terça-feira, março 26, 2013

Tugas ajuramentados


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Vem aí mais uma leva de comentadores políticos para a televisão. Gente que em alguns casos se viu guindada a posições de relevo na sociedade portuguesa, não pelo seu valor intrínseco mas mais pelo valor facial duma reconhecida mestria em se insinuar na mediocridade que é a marca de água da nossa sociedade. 

Isto a propósito de eu ter tropeçado no anúncio de que Jorge Coelho ia botar sentença, também. E aumentar o já elevadíssimo número de políticos que nos vêm ensinar como se faz, explicar o que não se faz e mostrar como poderíamos pensar para sermos todos como deve ser. Não que isso lhes importe, que comentar na TV serve poucos propósitos que não seja dar de beber ao rancor de funções mal conseguidas ou afagar o ego enorme e arrogante de muitos dos fazedores da opinião doméstica.

Não sei se o número inaudito de políticos a debitar verbo na televisão (mesmo quando o conjugam de forma deficiente e há-dem ver se não tenho razão) terá paralelo em algum outro país do mundo. Mas, em minha opinião, reflecte bem a gente que somos, o país que fizemos e parecemos apostados em continuar. Não me ocorre nenhum outro país onde a opinião pública seja presa de tantos políticos, ex, to be’s e would be’s como o nosso. Talvez isso explique muita coisa, incluindo a forma como alegremente resvalámos para uma situação sem fim palpável.

De alguma forma, reflicto sobre a conjugação evidente entre o número e qualidade dos nossos comentadores e o famoso acordo ortográfico, outro exemplo em que devemos ser caso único no panorama mundial. A pressa, ligeireza, vaidadezinha e irresponsabilidade com que, oficialmente, nos balançámos à adopção e implementação (ver o Bom dia Portugal, diário, da RTP) do acordo ortográfico, sem haver sequer consenso entre os países de expressão portuguesa e provado que está o elevado número de erros criados e vocabulário incompleto, tem a mesma matriz desta patética corrida das televisões em porem caras mais ou menos influentes a palrar o que lhes vai na alma ou mesmo que lhes encomendam, quais sacristães amestrados a quem se encomendou a missa conveniente e recebem, no fim, uma piedosa bem-aventurança.

Este desabafo podia não ter nada a ver com Sócrates que nos começa a azucrinar amanhã. Mas acaba, também, por ter. Porque não me conformo. Não propriamente pelo facto da nefasta e nebulosa criatura receber, de novo, púlpito adequado, mas mais por ver como é possível que isto aconteça.

Temos o país que merecemos e somos aquilo que parecemos gostar de ser. Nada a fazer, portanto.
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2 Comments:

At 9:41 da tarde, Blogger papoila disse...

Como eu te compreendo.
É que me custa muito engolir esta desfeita!!!
xx

 
At 10:27 da manhã, Blogger Isto e aquilo disse...

Subscrevo na íntegra!

 

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