quarta-feira, abril 20, 2011

O pesadelo








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Este homem tem de ser removido. Ninguém no seu perfeito juízo pode pensar sequer que Portugal aguenta a criatura por mais uma legislatura. Enlouquecemos de vez?


Ainda ontem no «frente a frente» da SIC-N, Henrique Monteiro e Martim A. Figueiredo perguntavam isso mesmo. Não só. Martim acusava objectivamente Sócrates de acção criminosa. Isto não é aceitável, chamar criminoso a um primeiro-ministro em exercício. A não ser que ele o seja mesmo e já esteja por tudo...

Via 31 da Armada


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terça-feira, março 29, 2011

E quando o mundo mudou? De supetão? Sem avisar?


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«A culpa e não haver PEC 4 é do PSD e do CDS. A culpa de haver portagens nas Scuts é do PSD que viabilizou o PEC 3. A culpa do PEC 3 é do PEC 2. Que, por sua vez, tem culpa do PEC 1.


Chegados a este, a culpa é da situação internacional. E da Grécia e da Irlanda. E antes destas culpas todas, a culpa continua a ser dos Governos PSD/CDS. Aliás, nos últimos 16 anos, a culpa é penas dos 3 anos de governação não socialista.


A culpa é do Presidente da República. A culpa é da Chanceler. A culpa é de Trichet. A culpa é da Madeira. A culpa é do FMI. A culpa é do euro.


A culpa é dos mercados. Excepto do "mercado" Magalhães. A culpa é do "rating". A culpa é dos especuladores que nos emprestam dinheiro. A culpa até chegou a ser das receitas extraordinárias. À falta de outra culpa, a culpa é de os Orçamentos e PEC serem obrigatórios.


A culpa é da agricultura. A culpa é do nemátodo do pinho.


A culpa é dos professores. A culpa é dos pais. A culpa é dos exames. A culpa é dos submarinos. A culpa é do TVG espanhol. A culpa é da conjuntura. A culpa é da estrutura.


A culpa é do computador que entupiu. A culpa é da "pen". A culpa é do funcionário do Powerpoint. A culpa é do Director-Geral. A culpa é da errata, porque nunca há errata na culpa. A culpa é das estatísticas. Umas vezes, a culpa é do INE, outras do Eurostat, outras ainda do FMI. A culpa é de uma qualquer independente universidade. E agora em versão pós Constâncio, a culpa também já é do Banco de Portugal. A culpa é dos jornalistas que fazem perguntas. A culpa é dos deputados que questionam. A culpa é das Comissões parlamentares que investigam. A culpa é dos que estudam os assuntos. A culpa é do excesso de pensionistas. A culpa é dos desempregados. A culpa é dos doentes. A culpa é dos contribuntes. A culpa é dos pobres.


A culpa é das empresas, excepto as ungidas pelo regime. A culpa é da meteorologia. A culpa é do petróleo que sobe. A culpa é do petróleo que desce.


A culpa é da insensibilidade. Dos outros. A culpa é da arrogância. Dos outros. A culpa é da incompreensão. Dos outros. A culpa é da vertigem do poder. Dos outros. A culpa é da demagogia. Dos outros. A culpa é do pessimismo. Dos outros.


A culpa é do passado. A culpa é do futuro. A culpa é da verdade. A culpa é da realidade. A culpa é das notícias. A culpa é da esquerda. A culpa é da direita. A culpa é da rua. A culpa é do complexo de culpa. A culpa é da ética.


Há sempre "novas oportunidades" para as culpas (dos outros). Imagine-se, até que, há tempos, o atraso para assistir a uma ópera foi culpa de um PM de Cabo Verde.


No fim, a culpa é dos eleitores, que não deram a maioria basoluta ao imaculado. A culpa é da democracia. A culpa é de Portugal. De todos. Só ele (e seus pajens) não têm culpa. Povo ingrato! Basta! Na passada quarta-feira, a culpa... já foi.»




