sábado, fevereiro 04, 2012

Os portugueses estão de acordo com a adopção por casais do mesmo sexo, criticando a falta de legislação e de protecção social nestes casos

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Leio este título do Jornal de Notícias e sinto-me muito mais esclarecido. Andava para aqui cheio de dúvidas, mas felizmente que existe um Fundo de Ciência e Tecnologia com dinheiro para pagar a um psicólogo, um tal Pedro Alexandre Costa, que eu não conheço mas que ainda um dia Deus Nosso Senhor me há-de conceder a graça de conhecer, para se chegar à conclusão de que «…os portugueses estão de acordo com a adopção por casais do mesmo sexo, criticando a falta de legislação e de protecção social nestes casos…».

Isto não foi bem uma sondagem, a coisa foi mais «um estudo». Deus saberá a base científica do psicólogo Pedro Costa, nós não sabemos porque o jornal não diz, mas o que interessa é que o tal Pedro concluiu, alguma da nossa comunicação social está firmemente a passar de má a abjecta e a notícia saiu. A mim ninguém me perguntou nada mas, repito, quero acreditar que o Pedro Costa aprendeu bem na Faculdade como se faz um estudo. E se ele o diz e se o JN publicou é porque deve ser mesmo… como o Pedro diz.
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sexta-feira, março 05, 2010

Não há crianças más


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“…Uma espécie fúfia que serve de detergente social em casos calamitosos na democracia onde, como se sabe e por natureza, não há rapazes maus…”


Ler aqui, no João Gonçalves


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quarta-feira, abril 08, 2009

Molusquicidas


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Uma coisa é a politica nua e crua, outra coisa são as convicções de cada qual e outra coisa ainda o chamado combate político, expressão tão do agrado dos "knightriders" do nosso cenário político. E há, depois, uma coisa que parece ter sido remetida para o arquivo morto e que dá pelo nome de boa educação.

O Partido Socialista sempre foi dado ao tal combate político, nele se embrenhando com aquilo que sentem ser um sentido de missão. Mas para sua (e de toda a gente) desgraça, este sentido de missão resvala com demasiada frequência para uma aflitiva ausência de ética e seriedade, como o atestam numerosos casos avulso, i.e., Emáudio, Casa Pia, Freeport, qualquer deles derrotando por KO outras "poucas-vergonhas" de outras famílias políticas, apequenadas pela mestria do PS neste particular.

Mas há um pormenor não despiciendo em que muitos socialistas são exímios. É na má-língua e numa aflitiva falta de chá na substância e na forma como se referem aos seus adversários políticos. São conhecidas as diatribes de Guterres, (partir as fuças), Jaime Gama (canalha) e o inenarrável Jorge Coelho com o seu “quem se mete com o PS leva”. E dando de barato que o “habituem-se” de Vitorino se aceita, por mais polido. No fundo, expressões que mesmo quando são brandas relevam de uma completa inaceitação da crítica alheia.

Agora é o Dr. Fernando Nobre, da AMI, que numa sessão, a raiar o clímax, de lançamento de um livro de Mário Soares, afirmou que Durão Barroso "tem um corpo de plástico, moluscóide, de quem não tem coluna vertebral". É do tipo de políticos que pensa que, com uma plástica, tudo pode continuar na mesma. Isto porque Fernando Nobre achou que Durão Barroso não tinha nada que ter ido aos Açores com Bush e, muito menos e em função disso, ter elogiado Obama na recente conferência dos G20. É feio, revelador e tira-nos até a vontade de lhes corrigir o Português. Por isso, se o “há-dem” de Jorge Coelho merecia referências jocosas, já a falta de concordância de sujeito/predicado do Dr. Fernando Nobre (…é do tipo de políticos que pensa…) deslustra a imagem do autor. Mas rebuscar este ponto poderá parecer má educação.
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terça-feira, maio 13, 2008

É do baril


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"Prontes", aí estão eles. As sumidades do intelecto a mostrar obra. Repare-se na subtileza de algumas definições que o Instituto da Droga e da Toxicodependência arranjou, num dicionário de calão para crianças com mais de 11 anos:

Betinhos: - "betinho", “cocó” ou “careta” é “aquele que não consome droga e, por isso, é considerado conservador, desprezível e desinteressante”.

Queimar: - "Queimar" é "aquecer com o isqueiro a heroína ou cocaína, até fazer a bolha brilhante, cativante e vaporosa cujo fumo será inalado com a ajuda de uma nota enrolada em tubo”. (hummmm, digo eu, se isto não me faz apetecer pegar já na colher, eu seja ceguinho, digo eu…)

A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) ainda se expressou afirmando que “entende que a consulta deste dicionário por parte dos jovens “pode induzir a curiosidade por algumas experiências, em vez de ser preventora de comportamentos desviantes”, se for feita sem a intermediação de um adulto.” Mas em resposta, Patrícia Pissarra, a responsável pela página criada há um ano, justificou que o “Tu Alinhas?” tem de utilizar linguagem própria dos “miúdos”, sem esconder qualquer informação de forma a captar a atenção dos jovens: “Perdíamos credibilidade se as respostas não fossem claras e sem tabus”.

A verdade é que desde Janeiro a página
http://www.tu-alinhas.pt/ já recebeu mais de 20.000 visitas, um aumento de cerca de 70% em relação a 2007.

Porreiro, pá!

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segunda-feira, outubro 29, 2007

Psicologia de massas



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Este fim-de-semana vi pouca televisão (muito pouca) e rádio quase nenhuma. Mesmo assim, registei uma entrevista na rádio (Rádio Clube Português, Ana Sousa Dias) com um psicólogo a propósito do comportamento das crianças em idade escolar e da adequada e desejável acção dos pais em relação a esta matéria. E a uma capciosa pergunta sobre como é que os pais deveriam reagir perante um filho que tivesse agredido algum colega, o psicólogo respondeu: - Repare. Desde logo, deve conversar com o filho.

Ainda sustive a respiração a ver o que é que vinha a seguir, mas não veio nada. Fiquei a saber assim, assim, que se o meu filho mandar umas lambadas num colega, espetar um alfinete nos olhos do canário ou atirar com o apagador à professora, eu devo falar com ele. Não vá esquecer-me e não dizer nada ao miúdo. E nesta conversa deve estar implícito, presumo, que ele está ser vítima de uma sociedade infectada com uma série de malfeitorias que só a minha preclara e correcta alocução poderá compensar. Não fosse o entrevistado do RCP e eu ficaria sem saber o que deveria fazer ao meu filho brigão.

Eu sei que os psicólogos (independentemente da muita estima que alguns deles me merecem e que fazem o favor de ser meus amigos) são uma peça fundamental do regime na construção da sociedade aberrante correcta que andamos todos a construir. Mas, que diabo, o RCP poderia rever os seus critérios de escolha, pelo menos no diz respeito à loquacidade dos seus entrevistados.

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