terça-feira, março 06, 2007

O lago da tranquilidade



Sunset on a pond - Foto de autor desconhecido


[1596]

A indiferença é a corrupção passiva da vida. Aceitamo-la em nome do conforto da ausência de argumentários convulsos e, normalmente, estéreis. Esta corrupção passiva tem ainda a vantagem de nada nos ser exigida em troca – a não ser fingirmos uma espécie de castração que nos inibe de recalcitrar em nome da defesa dos nossos pontos de vista.

Não sei se é bom, se é mau. É mau porque remete para o reconhecimento de que estamos, provavelmente, a envelhecer. É bom porque começamos a rever-nos num pequeno lago de sabedoria, cada vez mais despovoado, mas cada vez mais nosso. E nele nos banhamos sem perigo de esbarrarmos com quem quer que seja. Nadamos para a frente, para trás, para baixo para cima, de costas ou de bruços e nada nos tolhe a braçada nem o rumo.

Fica talvez a nostalgia de, no extremo, nos lembrarmos do tempo em que para podermos nadar nesse lago tínhamos de ultrapassar, rodear e negociar com muita gente. Muitas vezes, gente demais. Era a vida, o frenesi, a luta pelo sucesso e, quiçá, pela sobrevivência. Agora é mais triste. Mas infinitamente mais confortável.


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4 Comments:

At 3:28 da tarde, Blogger 125_azul disse...

Mas não é conforto que desejas... Beijinhos

 
At 12:50 da manhã, Blogger Nelson Reprezas disse...

125 azul
Então não hei-de desejar?
:)
beijinho

 
At 2:14 da manhã, Anonymous Anónimo disse...

Olá, à muito que nada digo... mas cá estou de novo.

Não é conforto que desejas, ou talvez sim. Aqui vejo um sinal de nostalgia, saudade do tempo em que se tem que conpetir para se ter um pouco de espaço.
Ter o espaço todo só para nós não dá qualquer gozo. Concordas?
maricel

 
At 9:47 da manhã, Blogger Nelson Reprezas disse...

maricel
Concordo em absoluto
:)

 

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