quarta-feira, agosto 08, 2012

Nos tempos em que não era necessário ser comunista, bastava falar como eles, dizer o que eles diziam…

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Logo da FNAC. Reparar na «ternurinha» da estrela. Se fosse hoje era capaz de levar uma rosa ou um magalhães. O homem sabe da poda!

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… e era fácil ser empresário. Desde que se abrisse a cartilha e, em casos extremos, uns pay-offs a ajudar. Assim se fez, a seu tempo, história em Angola e em Moçambique. Lembro-me das excitações causadas pela FNAC, uns aparelhos de ar condicionado com a suprema virtude de serem feitos a partir de tecnologia alemã do Leste, um 2 x 1 consubstanciado no facto de ser um país comunista e, not the least, comunista MAS com uma tecnologia superior à tecnologia dos outros países do Leste Europeu (lá estavam uns inenarráveis IFA’s a atestá-lo, uma espécie de camiões exportados aos milhares para os países africanos de trato socialista, internacionalista e solidário).

Alexandre Alves era o rosto desta fantástica aventura e mesmo quando vendia alimentos fora de prazo a sua reputação de empresário moderno e progressista (era conotado com o PC e com o Benfica, coitados dos lampiões, que não eram tidos nem achados na contenda, mas vinham à baila, sempre que Alexandre se queria mostrar como um «homem de massas»). Conheci circunstancialmente a criatura, em ocasiões sociais em Moçambique e depressa e facilmente lhe tirei a fotografia. Fotografia que, de resto, se tornou bem nítida com o que inevitavelmente acontecia às empresas em que se envolvia. Falências, aldrabices, processos, dinheiros a pagar e a receber, trapalhadas, mas o homem era um homem de massas, das massas do Benfica e das massas populares e a tudo resistia com o encanto da sua retórica, de mote passado pelos amigos que havia em cada esquina, anunciando amanhãs cantantes.

Parece que de outras massas ele se tornou igualmente exímio. Para isso basta-lhe apregoar empregos aos milhares (só engenheiros eram umas centenas) e pegar em indústrias queridas aos socialistas no poder. Podem ser painéis solares, como fábricas de água a ferver, tudo serve desde que se insira na retórica socialista. Sobretudo daquela que, sem pudor, anuncia milhares de postos de trabalho nas campanhas eleitorais, como se os postos de trabalho fossem criados por decreto e o socialismo o criador. E isto foi o que aconteceu uma vez mais. Alexandre descobriu Sócrates. Encontrou o testo para a panela e fez o que quis. Que gente impreparada vá na conversa fiada de Alexandre não me surpreende. Que Sócrates, de infeliz memória, se deixasse (deixasse? Quisesse?) arrastar por esta conversa de um, dois, três de Oliveira Quatro é que é condenável. Sócrates era primeiro-ministro, não era um empresário de vão de escada. E tinha a obrigação de saber disto. E desta vez, as massas não eram benfiquistas, nem populares. Seriam massas nossas, dos portugueses pagantes que Sócrates nunca hesitou em usar em proveito da sua insaciável sofreguidão, no maior desrespeito pelas finanças dos seus eleitores. E dos outros, porque quando toca a pagar, é tudo do PP, Partido dos Pagantes.

Eu não sei o que vai sair desta história. Nem estou verdadeiramente interessado em pormenores, tipo quanto é que Alexandre recebeu, se não recebeu. O que me afronta e abana é ver como estas coisas vão aparecendo e mais - a forma como alguma comunicação social reporta estas tropelias. Ou com uma extraordinária benevolência em relação a Sócrates e ao seu governo ou com uma aflitiva pacatez bovina. Já o mesmo aconteceu com os Magalhães. Alguém sabe verdadeiramente o que se passou?

E aqui está como um acesso de fúria me faz sair, por uns minutos, do meu desejável descanso do blogue.

