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Não é o calor dos trópicos, muito menos umas lagostas bem abertas que iriam embotar a clarividência do Rodrigo Adão da Fonseca. A prová-lo, este excelente post que descobri via Insurgente:
"Parte da esquerda tem como bandeira o combate à política imperialista de Bush e dos neoconservadores”, sem saber minimamente o que isso significa e sem conhecer o fenómeno político norte-americano. Afiança, dotada de uma certeza científica (que ainda assim dispensa em favor de um sistema comunicacional baseado no medo e na crença), que o mundo está a aquecer, e que nos EUA existe, ao lado de uma enorme riqueza, concentrada numa minoria, um vasto Terceiro Mundo, sem perceber que com isso insultam as populações que em boa parte do planeta vivem efectivamente na pobreza e na miséria. É sempre contra Israel e a favor da Palestina, sem conseguir explicar porquê. Cauciona todas as fórmulas folclóricas de combate à fome em África, de solidariedade promoviatlantico_das por ONG’s, pró-esmola, e de manifestações cívico-musicais, ajudam a acalmar as consciências e a aliviar a alma (e permitem papão das multinacionais). Recusa porém as soluções que facto ajudar o continente negro, como a diminuição das barreiras alfandegárias e a implementação de regras mais justas no comércio por fazerem perigar o Modelo Social Europeu. Quer acabar com os “Muros da Vergonha” em Ceuta e Melilla, mas perde fôlego quando se pede o fim dos grandes Muros, entre outros, as barreiras alfandegárias e os subsídios à agricultura na União Europeia. Tem a expressão “fascista” debaixo da língua sempre pronta para arremessar a quem não acompanhe os seus desvarios, mas fala com ternura e voz tremida das epopeias latino-americanas, da Sierra Maestra e das histórias mirabolantes de Che Guevara e seus apóstolos, de Fidel Castro, de Hugo Chávez y sus muchachos.
(…)
O socialismo real morreu, mas o Fim da História ainda não foi escrito: é longo o caminho das liberdades e penosa e lenta a construção das Sociedades Abertas. Há ainda muitos Muros por cair: as novas esquerdas, imaculadas, aparentemente menos nocivas nos seus discursos vazios e inconsequentes, miraculosamente virginais, sem as manchas do século XX, estão aí, emancipadas, livres de constrangimentos, com os seus “amanhãs que cantam” bem calibrados e, como sempre, dispostas a distribuir o ópio do costume ao povo."
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