quinta-feira, setembro 09, 2010

Olá Pedro, estás bom? Dá-me daí um beijo...


Alt + Ctrl + Esc. Um dia calhará...

[3894]

E o Pedro, meio embaraçado, com cara de quem não estava a perceber bem o que se estava a passar na sua escola, lá recebeu um exemplar da edição revista e melhorada dos Magalhães. São mais 250.000. E foi ministerialmente osculado também, na bochecha. Que haja alguém que um dia explique a este petiz estes comportamentos absurdos e hipócritas dos adultos. Sobretudo se primeiros-ministros.

Enquanto isso Sócrates vai distribuindo beijos, Magalhães melhorados, e berrando (literalmente) contra os municípios que não querem fechar as escolas e fazendo comícios de cada vez que os diligentes jornalistas lhe colocam um microfone à frente. São as magnas questões deste país que o governo tem de enfrentar.

Na retaguarda, Basílio Horta (quem diria...) vai continuando a sua inacreditável campanha de propaganda pura ao governo de Sócrates. Era vê-lo, pedagógico, cordato e prazenteiro ontem na SIC-N «batendo papo» com o simpático Gomes Ferreira. Só visto.

Alguém me acorde deste pesadelo!
.

Etiquetas: , , ,

quarta-feira, setembro 02, 2009

Por uma boa causa?


[3334]

Não sou jurista, não posso, assim, manifestar-me com propriedade sobre o assunto. Todavia, faz-me alguma confusão ser torpedeado desde que acordei com a notícia de que o Dr. Francisco George pediu autorização (!!!) às operadoras de telemóveis para usar a sua, deles, base de dados para enviar circulares e avisos aos cidadãos, a propósito da badalada gripe A. E digo que me faz confusão porque me parece que se alguém devia dar autorização para o uso da base de dados deveriam ser os próprios assinantes das citadas operadoras. Pelo menos ocorre-me que das múltiplas vezes em que somos instados a prestar detalhes da nossa identidade os solicitadores dos mesmos garantem confidencialidade e reservam a informação para uso exclusivo dos seus serviços, bla bla bla. Afinal, parece que não. Basta um espirro epidémico para que se faça tábua rasa da garantia e, sob a capa da segurança, se proceda ao que me parece uma eficiente manobra de propaganda política.

Repito que não estou seguro do enquadramento legal desta situação. Mas que já estou com vontade de espirrar, estou.

.

Etiquetas: ,

sexta-feira, março 16, 2007

Já não há bichas nas Finanças das Olaias



[1623]

A sanha deste governo pela propaganda permanente e saloia vai tornando o ar português irrespirável. Não há um dia sequer em que não me sinta menorizado pelos técnicos do marketing dessa propaganda descarada em que vivemos alegremente. O país vai-se tornando numa ala de puericultura de um imenso redil de ovelhas abúlicas e felizes por terem nascido a viverem sob a eficácia de um governo que zela superiormente por todos.

Ele é a defesa do consumidor, ele é as multas e apreensões em mega-operações de controle de produtos alimentares, as grandes apreensões de drogas, armas, cigarros, ele é a nossa saúde protegida dos débeis mentais que ainda fumam, ele é os bancos e outros capitalistas responsáveis por inúmeras malfeitorias metidos na ordem, os isqueiros que vão ser proibidos (menos aqueles que as crianças não podem acender – esta é inultrapassável…), a Emel a trancar carros (na 5 de Outubro, porque no resto de Lisboa continua tudo na mesma pior), ele é a recuperação de bebés raptados, ele é o bombardeamento diário, permanente, opressivo, com notícias da bondade deste governo, cujo zelo nos traz saudáveis, seguros, defendidos dos maus e felizes por nos sentirmos cuidados assim.

A coisa hoje raiou o surrealismo. Vi, em prime time e na estação nacional de televisão, um senhor Silva a ser entrevistado, dono de um minimercado nas Olaias muito admirado porque era o último dia de entrega do IRS e na repartição de finanças ali ao lado (presume-se que ali ao lado do minimercado) era um descanso, não havia bichas, o senhor Silva disse que há mais de vinte anos que não via um sossego assim. E porquê, senhor Silva? Perguntou a repórter de serviço? O Sr. Silva olhou para a repórter, pensou, pensou (o que lhe iria na cabeça, ao Sr. Silva do minimercado?) e disse: - Bom, há mais gente a atender, “eles” ajudam melhor a encher os formulários e há essa coisa da Internet e patatipatatá.

A reportagem prosseguiu com mais uns quantos senhores Silvas e algumas sodonas qualquer coisa, toda a gente afinando pelo mesmo diapasão. Finalmente, apesar de os portugueses deixarem tudo para o fim, não havia bichas. Excepção feita a uma entrevistada que rindo-se com alacridade (eu seja ceguinho) dizia que quando chegou ao atendimento tinha 300 à frente dela, mas agora só tinha 17. E ria e ria e ria…

Irrespirável, dizia eu lá em cima. E tolhe-me os, ainda, vestígios de pudor que me restam.

.

Etiquetas: , , ,