terça-feira, maio 06, 2014

E a gaivota que nunca mais pára…


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Acordei com o barulho da TV, que é o que normalmente acontece a quem adormece com ela ligada.

Estremunhado, ouvi a cena da gaivota voava, voava, asas de vento, coração de mar… e a bicha nunca mais parava. Voava, voava, voava. A minha primeira reacção foi presumir que Otelo, Vasco Lourenço e Mário Soares, rodeados pela Avoila, Nogueira, Jerónimo e correlativos e, lá mais para trás, Tó Zé Seguro a ver no que «aquilo» dava, tinham feito outra revolução e vinham pela avenida abaixo a cantar a gaivota.

Pára a música e oiço um repórter da RTP chamado Fonseca a perguntar ao povo o que é que achava da comunicação de Passos Coelho sobre a saída da «troika». Quer-se dizer… a pergunta não era bem assim, era mais do género:

- Então e agora? Sente os bolsos mais cheiinhos?
- Então já nota diferença na sua vida, depois da «troika» ir embora?
- Então acha que o povo anda mais satisfeito com a saída da troika? (Falta referir que nesta altura via-se em cenário de fundo um avião, convenientemente da Lufthansa, a desaparecer ao longe, presume-se que levando no seu bojo os malfeitores que andam a roubar o nosso dinherinho…)

A estas perguntas (estas e mais cem delas, mas todos no mesmo género) respondia o povo, rindo (o povo português ri sempre, quando não está a chorar) com tiradas extraordinárias desde dizer que em vez de andarem a plantar árvores de sombra em Lisboa deviam era plantar árvores de fruta para as crianças comerem, que os caixotes de lixo agora andam sempre a ser rebuscados por crianças e velhinhos com fome, que o comércio está mal (tudo isto é dito a rir) e que o Passos Coelho é que tem a culpa.

A reportagem acaba mais ou menos aqui. O povo a rir, a gaivota a voar e o coro a cantar o «somos livres» e o rapaz Fonseca da RTP com a satisfação do dever cumprido. Pela minha parte ainda penso se um dia destes não me dá para, de uma vez por todas, mudar de latitude.

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quarta-feira, novembro 24, 2010

Linguagem simples















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Quisera que a linguagem simples e, por isso mesmo, perceptível, de gente como este empresário (ver aqui vídeo, via Blasfémias, uma intervenção de Alexandre Soares dos Santos no Instituto de Estudos Políticos da Unversidade Católica) pudesse ser aproveitada e devidamente digerida pela tralha socialista ou socializante, no sentido de os fazer compreender como conseguiram comprometer um par de gerações futuras, por via da sua actuação. Legitimada pelo voto popular é certo, mas nem por isso desmerecedora do mais vivo repúdio e condenação pela forma irresponsável, trapalhona, incompetente e, frequentemente, venal como a exerceram. Não raramente com dolo, porque dela receberam benesses e prebendas em prejuízo daqueles que dizem tanto proteger. O povo, soit disant, muleta imprescindível para quem nada sabe ou quer fazer mas se sente superiormente iluminado para o dirigir. Uma forma avançada de ditadura, afinal.
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domingo, novembro 02, 2008

A talhe de foice



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Falando de futebol. Quando é que Paulo Bento percebe que Derlei, nos intervalos em que se atira para o chão a simular lesões, é um factor de evidente risco e prejuízo para a equipa, como ontem quando, em 30 segundos, conseguiu quase bater num adversário (que não tinha culpa nenhuma) e ser expulso logo a seguir após ter falhado um cotovelada a outro adversário?

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Gente bisonha


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Quem tenha "passado" ontem pela emissão televisiva de dois jogos de futebol em que participavam dois dos “grandes” do nosso mundo da bola, terá percebido como somos um país bisonho e tão cinzento como o Outono que temos tido por aí a prenunciar o Inverno. Tanto na Figueira da Foz como em Vila do Conde, os estádios apresentavam um punhado de gente escassa, enrolada em cachecóis e casacos grossos, de cenho distante e triste a olhar para um grupo de futebolistas igualmente mortiços, sem garra nem jeito, a disputar uma bola, que raramente entra nas balizas. Uma vez na Figueira e outra em Vila do Conde, para ser mais exacto.

Longe vão os dias em que a visita de um clube grande arrastava multidões e esgotava recintos. Poder-se-á avançar um milhão de razões para o fenómeno da desertificação dos estádios - mau futebol, jogadores permanentemente a atirarem-se para o chão e a simular lesões e questões similares, árbitros incompetentes e corruptos, mas penso que muito terá a ver com as nossas próprias idiossincrasias que nos levam à modorra e abulia que nos consome e nos atira mais facilmente para um centro comercial estrear as Nike ou para um sofá onde, entre duas “mines” e um petisco, peroremos, aí sim, sobre as incidências dos jogos.

De qualquer maneira, o futebol como espectáculo está a acabar em Portugal. Em contraponto aos estádios de outros países europeus que continuam a encher-se de gente solta, que ri e exorta os seus ídolos e que saudavelmente assobia os árbitros. Uma ou outra escaramuça servem até para alimentar o espectáculo. Por cá, nem isso. Ainda há dias um adepto foi condenado a um ano de interdição dos estádios por ter dado um “calduço” (termo do juiz) a um árbitro. O réu limitou-se a dizer que tinha vergonha de ser do Benfica. Disse ele que
se fosse do Porto, de certeza que teria tido muito mais apoio à saída do tribunal…

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sexta-feira, março 16, 2007

AG (Aquecimento global)



Cartoon de Cox & Forkum

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"A North Pole expedition meant to bring attention to global warming was called off after one of the explorers got frostbite. The explorers, Ann Bancroft and Liv Arnesen, on Saturday called off what was intended to be a 530-mile trek across the Arctic Ocean after Arnesen suffered frostbite in three of her toes, and extreme cold temperatures drained the batteries in some of their electronic equipment…" (
continue a ler)

No fundo, no fundo, isto é um bocadinho como a proibição dos isqueiros da BIC. É preciso é manter o povo entretido (e protegido). Povo entretido é povo feliz.



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