quarta-feira, junho 18, 2014

A estucha do costume


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Confesso que me é indiferente se é Costa ou Seguro a tomar conta do PS, tal a irrelevância de cada qual na melhoria do contexto geral do nosso país. De Costa esperar-se ia um pouco mais de ourelo no que diz, salvo se está genuinamente convencido que todos continuamos a ser uma colecção acabada de primitivos facilmente excitáveis por ver um burro a ganhar uma corrida a um Ferrari na Calçada de Carriche. No fundo, Costa, como a generalizada maioria da consensualmente designada esquerda democrática, parece genuinamente convencido de que basta uma tirada de declarações mais ou menos pomposas para nos por a correr para a urna. Daí que, dentre várias irrelevantes declarações com que ele nos tem mimoseado na sua amicíssima imprensa, agora tenha redescoberto a cana para o foguete e tenha perguntado: -Como é que saímos desta situação? Reduzir a despesa? Não! Aumentar a receita por via de impostos? Também não. Ele, Costa, tem a solução. Aumentar a riqueza (eu ia dizer que ele disse isto sem se rir, mas é mentira, Costa ri sempre) e que, cito, tínhamos de ensinar o governo a fazê-lo.

Não há pachorra para este discurso. Presumo que ele vai dizer mais cem vezes que precisamos de aumentar a riqueza sem nunca dizer como. É vê-lo já amanhã na Quadratura se ele não o fará, enquanto JPP vai afivelar a bonomia recente que confere ao socialista e ALX vai ficar com cara de quem já tem paciência para aquilo.

É a vida. Com o dizia o outro. O dos refugiados. O das paixões e do Vangelis. Vivemos este ciclo de martírio em que não conseguimos marginalizar esta esquerda rebarbativa, incompetente e populista. No mesmo dia há um socialista enraivecido porque Rio teve um superavit na Câmara do Porto e outro a berrar, emocionado e pedagógico, que temos de criar riqueza e ensinar o governo como é. E depressa. Porque os portugueses estão com uma pressa danada de sermos resgatados, por via desta figura salvífica que nos caiu agora no prato da sopa.

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5 Comments:

At 12:41 da tarde, Blogger Daniel Santos disse...

Sigo assiduamente este seu site e só lamento que nem sempre possa escrever! Mais uma vez dou-lhe toda a razão neste texto sobre o Messias do PS. Continue... tem aqui um leitor fiel.

 
At 1:33 da tarde, Blogger Paulo Abreu e Lima disse...

O Costa só diz boçalidades de cremalheira sempre à vista. Daqui a nada diz que a solução é aumentar o emprego e, mais tarde, ganhar o euromilhões. É disto que o meu povo gosta. Facilidades espertas.

Abraço.

 
At 3:50 da tarde, Blogger Carlos Oliveira disse...

Carlos Oliveira disse
Sempre acutilante, certeiro e de análise perfeita...

 
At 4:13 da tarde, Blogger Nelson Reprezas disse...

Daniel Santos

Eu poder escrever, poderia. Com toda a franqueza. A questão é outra. Daqui a muito poucos dias este blogue faz 10 anos, o primeiro post foi escrito a 7 de Julho de 2004 (o meu amigo Paulo Abreu e Lima, que comenta mais abaixo, co-autor de um dos mais notáveis blogues de sempre, o «Guarda-Factos», entretanto extinto, sabe disso porque era meu leitor desde essa altura). E desde aí completei mais de 5.000 posts. Sobretudo porque durante todos estes anos escrevi quase sempre todos os dias e, por vezes, mais do que um post por dia. Eu gostava de acompanhar a actualidade nacional e encontrava sempre um motivo para escrever com gosto. Às vezes com uma pontinha de humor que parecia ser apreciado, pelo menos a julgar pelas alturas em que cheguei a ter regularmente entre 400 e 500 visitas diárias.

Mas isto é como tudo. As coisas tornam-me repetitivas, os factos são mais ou menos os mesmos, os autores são, definitivamente, os mesmos e confesso algum fastio que, naturalmente, afecta a qualidade do que se escreve e «cansa» quem lê.

De qualquer maneira, o seu comentário é uma massagem no ego e aqui lhe deixo um agradecimento pela sua amável observação.

Nelson Reprezas

 
At 4:17 da tarde, Blogger Nelson Reprezas disse...

Paulo Abreu e Lima

O drama é que as boçalidades caem bem. Exactamente por, como diz, é disso que o povo gosta :))))

Carlos Oliveira

Agradeci ao Daniel Santos e retribuo-lhe a si, igualmente a cortesia

 

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