terça-feira, janeiro 13, 2009

Saiam-me de cima


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A pulsão nacional, que disso se trata, de um punhado de preclaras personalidades socialistas acordarem todos os dias preocupadas com o meu bem-estar começa a tornar-se semelhante a uma ataque de sarna. Agora é o sal. Acham que ando a comer sal de mais e, para já, lembraram-se do pão. Que tem uns gramas a mais. E se nos eriçamos com o desvelo destes burocratas idiotas, atiram-nos à cara com as despesas em que incorremos nos hospitais a tratar de enfartes de miocárdio.

Como não é crível que esta fauna deixe de se meter na vida das pessoas tão cedo, logo, na minha própria, receio que um dia destes acordem a pensar noutras privacidades das pessoas que, por muito estimáveis que sejam, nunca se sabe quando nos poderão prejudicar a saúde. O sexo, por exemplo, é um amplo campo de experiência. “Quecar” quando? Onde? Como? Uma vez por dia, todas as semanas, todos os meses. Aonde? Na cama? E uma queca fortuita na mesa da cozinha? Não poderá provocar uma hérnia discal? Não dá cãibras? E no elevador? Um orgasmo de pé será saudável consoante o elevador esteja a descer ou a subir? E na cama, depois do pequeno almoço, lambuzados de compota de morango ou geleia de groselhas? Não provocará alguma reacção alérgica? Proponho estudos aturados. Já. Invista-se em mesas de cozinha, elevadores, compotas, com putas e outros cenários para que se conclua e decida sobre a forma correcta e mais saudável de se praticar o coito. Que o diabo tece-as e nunca se sabe quando acabamos num banco de urgência com um esgotamento por excesso de sexo ou, ainda, na consulta externa de psiquiatria a fazer estudos sobre sexo, exactamente por falta dele. Entretanto, saiam-me de cima e deixem-me morrer salgado.

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domingo, abril 01, 2007

Obsessão e falta de assunto



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Às vezes começo a pensar no que levará um homem de meia idade, culto, personalidade pública, professor universitário e, tanto quanto imagino, no pleno uso das suas faculdades mentais, escrever nove (NOVE) posts
no seu blog, designadamente a 25/3, 26/3 (dois posts), 27/3, 28/3, 29/3 (2 posts), 31/3 e 1/4 (hoje, fresquinho, pelo que admito que a saga continue), sobre a vitória de Salazar num programa de televisão.

Talvez que o facto de uma personalidade como Medeiros Ferreira acomodar 8 dias da sua vida a escrever
9 crónicas sobre o mesmo assunto, sobretudo com um argumentário a roçar o pueril e povoado de fantasmas cada vez mais esbatidos me preocupe bem mais do que Salazar ter ganho o concurso, na conjuntura que se conhece. Porque isso só pode relevar de uma fixação que se me afigura complicada. Sobretudo para ele, Medeiros Ferreira. Porque, quando mais de três décadas depois, ainda reagimos desta forma ao salazarismo, de duas uma: - ou temos muito pouco mais com que nos preocuparmos ou estamos a caminhar para uma fase claramente dominada pela necessidade (patológica?) de ressuscitar os pesadelos da ditadura para que nos reconheçam as glórias da luta contra ela.

NOTA: A persistência com que se pretende co-responsabilizar a RTP pela apologia do fascismo e do salazarismo é uma nota ridícula. Idiota. Tuga.

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domingo, março 04, 2007

É preciso cuidado




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João Miranda, do
Blasfémias tece este comentário sobre a posição de Daniel de Oliveira relativamente ao financiamento do Museu Salazar. Trata-se de uma questão de liberdades que a esquerda em geral e o Bloco de Esquerda em Portugal não entendem.

"Daniel de Oliveira defende que o Estado só deve financiar o Museu Salazar "se o projecto der garantias de rigor histórico e se for uma mais-valia para o estudo do Estado Novo". Diz ainda que "Se pretender ser uma homenagem ao ditador e ponto de peregrinação para os que se sentem derrotados pela democracia, não deve receber nem um tostão de apoio do Estado democrático. Eles que o paguem. Cabe ao presidente da Câmara escolher o caminho."Esta posição do Daniel merece-me os comentários seguintes:

1. Os liberais sempre defenderam que a interferência do estado na cultura, na ciência e no ensino degenera sempre na promoção de umas teses em detrimento de outras. Leva sempre à deturpação da cultura, da ciência e do ensino porque determinadas ideias adquirem o estatuto de "verdade oficial" por motivos políticos.

2. O estado protuguês tem vindo a interferir nos conteúdos da cultura e do ensino promovendo determinadas verdades oficiais. Isso é conseguido através dos programas de ensino e da selecção de programas culturais. Essa interferência é mais evidente na educação ambiental, no ensino da História e em tudo o que tenha a ver teoria política e economia. A maior interferência cnsegue-se através do ensino, nomeadamente através das aulas de história, da educação cívica e até das aulas de ciências.