Há aqui uma falha grave de Bagão Félix. Então e o mundo? Ter-se-á esquecido Bagão Félix das vezes que o mundo mudou? Quantas vezes Sócrates no-lo anunciou?

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quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Aprendiz de feiticeiro


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Não há muitos anos atrás, Portugal era reconhecido pelos anúncios de turismo, em que éramos retratados como uma espécie de paróquia regida por um cura asceta e povoada por um grupo de paroquianos caracterizados por homens de camisas aos quadrados, sobraçando um pão casqueiro e uma paiola da serra e mulheres vestidas de preto e de buços compridos e espessos, assando sardinhas. Eram o embaraço dos portugueses que não vestiam camisas da Nazaré nem tinham velhinhas de preto e de buço na família.

Os tempos mudaram, o país encheu-se de auto-estradas, McDonald's, shoppings imensos e telemóveis. Passaram a usar roupa e sapatos de marca e a tomar banhinho todos os dias. Mas o embaraço ficou. Porque por muito Armani que seja o fato, por muitas funções que tenham os celulares ou por muitos quilómetros de auto-estradas que percorramos em Bmw’s e Mercedes reluzentes, mantivemos intacto um gene travesso e, aparentemente, difícil, de extirpar. O gene do chico-esperto, o gene que nos mantém os níveis de grunhisse intelectual, caldeada numa aflitiva ausência de ética que nos envergonha cá dentro e nos faz ser conhecidos lá fora pelos piores motivos.

As declarações recentes de gente de grande proeminência na nossa sociedade, como o Procurador-Geral da República e a torrente absolutamente indigesta de retórica apologética com que estamos a ser bombardeados sobre as trampolinices de Sócrates e sus muchachos são disso prova inelutável. Não faltou mesmo a iminência sombria de Soares que do pedestal onde decidiu, impunemente, sobre a via de muitos milhões de portugueses, se resolveu balbuciar as vulgaridades do costume. Desta vez comparando os ataques de que diz ter sido alvo quando era primeiro-ministro com os ataques a Sócrates. Donde se concluiu que as campanhas negras já vêm de longe e que Sócrates é um mero aprendiz de feiticeiro.

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quarta-feira, novembro 11, 2009

Ralé política

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Entre o atabalhoamento de Noronha Nascimento e a truculência insuportável de Marinho e Pinto, passando pela pose comovente de Pinto Monteiro, na qual ele parece que não sabe onde há-de pôr as mãos, há um pormenor que me parece óbvio. Pode haver uma montanha de legislação sobre o facto de as principais figuras do Estado só poderem ser escutadas mediante autorização do Supremo Tribunal de Justiça. O que acontece é que no caso de Sócrates não podia haver essa autorização, pela simples razão de que não era ele o escutado. O facto de um dos escutados (Vara) ter falado com Sócrates está para além dos pruridos da lei. E isso altera tudo. Mesmo que subsistam os condicionamentos legais (e acredito que existam) sobre um assunto tão delicado como este, o que fica são os factos noticiados segundo os quais o primeiro-ministro discutiu assuntos tão críticos como o afastamento de jornalistas incómodos ou de como se poderia ajudar o «amigo Joaquim». Há, assim e claramente, uma responsabilidade política de Sócrates que, se não estivesse convencido de que não podemos passar sem ele, teria, pelo menos, apresentado a sua demissão. Porque é assim que se faz, quando se anda a brincar aos primeiros-ministros e a coisa corre mal, num país que se queria liberto de vez das raízes atávicas em que foi mergulhado pelos sucessivos salvadores da pátria que lhe foram saindo ao caminho.

Uma nota final para a triste figura do bastonário Marinho e Pinto. O homem está possesso, ainda lhe dá três coisas. Armado com a legislação, constituição e outras circunstâncias avulso consegue zangar-se mais agora do que quando defendeu Sócrates no caso Freeport ou atacou os «ladrões do BPN».

Pois, enquanto este país se for mantendo num caso de Benfica/Sporting, quem vai ganhando é o F.C. Porto.
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