quarta-feira, maio 26, 2010

Why not?



A senhora com uma rosa na cabeça é uma das 14 mulheres do Reu Mswati III da Swaziland. É improvável que apareça no "Why Not"

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Quem conhece bem a Suazilândia deve lembrar-se do “Why Not”, um bar semi-obscuro (literalmente…) ao longo da estrada entre Manzini e M’Babane. Era um local de inominável mau gosto, repleto de mulheres de peitos fartos e ancas desbundadas e transbordadas do espartilho dumas saias estranhas, muito apertadas, de cores garridas e que contrastavam com a tez muito escura da epiderme. As bocas, muito grandes e emolduradas por um desenho capcioso dos grandes lábios, carregados de batom escarlate, umas unhas compridas e esmaltadas com arabescos multicor. Estas mulheres borboleteavam por entre as mesas do consumo mínimo, normalmente consubstanciado em whisky barato servido em garrafas de Johnny Walker de 20 anos, Dimple ou Passport, por ter umas garrafas convenientemente escuras.

O ambiente era de festa, de fumo, de vapores de álcool, de odor corporal intenso misturado com perfumes agressivos e de intenso pecado (na Suazilândia o pecado é omnipresente e conscientemente assumido, como explicar, há a noção de que todos somos “sinners” mas não há como escapar a este desígnio divino, por outras palavras, todos somos profundamente religiosos mas somos “sinners” e como tal temos de nos ajustar e aguardar com fé o castigo divino. É mais ou menos isto…), um pecado envolvente a que os clientes (ainda lá não chegou a designação europeia de utentes…) não conseguiam e muito menos deveriam eximir-se. A hora era de deboche e ai daquele que se furtasse ao “mainstream” e ousasse um movimento de esquiva. Que o digam os sul-africanos dos tempos do apartheid, mesmo os mais fervorosos crentes da igreja holandesa que, passada a fronteira geográfica entre o seu país e a Suazilândia se entregavam aos prazeres da carne ao longo dos fins-de-semana, até ao regresso às suas puritanas origens onde, após conveniente contrição (e um bom banho, diria eu,) voltavam a estar purificados para a labuta diária e para os seus deveres conjugais.

Uma vez fui ao “Why Not” com um grupo de amigos, todos equipados com as respectivas mulheres, as legítimas, que eu sou homem de boas contas e uma mulher só. E a insistência das mulheres foi tanta que acabámos por ir ao “Why Not”. Lá chegados e bebidas “ordered”, entretínhamo-nos a ver imagens de pornografia de 5ª categoria nas paredes do bar enquanto o ambiente do “Why Not” se ia gerando, à medida que o álcool corria e as mulheres gordas, de lábios escarlate, peitos fartos… essas… se iam distribuindo pelas mesas e confraternizando. E é quando uma se senta ao meu lado, me começa a acariciar por áreas que aqui omito porque este blogue também é lido antes das dez da noite, carícias essas feitas sem qualquer rebuço em frente de toda a gente, incluindo a minha mulher que se sentava a meu lado. Quando a Nina (assim se chamava a tonelada de mulher a meu lado…) me disse que we might as well go upstairs to have fun eu disse, algo conspicuamente, que this lady here is my wife, that would be my pleasure, but my wife is right here, sitting at the table… a Nina diz-me com a maior das naturalidades, never mind, we can always get her a boy-friend. Nesta fase do campeonato e por muito espírito cordato que eu tenha, disse aos meus amigos que tínhamos de ir porque havia gente esperando por nós no Royal Swazy. A Nina não gostou do evidente pretérito, mas não fez “peixeirada”. Uma taça de 7-Up feito champanhe amenizou a perda. Pagámos e viemos embora.

Isto a propósito de quê? Porque ouvi anteontem um anúncio na televisão estatal de que um empresário português tinha aberto mais um hotel na Suazilândia. Com piscina, spa e casino. Não sei quantos quartos e excelentemente localizado perto do Royal Swazi e do Ezulwini. E que esperava ter o hotel cheio quando começasse o campeonato do mundo de futebol. Nome do novo hotel? “Why Not”, pois claro. E o empresário português, que acabou por ser entrevistado em discurso directo fez um apelo às massas e disse, mais palavra menos palavra. Venham, venham todos, temos casino, bons quartos, piscina, spa e ah!... o que não falta é meninas simpáticas por aí, até porque o Rei também tem muitas mulheres (SIC).

É oficial. O turismo na Suazilândia mantém a sua vertente lúdica. Desta vez apimentada com a malandrice do empresário tuga que não se esquece de avisar que o “Why Not” tem por lá muitas meninas simpáticas. E se o rei tem muitas mulheres porque as não há-de ter ele para fornecer aos seus clientes? Why not?
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9 Comments:

At 7:34 da tarde, Blogger zeparafuso disse...

Yes! Why not? Eu conheci nos meus tempos de Namaacha, fui lá levado por um bife.

 
At 9:19 da tarde, Anonymous LVD disse...

Deixo-lhe este endereço - http://maisvoce.globo.com/MaisVoce/0,,MUL1595807-10345,00-NUNCA+ESQUECI+ESCRITORA+DULCE+BRAGA+REENCONTRA+A+AMIGA+PAULA+NO+PALCO+DO+MA.html - que nada tem a ver com o seu post, mas tudo a ver com "Sabor de maboque".

 
At 9:42 da manhã, Blogger Espumante disse...

zeparafuso

Se viveu na Namaacha, conheceu o Why Not, com certeza :)))

 
At 9:43 da manhã, Blogger Espumante disse...

Lvd

Agradeço a gentileza. Já agora, posso saber de quem se trata este LVD??
Obrigado

 
At 3:57 da tarde, Anonymous LVD disse...

Aproveitando a sua resposta, permita-me uma questão: maboque é parente da massala de Moçambique?
Quanto à minha identidade, aqui fica: Lucília Vieira Domingos.
Cumprimentos.

 
At 4:38 da tarde, Blogger Espumante disse...

LVD

Massala e Maboque são exactamente o mesmo fruto. Maboque em Angola e Massala em Moçambique. Percebo agora o seu interesse no tema, pois presumo que seja de ou tenha estado em Moçambique.
Obrigado.

 
At 4:38 da tarde, Blogger Espumante disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 5:38 da tarde, Anonymous LVD disse...

Grata pelo esclarecimento.
A dúvida que me ficou resulta de ter ouvido à Dulce que a polpa era amarelinha e, que me recorde, a da massala era branca.
Quanto ao mais, acertou: nascida e criada em Moçambique, até 79.
Obrigada, uma vez mais.

 
At 9:38 da tarde, Blogger Dulce Braga disse...

Olá Espumante, se me permite vou meter a colher,neste angu que sinto um pouco meu :))), para dizer à Lucilia, que existe uma outra fruta parecida com o Maboque, cujo nome Angolano não me recordo, mas que no Brasil se chama cupuaçu, e que tem a polpa branca. Talvez seja essa a que se refere a Lucilia.

 

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