domingo, junho 30, 2013

Pertinho do mar



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Almoço sozinho (por opção), virado para o mar. A brisa morna soprava do Atlântico como que trazendo uma carícia à mesma temperatura. Mas a disposição não era recomendável. Mal dormido e com uma incómoda dor lombar, nem sequer amortecida na habitual caminhada da manhã, fui comer quase que por obrigação.

Sentado pertinho do mar, degustei uma saladinha de grão com cebolinha e fiapos de bacalhau, após o que me serviram uma fabulosa posta de garoupa. O empregado sorriu e disse-me que eu podia até nem acreditar, mas que aquele peixe lhes fora trazido de manhã bem cedo. A posta era grande e cortada à altura ideal para proporcionar uma boa assadura e vinha ornamentada com vulgares vegetais. Bróculos, grelos, cenourinhas e quatro quartos de uma batata assada em brasas. Tudo seco, a pedido prévio, sem sabores adulterados por molhos de manteiga ou outros, encarreguei-me eu de temperar o manjar com azeite de boa qualidade e vinagre. Nada mais.

A primeira página do jornal falava da grande preocupação que ia pelo Egipto, pois esperava-se grande arruaça ao fim da tarde. Comi o peixe, olhei o mar e senti o conforto de viver numa zona calma, saboreando o que há de melhor em matéria de peixe e espraiando o olhar pelo mar fora. O olhar e o pensamento, não há como olhar o mar sem pensar em alguma coisa, quanto mais não seja pensar como é bom não ter necessariamente que pensar em coisa nenhuma e entregar-se a estes momentos de torpor e bem-aventurança.

Reconfortado, levantei-me e caminhei algumas centenas de metros até casa. Senti-me bem. A brisa do mar deve-me ter trazido um carinho, disfarçado no momentâneo odor a maresia que, por um curto momento, inalei com deleite e serenidade.
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2 Comments:

At 7:59 da manhã, Blogger papoila disse...

O ar livre é muitas vezes o suficiente para trazer a calma e a boa disposição.
xx

 
At 3:53 da tarde, Anonymous alfacinha disse...

O mar é o amigo de todos
cumprimentos

 

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