Ler aqui; E aqui. E ainda aqui; E se não for muita maçada, aqui. Oops... e aqui também. Pronto, só mais esta.
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5 Comments:

At 1:02 da manhã, Blogger Lurdes disse...

Dizem que este blog sujeita quem o visita a uma possível praga de vírus. MEEEEEEEEEEDOOOOOOOOO

 
At 8:57 da manhã, Blogger Nelson Reprezas disse...

Olá Lurdes, não há que ter medo. É verdade que sofri um ataque de um hacker qualquer (autoinduzido, não sei se é assim que se diz...), traduzido em centenas de visitas seguidas de um url desconhecido com origem em Mountain View, USA. Visitei outros blogues com o mesmo site meter que eu e aconteceu-lhes o mesmo. O resultado foi esse aviso. Felizmente que o ataque parece já ter passado e muita gente já acede ao blogue sem constrangimentos. Mesmo assim, alguns visitantes ainda se queixam. E não tenhas medo, não há vírus que meta medo a Matosinhos :)))

 
At 11:44 da manhã, Blogger Vitor Pissarro disse...

Passatempo de verão: Adivinhem qual é o "coitado" do Governo que tem que governar um país que: 1º está cheio de funcionários públicos e pensionsitas que são os responsáveis pelo défice e que merecem ficar sem 2 ordenados! 2º tem desempregados que são preguiçosos, não aproveitam as imensas oportunidades e que deviam emigrar; 3º tem imensos "piegas" que reclamam muito; 4º tem imensos empresários malfeitores às cores ( vermelho, verde...) e que não merecem qualquer apoio. Coitado do Governo deste país!

 
At 2:41 da tarde, Blogger Nelson Reprezas disse...

Vítor Pissarro

Ok, vou concorrer ao seu passatempo:

1 - É o governo de Passos Coelho. Não que tenha sido ele o culpado das malfeitorias listadas neste ponto, mas porque teve (e tem) de desensarilhar as tropelias do governo anterior com o inenarrável Sócrates ao leme, i.e. admitir quadros no funcionalismo sem qualquer critério de rigor,no sentido de ganhar os votos que ganhou. E este governo nunca disse (eu pelo menos não ouvi) que os funcionários eram responsáveis pelo défice. Essa é uma forma enviesada de acusar Passos Coelho de uma coisa que ele não fez, tal como ele nunca disse que os funcionários merecem ficar sem dois ordenados, mais uma afirmação de viés que só cola aos incautos.

2 - Também não me ocorre que alguma vez Passos Coelho tenha chamado preguiçosos aos funcionários e que deveriam emigrar. O que ele disse foi completamente diferente e usado num contexto, de novo, enviesado. Com a agravante de que quem o utiliza, como o Vítor, SABE perfeitamente que assim foi.

3 - Os piegas... são um sound bite usado por uma agência de imagem claramente inferior à que acolitava Sócrates. Mas não tem qualquer expressão, não é ofensivo e acaba até por ser pedagógico;

4 - Tem empresários malfeitores, sim (Alexandre não sei das quantas, não me ocorre o nome, falei dele no post em apreço)e verdes, também sim, porque o que Roquete queria era que fosse a banca a financiar o que lhe ia na alma. Dele é que não arriscaria nada. E, como já li por aí e concordo, estamos perante mais um caso em que a megalomania socialista premiaria um caso em que a oferta é que deveria gerar a procura, em vez de, naturalmente, dever ser a procura a gerar a oferta.
Ó Vítor, eu tinha que lhe dizer isto! :))) Só pelo «viés» do seu comentário que, incondicionalmente, agradeço.
Um abraço

 
At 3:34 da tarde, Blogger Vitor Pissarro disse...

Obrigado pela resposta. Já vi que continua um "clubista" em forma. Tenho saudades de umas conversas destas com vista para a Lapa. Mas agora, vou de férias. Boas férias para todos. Um abraço.

 

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