quarta-feira, março 18, 2009

As pombinhas da Cat'rina


Pombais construídos pela C.M. de Loures em terrenos proibidos. Mas como a Ana nunca se queixou...

[3025]

Este país é um local estranho. Ou não é estranho mas é habitado por criaturas estranhas. Isto a propósito de a TSF ter sacudido a poeira de um dos dossiês adormecidos nos arquivos das memórias, no qual se trata das centenas de pombais e milhares de pombos existentes nas áreas adjacentes ao perímetro do aeroporto de Lisboa.

O facto de haver uma lei de 1983 que proíbe, tout court, a existência de pombais numa faixa de quatro quilómetros à volta do aeroporto não deslustra as opiniões dos cidadãos sobre o assunto. Há quem diga que os pombos não voam na área das pistas, há quem afirme que os pombos têm medo do barulho dos motores dos aviões, há quem vista o verde ecológico e ache que se deve deixar viver os animais, há, até, ciência assertiva segundo a qual os pombos nunca defecam fora dos pombais. Só em viagem. Este último argumento garante, assim, que um avião da TAP até pode cair com um pombo numa turbina mas, garantidamente, com a fuselagem limpa de cagadelas (SIC) dos pombos.

Tudo isto é dito em tom sério e, até, com aquele ar de sapiência que os portugueses imprimem a tudo aquilo que acham que está apenas ao alcance da sua competência e sabedoria, em regime de exclusivo, como avaliar a qualidade de um melão num supermercado, a frescura de um carapau pelas guelras ou explicar uma jogada de futebol que meta um avanço pela ala com um lançamento de fundo para o extremo que entretanto bascula (de bascular, mesmo) e assiste o ponta de lança que deve aplicar uma cabeçada de cima para baixo.

A notícia do dia é rematada pelo espanto de um autarca lourense que diz saber qualquer coisa sobre a lei mas que a Ana nunca se queixou. Talvez por isso a Câmara de Loures está a construir um pombal no valor de € 360.000. Seja o que for que isto queira dizer…
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