domingo, setembro 05, 2010

E os pilotos (de aeronaves)


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Ainda a propósito de "workóchatos", não posso deixar de recordar uma casta… bem chata. O piloto de aeronaves. Tenho mil histórias de pilotos, até porque tenho dois na família, tenho, pois, matéria, para fazer mil posts. Mas isso seria por si, tão chato como o workóchato. Mas como vem a propósito do post anterior, não posso deixar de referir o bom posicionamento do piloto de aeronaves (piloto de aeronaves, este "aeronaves" é importante, não vá dar-se o caso de os confundirmos com pilotos da barra, pilotos de automóveis, episódios piloto e outros pilotagens que há por aí desde que o termo se trivializou). Refiro, por exemplo, o que é almoçar com um piloto, acabamos por entra num diálogo deste género:

- Então a sopa está boa?

- Sim… e é nessa altura que me surge uma formação de cúmulo nimbos pela frente, uma formação bem maciça que me fez pensar naquela vez que…

- Sim, mas a sopa está óptima. O que é que pediste? O bife ou o arroz de pato?

- Patos? Não… eram cabritos, era uma pista no mato, uma pista que servia uns campos de algodão e quando aponto o nariz à pista vejo as vacas a pastar e tive de fazer um “rase mote” para elas se afastarem…

- Ok pá, olha eu vou antes no bife, não aprecio muito pato…

- Claro que usei os “flaps” no máximo, sou piloto de linha, sabes, tinha ali ido só para fazer um favor a um amigo e estava já destreinado de avionetes… mas com os “flaps” a fundo fiz o “rase mote” mas, a meio, achei que ainda dava para aterrar, fiz-me então à pista…

- Olha chegou o pato. Por caso está com bom aspecto.

- E não é que de repente vejo que já não tenho metros? Solução? “Borregar”. “Borregar”, claro, porque no fim da pista aquilo estava já cheio de “bissapas” e além de que o avião era um Cessna e os Cessnas precisam de mais pista, sobretudo se a temperatura do motor…

- Mas olha que o meu bife está apetitoso também, espero que esteja tenro…

- Já uma vez, mas isso em avião comercial da TAP, faço-me à pista no Rio de Janeiro e a pista ao fundo tens uns cabos eléctricos que…

- E sobremesa, apetece?

- O que vale é que já fiz muitos voos para o Rio e…

Aí uma pessoa entra em “veril” (não sei bem o que é “veril” nem se a grafia está correcta, mas parece que tem alguma coisa com um avião “entrar em parafuso”) e entra, claramente “em perda”. Só há que me “ejectar” da conversa ou deixar-me arrastar pelas intermináveis histórias de um piloto de aeronaves. Para não fazer o post longo e me tornar eu próprio um “blogochato”, omiti as vezes em que o “comandante” , com um ar misto de mecenas e de quem acabou de ganhar um concurso de beleza, fala na vezes em que oferece um "upgrade" a um amigo, familiar, protoadmiradore(a)s e veneradores fãs do transporte aéreo. E ainda falam das histórias dos pescadores…

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O mundo estranho da informática