3. Nenhum estado conseguirá alguma vez garantir a neutralidade da sua burocracia. A única coisa que pode garantir, e ainda assim de forma limitada, é a liberdade de discussão, a liberdade de crítica e a diversidade dentro dessa burocracia. É por isso que o estado não pode ter posição oficial sobre questões culturais ou científicas. Tem que permitir o pluralismo no interior das suas diversas instituições.

4. Antes do 25 de Abril as autarquias estavam às ordens do poder central e tinham que lhe obedecer. Desde o 25 de Abril as autarquias passaram a ser entidades políticas autónomas com capacidade para tomar as suas decisões sem dar contas a ninguém, excepto aos respectivos eleitores e aos tribunais.

5. Daniel Oliveira parece querer voltar ao modelo autárquico do Estado Novo em que todas as autarquias estavam sujeitas ao mesmo poder. O Daniel não reconhece o direito dos cidadãos de uma autarquia a fazer o que entenderem com a sua autonomia política. O Daniel acha que todas as decisões autárquicas devem estar sujeitas ao poder de um Estado democrático unitário.

6. Supondo que a posição do Daniel se baseia numa doutrina sólida sobre a aplicação dos dinheiros públicos, concluo que o Daniel defende que todas as iniciativas financiadas pelo estado devem dar garantias de rigor histórico.

7. E suponho ainda que o Daniel não queira ser ele e os seus colegas do Bloco a decidir o que tem rigor histórico e o que não tem. Gostava de saber que procedimentos gerais é o Daniel defende para garantir que os projectos financiados pelo estado têm rigor histórico.

8. O problema é que a única forma de garantir o rigor histórico do que quer que seja é através da livre discussão, da crítica, da livre apresentação de teorias, do contraditório. Ou seja, não se pode chegar ao rigor histórico nem com base na opinião do Daniel, nem com base na opinião de um historiador nem mesmo com base na opinão de um comité de historiadores. O rigor histórico, e o rigor científico em geral, é incompatível com comités e verdades oficiais. Só é possível com liberdade e diversidade de opiniões.

9. Segue-se que o Daniel tem duas e apenas duas opções. Ou é contra a intervenção do estado na cultura e na ciência, ou, sendo a favor, tem pelo menos que ser a favor do pluralismo e da diversidade no sistema público. Isto é, tem que exigir que o estado apoie projectos tão diversos quanto possível, o que terá que incluir tantos projectos de extrema esquerda como de extrema direita. Não que isso seja a melhor solução, porque as estruturas do estado estarão sempre dominadas por facções, mas pelo menos é mais coerente que criticar tudo o que o estado apoia de extrema direita e não criticar nada que o estado apoia de extrema esquerda.

10. Acontece que o Daniel não é a favor do pluralismo dentro do sistema público. O Daniel acha que o museu do Salazar deve ser sujeito à avaliação prévia de historiadores (ring a bell ?), mas esta é ums regra ad hoc introduzida para resolver um problema político da esquerda. O Daniel acha que a RTP deve ter especiais cuidados com os documentários políticos, mas essa é uma regra ad hoc que o Daniel introduz agora por causa de um documentário sobre o Salazar. É uma regra de que o Daniel não se lembrou nos casos do Loose Change ou do Fahrenheit 9/11"

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Espírito associativo




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Aquela notícia sobe o plano de se fazer um museu sobre Salazar em Santa Comba Dão resultou numa experiência rica para mim. Fiquei a saber que ainda há resistentes antifascistas, uma rua dos resistentes antifascistas, uma avenida dos resistentes antifascistas (ambas no Barreiro), uma união de resistentes antitarrafalistas (!!!) e um blog de Jerónimo de Sousa onde o termo antifascistas é aplicado à cadência de, pelo menos, uma vez por linha de texto.

Há o ridículo e a tragédia pífia do nome de Salazar suscitar ainda tanta celeuma, mas haver associações de resistentes antifascistas no ano da graça de 2007 em Portugal é, para mim, descoroçoante, humilhante e perfeitamente idiota. É que eu não sabia, juro. Não fazia ideia nenhuma. E, já agora, estas associações associam-se para quê? Para fazer almoços anuais tipo C. Caç. nr qualquer coisa Guiné 64? Concursos de chinquilho? Recebem algum subsídio para derramarem a sua idiotia pelo país de vez em quando? Ou existem só porque sim, porque somos assim, não há nada a fazer e temos ainda muita gente que se lhes retirarem a resistência ao fascismo do currículo ficam sem currículo nenhum?


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