quinta-feira, outubro 28, 2004

A Natureza da coisa



Numa época em que se assiste a uma indefinida e quiçá surda reflexão sobre a natureza e a razão da mais antiga e estimável atitude relacional entre o sexo oposto, eis que a natureza, algures numa floresta onde proliferam coníferas (honni soit...), malváceas, anacardeáceas, musáceas e aceres avulsos, se encarrega de nos proporcionar uma visão pictórica da mais refundada e sublime razão da nossa existência.

Há quem veja nela, na razão, um simples acto de procriação, quem se arrogue a visão poética da união da espécie, quem o reduza a uma premissa de coito tout court (“que é para isso que vimos ao mundo e se até os passarinhos gostam...”) e há quem sublime a cópula num cadinho de poetas e pensadores. E há ainda quem consiga transpor conceitos universalmente institucionalizados e se reveja neste acto com a singeleza e naturalidade das coisas boas da nossa existência.

Estará ainda por escrever ou determinar onde nos levará a contínua mutação de conceitos e ideias sobre uma coisa tão simples como fazer amor (expressão absoluta e exclusivamente humana). Pertenço ao número daqueles que aceitam sem reservas a dinâmica das coisas, sem apego a prismas estereotipados da visão contemporânea do sexo, nas suas mais variadas vertentes de fidelidade, traição, ciúme, vulgarização, indiferença ou, hélas, sacralização. Sei que o homem, como indivíduo, porque é inteligente, tem uma inevitável tendência para complicar, para verter a simplicidade do sexo na mais inextricável das questões. O sexo é prazer e é emoção. Se fosse só prazer não havia emoção. Se fosse só emoção, não haveria sexo. Com sexo e emoção a sexualidade atinge o que de mais sublime contém, na inter-relação entre o homem e a mulher (o britânico intercourse...).

Há uma certa injustiça no julgamento do homem, aqui como macho, em tudo o que se relaciona com o sexo. São recorrentes as piadas, anedotas, dichotes e a ideia generalizada de que o homem funciona quase que exclusivamente num registo de macho conquistador .Eu discordo. Há é homens broncos, tal como há mulheres estúpidas. Mas, vistas bem as coisas, quando existe um manifesto capital de “massa crítica”, de inteligência, humor, cultura e, claro, as indispensáveis hormonas, o “flirt” funciona, a conquista instala-se, no conquistador e no conquistado, e o desfecho remete para a mais bela manifestação de vida e dos prazeres nela implícitos.

E depois, olhando para a foto acima, digam lá se mesmo do ponto de vista plástico, não é uma magnífica visão! Não sou capaz de acabar este post sem um sorriso cúmplice com algumas recordações que, estou certo, todos nós, homens e mulheres, guardamos no disco rígido da nossa existência.

5 Comments:

At 10:12 da tarde, Anonymous Anónimo disse...

Curiosa estou de ver a foto, mas por defeito da minha "máquina" ou da sua...só vislumbro um quadradinho e uma cruzinha ao meio, como se fosse proibitivo olhar lá para dentro..
- Gota

 
At 10:35 da manhã, Blogger Passada disse...

é, pois é. Discute-se a natureza da natureza. Mas tou com a Gota que na se vê a tal de imagem. Acho que não fez o download properly

 
At 11:35 da manhã, Blogger Nelson Reprezas disse...

a qestão não é de download, e esta resposta serve para a "gota" e para mmirc. É mesmo porque sou nabo nesta coisa e fui usar uma foto que não era publicável sem que eu abrisse "uma conta", seja lá o que isso signifique. Portanto, fica só o texto. Claramente prejudicado pela ausência da foto...

 
At 3:01 da tarde, Blogger Passada disse...

ter uma conta quer dizer, ou pagar por ela para ter acesso ao banco de imagéns ou renunciares a tua base de dados a esse site.

 
At 8:41 da tarde, Blogger Nelson Reprezas disse...

mmicr - o meu penhorado agradecimento pela explicação. Já abdiquei da minha base de dados, downloadei, abdiquei outra vez, introduzi o Adaware, desfribilhei o disco rígido e aumentei a capacidade do disco mole. E para a próxima vou buscar uma foto ao google...
:)

 

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