma avaria pode acontecer. Mas... três horas e meia? E com uma idiota a dizer-me que “não era possível ligar” para o tal número da EDP?

São situações como esta que eu não sei se chore não sei se ria, não sei se diga, não sei se cale, não sei se peça para ser exportado para um país civilizado onde a luz até possa faltar aqui e ali e onde possa ligar para um número telefónico e ser informado de que “tivemos uma avaria assim e assado e contamos ter o problema resolvido dentro de “x” minutos".

Quando eu era miúdo habituei-me a ouvir que muitas das nossas deficiências eran devidas à nossa proverbial pobreza. Não havia dinheiro, era a versão corrente e atavicamente aceite. Isto não é verdade. Muito das coisas más que nos assolam relevam de uma insuportável falta de profissionalismo e de educação.

4 Comments:

At 12:02 da manhã, Blogger Madalena disse...

Por este país ser assim, tão semelhante ao Chora que Logo Bebes do José Gomes Ferreira, é que eu escolhi o nome de baptismo do blog...
Aliás, foi num dia que me cruzei com o Ministro Justino, que me pareceu bem disposto demais, para quem está a passar por forte e justa contestação, na sequência dos concursos...
Há mais gente a dizer-me que foi uma má escolha...
o nome do blog.
Agora não me referia ao ministro, pois em termos de escolhas de Ministros da Educação, a coisa tem tendência a piorar. Eu acho.
Boa-noite! De preferência, com luz!

 
At 4:09 da tarde, Blogger mmicr disse...

cruzes assustei-me com o vazio, afinal era SÓ a falta de energia. caramba. desconta na factura final do mês: prejuizo advindo da falta de luz por 3 horas blá, blá. :)Tenho a sorte de viver num prédio onde se encontram os "maiores" do banco central, luz na falta!

 
At 8:00 da tarde, Blogger espumante disse...

Madalena

Entrei no café com um rio na algibeira
E pu-lo no chão,
A vê-lo correr
Da imaginação...

:)) está explicado o nome do seu blog, sobretudo para os incautos como eu!

Quanto ao "resto"... pois, é o país que temos e se o "outro é mais bolos" eu, para me identificar com "isto" sou mais O'Neill!... :)

 
At 8:05 da tarde, Blogger espumante disse...

mmicr
pois, foi SÓ a falta de luz...mas é aqui não é suposto eu ter gerador. É, em teoria, a terra da abundância, do avanço e do bem estar. Só que há alturas em que o bem estar é "estar" no sofá sem saber se a luz vem daí a 5 minutos ou a cinco horas...

 

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