quarta-feira, outubro 03, 2007

A nova esquerda imaculada



[2053]


Não é o calor dos trópicos, muito menos umas lagostas bem abertas que iriam embotar a clarividência do Rodrigo Adão da Fonseca. A prová-lo, este excelente post que descobri via Insurgente:




"Parte da esquerda tem como bandeira o combate à política imperialista de Bush e dos neoconservadores”, sem saber minimamente o que isso significa e sem conhecer o fenómeno político norte-americano. Afiança, dotada de uma certeza científica (que ainda assim dispensa em favor de um sistema comunicacional baseado no medo e na crença), que o mundo está a aquecer, e que nos EUA existe, ao lado de uma enorme riqueza, concentrada numa minoria, um vasto Terceiro Mundo, sem perceber que com isso insultam as populações que em boa parte do planeta vivem efectivamente na pobreza e na miséria. É sempre contra Israel e a favor da Palestina, sem conseguir explicar porquê. Cauciona todas as fórmulas folclóricas de combate à fome em África, de solidariedade promoviatlantico_das por ONG’s, pró-esmola, e de manifestações cívico-musicais, ajudam a acalmar as consciências e a aliviar a alma (e permitem papão das multinacionais). Recusa porém as soluções que facto ajudar o continente negro, como a diminuição das barreiras alfandegárias e a implementação de regras mais justas no comércio por fazerem perigar o Modelo Social Europeu. Quer acabar com os “Muros da Vergonha” em Ceuta e Melilla, mas perde fôlego quando se pede o fim dos grandes Muros, entre outros, as barreiras alfandegárias e os subsídios à agricultura na União Europeia. Tem a expressão “fascista” debaixo da língua sempre pronta para arremessar a quem não acompanhe os seus desvarios, mas fala com ternura e voz tremida das epopeias latino-americanas, da Sierra Maestra e das histórias mirabolantes de Che Guevara e seus apóstolos, de Fidel Castro, de Hugo Chávez y sus muchachos.


(…)


O socialismo real morreu, mas o Fim da História ainda não foi escrito: é longo o caminho das liberdades e penosa e lenta a construção das Sociedades Abertas. Há ainda muitos Muros por cair: as novas esquerdas, imaculadas, aparentemente menos nocivas nos seus discursos vazios e inconsequentes, miraculosamente virginais, sem as manchas do século XX, estão aí, emancipadas, livres de constrangimentos, com os seus “amanhãs que cantam” bem calibrados e, como sempre, dispostas a distribuir o ópio do costume ao povo."


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5 Comments:

At 2:16 da tarde, Blogger 125_azul disse...

Mas os posters do Che ainda hoje vendem que se farta, bem como todas as idéias dos mesmos sobre o mesmo...
Beijinhos

 
At 10:01 da tarde, Blogger RAF disse...

Caro Espumante,
Acho que deves ler a revista toda. Compra-a, que a deste mês está mesmo impecável; do meu texto, para mim, a melhor parte é a primeira página do artigo.
Regressei a semana passada de Luanda, e apesar de lá ter estado três semanas, não consegui encontrar as lagostas bem abeeeertas. Começam a ser um mistério:)

 
At 7:39 da manhã, Blogger Nelson Reprezas disse...

azulinha
Ainda hei-de ver a imagem do Che em baquelite, daquele que muda de cor conforme o tempo :))

 
At 7:40 da manhã, Blogger Nelson Reprezas disse...

RAF
Depois de ler a azia do LN no Corta-Fitas acho que sim, que tenho de ler o artigo todo. Vou comprar hoje.
O Etosha é lindo não é?
Um abraço

 
At 2:26 da tarde, Blogger RAF disse...

Caro Espumante,

Adorei o Etosha, do melhor que tenho vistitado (gostei mais do que do Serengeti). Ficou por visitar Walvis Bay e a Costa dos Esqueletos (vamos lá ver se há espaço para regressar à Namibia).

Quero ver se vou agora à Zâmbia e Botswana até Maio. E em Julho, se tudo correr como previsto, esqui nas montanhas do Lesotho!

 

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