sábado, novembro 30, 2013

Não vá o nubente cansar-se…


Um casal angolano de noivos. O Ivano e a Laigueza

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Nada como os angolanos para criarem «tradições de agora» (*). As Sextas-Feiras passaram a ser, tradicionalmente, o «dia das noivas». Pelo menos aqui em Luanda. Porquê? Porque outra tradição, talvez não de agora, é que as Sextas-Feiras são os «dias do homem». Vale por dizer que às Sextas o homem tem a prerrogativa (invejável) de ir sozinho, ou com amigos, mas sem a obrigatoriedade de levar a legítima, curtir o pré fim-de-semana. As noivas, ao que parece, é que começaram a apresentar queixas de que, casando aos Sábados os noivos vinham com ressaca de uns bons copos e, mais grave… «cansados». E tudo se resolve como tudo se resolve nesta terra abençoada por Deus (que só descansou ao Sábado). As noivas juntaram-se e instituíram a Sexta-Feira como o «Dia das Noivas». Casando à Sexta, garantem a robustez e boa conservação do produto e tudo se desenrola na paz do Senhor. Pelo menos até à Sexta-Feira seguinte.

Nota: Luanda estava ontem pejada de noivas bonitas nos seus imaculados vestidos brancos, longos e folhosos. Porque depois das cerimónias, uma outra «tradição de agora» é que as noivas se juntem num local combinado (ontem calhou aqui à entrada do largo da Vila Alice), tirem imensas fotos e se riam imenso também. Certamente pela certeza de que os homens não estarão «cansados».

(*) esta do «tradições de agora» tem direitos de autor. Que eu, naturalmente respeito. *

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sexta-feira, julho 30, 2010

A nobreza e a fidalguia (touro e toureiro) a merecerem uma acção de graças


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Impossível passar ao lado desta excelente sequência fotográfica do Jansenista.

A morte como espectáculo e o escrúpulo do horror mimetizados numa autêntica barbárie cultural ataviada com um fundo pretensamente tradicional e a liturgia dos bons costumes das boas famílias. Vela acesa, oração de preito à carnificina e, depois, uma acção de graças pelo regresso em segurança do artista e pela nobreza do bicho compõem o ramalhete de uma tradição que tem mais a ver com as nossas idiossincrasias do que à primeira vista possa parecer.

E.T. Infelizmente a abolição das touradas está a veicular uma dinâmica política, uma «arma de arremesso» como se diz agora em «politiquês» e que pouco tem a ver com a genuína repulsa pelo espectáculo grotesco de ver uma multidão aplaudir a «nobreza» de se matar um animal aos bocadinhos.

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Gato em pote de barro quente



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Ontem, salvo erro, a notícia era a de uma tradição carnavalesca algures no norte de Portugal, em que um gato é colocado dentro de um pote de barro. O pote é içado por umas cordas ao topo de um poste, na base do poste faz-se uma fogueira, após o que se lança fogo às cordas que suportam o pote com o gato lá dentro, as cordas ardem, o pote cai em cima da fogueira, o gato foge esbaforido, certamente chamuscado pela chamas da fogueira e a multidão urra de contentamento e acaba a beber uns copos, enquanto o gato deve ir lamber as feridas para outra freguesia.

Parece que se ilegalizou a coisa e os populares, iracundos e ofendidos pela eliminação das nobres tradições da nossa terra resolveram fazer o mesmo com um gato de peluche. Mas prometem que isto não fica assim. Vão até às últimas consequências para repor a verdade, entenda-se substituir o gato de peluche por um gato de carne e osso, que isto de peluches não tem graça nenhuma. Um dos populares dizia mesmo não entender tanta discussão á volta da coisa. Então também não se mata o porco? E depois não se come o porco? Enquanto que o gato ninguém o come, dizia ele para as câmaras.

Lógicas dos nossos Entrudos e isto é preciso é o povo feliz. Nem que seja a deixar cair gatos de vários metros de altura dentro de um pote de barro em cima duma fogueira. E depois… há as tradições.

Estou certo que Jorge Sampaio não soube da história do gato pendurado, senão tinha aberto outra excepção, juntamente com a matança de touros em Barrancos, em defesa das nobres tradições portuguesas. Acompanhado duma lágrima de comoção, como é óbvio.
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