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E esta Sexta-Feira passada, quando cheguei ao escritório e soltei duas imprecações por julgar estar sem internet, acabei por concluir que não era avaria nenhuma. Aparentemente, a mulher das limpezas ao aspirar a alcatifa por debaixo da minha secretária desligou um fio de telefone... eu, com o jeito peculiar que Deus me deu para estas coisas pensei em tudo menos nisso, de maneira que chateei meio mundo, sumidades de informática, doutorados e doutorandos na elevadíssima ciência virtual... e eu não sei se sabem o que significa ter informáticos agarrados a um computador tentando decifrar uma avaria, sobretudo quando eles põem aquela cara de expressão condescendente para com os pobres mortais que não percebem nada de computadores. Sentam-se, pegam no rato, calam-se (esta do "calam-se" é importante... não dizem nada, apenas balbuciam respostas breves e quase ininteligíveis quando a gente já está sem paciência e pergunta que raio é que estão a fazer e eles dizem para termos calma porque "ele", este "ele" é o computador, bem entendido, está a "pensar"...), andam com o rato para cima, com o rato para baixo, franzem o cenho, os olhos, a testa, cofiam a barba (um bom informático não faz a barba todos os dias) tudo isto numa atmosfera solene e de profunda intelectualidade... depois abrem uma janela... e outra, e outra ainda, clicam ali, depois clicam aqui... o tempo passa e nós “perdemo-nos”, ficamos sem fazer a mínima do que estão para ali a fazer... eu nestas coisas às tantas reconheço que não faço a mais pálida ideia do que se está a passar, mas o grave é que começo a achar que eles também não – entraram na estratosfera virtual, um cosmos muito peculiar a que nem todos temos o privilégio de ver a porta aberta e ficam eles também, sem a mais remota ideia do que estão a fazer... olham... clicam... deixam o "coiso" pensar... abrem mais janelas, olham vaga e profundamente para o monitor... e, de vez em quando, olham para nós e deixam escapar um expressão qualquer que nós não percebemos, mas a ideia é mesmo essa, é não percebermos, eles gostam que a gente não perceba - aumenta o suspense e claramente valoriza a missão de que foram incumbidos e para a qual Deus Nosso Senhor os habilitou e Ele lá teria as Suas razões para a Sua selectiva escolha. Normalmente isto acontece, portanto, já na tal fase em que o técnico também já não sabe bem (nem mal) o que está a fazer. Ah!!!! Importante. Aproveitam e tiram lixo, "coisas", “tralha”, que a gente não precisa.... "coisas" que estão ali a mais, não são vírus, atenção, que vírus é “outro departamento”, são... lixo, assim uma espécie de "excremento" mais ou menos tolerável, mas que não deixa de ser excremento e, como tal, deve ser eliminado. É nesta altura que nós nos achamos uns profundos ignorantes, afinal não sabíamos que os computadores tinham excrementos, afinal defecavam como um comum mortal… mesmo assim atrevemo-nos a dizer que o excremento encontrado não fazia diferença nenhuma... nós apenas pedimos auxílio porque não conseguíamos ligação á Internet. Mas isso provoca um olhar de desprezo, claramente uma mirada “por cima da burra”, talvez mesmo comiseração pelos pobres de espírito que não sabem distinguir a informação boa da má e, sobretudo, que os computadores produziam excrementos.

Pois, foi isso o que me aconteceu. E depois de um looooooooooooongo período nestes termos, há alguém que, com a graça de Deus, repara numa pontinha do fio telefónico, uma coisa minúscula, fininha e que está numa zona mais ou menos emaranhada de pequenos fios e pergunta inocentemente: este fio não estará desligado? Aí esse alguém, um ex-segurança de dois metros de altura e com os antebraços da grossura de uma perna e que agora é apenas estafeta da empresa, desde que partiu uma clavícula e começou a ter dificuldades em andar ao estalo e praticar o Kung - Fu, esse alguém, dizia eu, pegou no pontinha de fio metálico e perguntou: - Alguém tem um canivete?

Ninguém tinha um canivete. Esse alguém mete diligentemente o fio nos dentes, descarna o plástico, pega numa lima de unhas metálica que por magia apareceu, desenroscou um pequeno parafuso, colocou o fio, apertou o parafuso e... tchan, tchan, tchan, tchan ... eis ali a net ligada, a linha telefónica operacional e tudo nos conformes. O cientista, o informático encartado olhou para o "alguém salvador" e acho que o poderia fuzilar com os olhos... disse-me que já agora ia fazer não sei quê, não sei quê. Aí eu disse PEREMPTORIAMENTE. Olhe, você não vai fazer NADA, porque EU NÃO DEIXO. Muito grato pela sua atenção, foi uma ajuda excelente agora deixe-me ver o correio e trabalhar.

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