sexta-feira, novembro 14, 2008

Tão simples...


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[N]a Nova Zelândia não existe um sistema de avaliação centralizado. Não que os professores não sejam avaliados, longe disso. (...) No entanto, não existe um modelo de avaliação único, comum a todos os professores. Existe um quadro geral de avaliação (national framework) e um conjunto de indicações (guidelines) que impedem a arbitrariedade, mas a avaliação é da responsabilidade do director da escola onde cada professor lecciona, e este tem ampla liberdade no modo como a faz. A justificação por esta opção é simples: ninguém está em melhor posição do que ele para avaliar da competência dos professores que leccionam na sua escola. Aliás, uma vez cumpridos os mínimos de desempenho, o resultado da avaliação não tem influência na progressão na carreira, que depende exclusivamente do número de anos de ensino. Apenas influencia a plausibilidade de nomeação para o desempenho funções de coordenação pedagógica ou outras no interior da escola, com significativo acréscimo salarial.

Naturalmente que este sistema de avaliação totalmente descentralizado faz sentido num contexto, que é o neozelandês, em que as escolas têm total autonomia na sua gestão, incluindo a selecção e contratação dos professores. Ao mesmo tempo, uma vez contratados, um professor apenas deixa de o ser se for demonstrada a sua completa incompetência ou se a escola que o contratou deixar de ter alunos, portanto, a qualidade do seu ensino se deteriorar. Estão, assim, criados os incentivos para professores e directores das escolas tudo fazerem para que a formação contínua e o apoio à melhoria do desempenho pedagógico seja uma prioridade e a avaliação do desempenho dos professores tenha como principal objectivo identificar as áreas de melhoria de cada um.

Soa a utopia, e sem dúvida que vem dos antípodas, mas o sistema de ensino neozelandês nem sempre foi assim. Simplesmente, há 20 anos, este país teve a coragem de fazer a reforma que verdadeiramente importava: acabou com a maior parte das direcções centrais e todas as direcções regionais de educação e devolveu as escolas às comunidades locais. Se dúvidas houvessem, os dados do PISA-OCDE colocam a Nova Zelândia no topo, quer no que concerne a literacia quer no que concerne a numeracia. E claro, é escusado gritar contra o ministério da educação, este ou qualquer outro, pois este foi quem mais perdeu poder com a reforma: o poder passou para as escolas e o conselho de administração das escolas é maioritariamente composto por personalidades eleitas pelos pais dos alunos. De uma simplicidade desconcertante, mas que explica a qualidade do ensino neozelandês
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Post
de Fernando Adão da Fonseca no blog da SEDES, acerca do caso da Nova Zelândia (o objecto de uma conferência organizada anteontem pelo Forum para a liberdade da Educação, na Gulbenkian).

Via Cachimbo de Magritte

Tão simples e do domínio do senso comum! No dia em que deixarmos de estar minados por uma classe parasita, retrógrada e provinciana que acha que existe para defender as liberdades de cada qual, pode ser que passemos a ter este sistema de avaliação implementado nas nossas escolas.

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4 Comments:

At 7:38 da tarde, Blogger Teófilo M. disse...

Já há muito que venho defendendo um sistema destes, o pior é fazer com que os professores aceitem tal sistema, e os sindicatos então nem se fala.

Pelo menos é o que me dizem os professores com quem habitualmente falo.

 
At 1:41 da manhã, Blogger Lucas Santana disse...

O principal problema do nosso ensino público é a má administração do governo e os programas sociais falhos do mesmo. Já o do ensino particular é a falta de interesse dos alunos que herdam a cultura retrógrada que faz referência.

É sem dúvida um ótimo sistema mas algo muito distante da nossa realidade.

ótimo post!

 
At 8:21 da manhã, Blogger espumante disse...

teófilo m.

Não aceitariam este como não aceitariam outro qualquer. As hierarquias valem muito pouco no status actual...

 
At 8:22 da manhã, Blogger espumante disse...

lucas santana

Costumo dizer que as realidades somos nós que as fazemos...

 

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