sexta-feira, novembro 04, 2016

A esperança



[5459]

São intervenções destas que mantêm viva a minha esperança de ver apeada esta rapaziada que nos pastoreia por via de uma fraude bem urdida, ainda que legitimada pela via parlamentar.

O conteúdo destas intervenções é de incontornável substância por factual e, naturalmente, indesmentível. E de grande qualidade. A certeza da improbabilidade de qualquer entendimento com os socialistas leva-me a sustentar a necessidade de se actuar com vigor, com verdade sem receios das práticas habituais de se acusar o PSD e o CDS de abrirem hostilidades. Ainda agora neste debate se percebeu que a intervenção do ministro das finanças foi de uma pobreza angustiante e que o seu principal argumento foi a habitual acusação ao anterior governo. Tudo feito na maior aridez de ideias, deficiente leitura do texto que quem quer que seja lhe escreveu (Centeno é incapaz de dizer dois períodos seguidos com sentido e sintaxe apropriada) e a habitual acrimónia reservada ao “anterior governo”. Para além de uma inaceitável enunciação de números falsos e/ou habilmente expostos.


Miguel Morgado e Montenegro foram brilhantes. Que nunca se sintam tolhidos em chamar os bois pelos nomes, sobretudo quando olhamos para o lado de Centeno (usando o gaguejado conselho dele próprio em relação ao deputado Amaro do PSD) e vemos as mesmas caras que coexistiram alegremente com Sócrates na condução deste país à trágica situação em que se encontra. Esses, incluindo Costa, deviam sentir alguma vergonha. Coisa que, receio, de há muito perderam.


*
*

Etiquetas: , ,

segunda-feira, outubro 17, 2016

A esquerda tímida... ou a timidez de esquerda





Nunca a Katarina pensou que um dia haveria de tirar uma foto destas. Com pose de Estado, “headphones” e o logo duma rádio lá atrás. Repare-se na volúpia da expressão. E nas mãos. Repare-se nas mãos. Fosse Stephan Zweig vivo e visse as mãos da Katarina nesta foto e escrevia uma sequela das “Vinte e Quatro Horas da Vida de uma Mulher”

[5454]

Estou preocupado. Há graves dissidências na geringonça. Quem sabe onde é que elas poderão levar… Centeno diz que o OE para 2017 é um orçamento de esquerda. Sério. Não sei bem o que é um orçamento de esquerda mas se Centeno o diz, deve ser. Agora aparece a Katarina. Põem-lhe uns “headphones” nas orelhas e começam a fazer-lhe perguntas difíceis. Por exemplo, se o orçamento é de esquerda. Uma autêntica rasteira da TSF traquinas que, como se sabe, não gosta nada da geringonça. Aí a Katarina diz que não, que o orçamento não é de esquerda, é um orçamento tímido.

E é isto. Fico genuinamente preocupado. Esquerda ou tímido?



*
*

.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, outubro 18, 2010

Venha de lá esse orçamento


[3937]

Pois que seja. Que se aprove o «mata-dores» do orçamento. Que outra coisa não me parece que seja, já que panaceia não será, qualquer coisa que curasse todos os males decorrentes da nossa estranhíssima estrutura mental e, consequentemente, comportamental. Parece que se o orçamento não passar a coisa se torna mesmo complicada, não temos onde ir buscar o dinheiro e entramos em incumprimento. Pois que se aprove. Passos Coelho pede desculpa outra vez, toma um «konpensan» e «aquilo» passa. Mas nada o impede de ir à tribuna da AR (ou mande Miguel Macedo que tem mais voz para estas coisas) e denuncie cabalmente as culpas do Partido do Governo, desde o «Vangélico» Guterres anunciando as «scuts» com as trombetas imbecis da não desertificação do interior, até à inenarrável criatura que as circunstâncias levaram ao poder no presente, reunidas que foram as condições desejadas e que culminaram com o lacrimejante Sampaio que, após uma epifania de madrugada que lhe anunciou «as pessoas» e o «há vida para além do défice», despediu o pobre Santana Lopes, vítima indefesa de uma incontrolável sesta e de um ministro meio amuado que resolveu demitir-se.

Que se aprove o tal orçamento. E enquanto o «pau vai», que descansemos as costas e uma qualquer luz se acenda e nos ilumine e ensine como correr com esta tralha socialista que nos come a carne, nos rói os ossos e nos envergonha e engorda à conta do festim que soube organizar, manter e tenta agora perpetuar. E isto antes que o indefectível Rui Oliveira e Costa ponha a Eurosondagem a funcionar com a costumada e reconhecida eficiência.

.

Etiquetas: , ,

terça-feira, outubro 12, 2010

O «ataque feroz» dos mercados


[3931]

Alguém me consegue realmente convencer que as «agências de rating» (bbbbrrrrrrrrrrr) estão mesmo preocupadas sobre se o orçamento passa ou não passa? Não estarão elas apenas preocupadas em estabelecer uma opinião sólida e racionalmente alicerçada sobre se Portugal consegue ou não pagar o que deve e o que quer continuar a dever?

.

Etiquetas: ,

A crise medida em submarinos

[3930]

Santos Silva irá desmentir nas próximas horas a afirmação de PPC em Rio Maior segundo as quais os socialistas nos empenharam à razão de quatro submarinos por ano durante vinte e cinco anos? Sim, submarinos, daqueles que Sócrates sem pudor e Teixeira dos Santos sem vergonha trouxeram a lume na Assembleia da República como uma das razões para as «dificuldades de tesouraria» do momento?
.

Etiquetas: ,

segunda-feira, outubro 11, 2010

A cena do orçamento


[3925]

Parecia pairar ontem uma sólida expectativa à volta da magna opinião de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a magna questão de o PSD dever aprovar ou não o orçamento do PS.

Causa-me uma certa estranheza esta forma de se aguardar a palavra de Marcelo como um católico aguarda e guarda «a palavra do Senhor». Afinal não me consta que Marcelo perceba de Economia, mau grado a sua aparente e reconhecida capacidade como professor de direito. Mas somos assim, somos um povo meio estranho acometidos de um patológico sebastianismo e nos deixa pendurados de uma figura desejada ou de uma palavra hipoteticamente sábia. A verdade é que Marcelo ontem limitou-se a emitir uma opinião enformada num comentário político. Se tivermos em conta que os comentários do Professor Marcelo assentam hoje mais numa forma habilidosa e competente de se manter na crista da popularidade do que numa argumentação substancial sobre os diversos assuntos da nossa vida pública, temos todas as razões para não o levarmos muito a sério. Independentemente da bondade dos seus comentários.

Foi assim que não consegui descortinar razões suficientemente fortes para a teoria de Marcelo ou, melhor, que as razões que ele aduziu estejam mais assentes na realidade política e económica do que nas suas assunções pessoais. Assim continuarei a aguardar que me expliquem porque é que o chumbo de um orçamento, que todos dizem ser mau, gerado por um Partido que todos dizem ter fortíssimas responsabilidades no descalabro económico e social que nos assola, Partido liderado por um homem sem preparação, mentiroso e desde sempre envolto na neblina de suspeição de muitos casos de venalidade e dolo e comprovadamente submerso em situações de ética reprovável e danosa dos nosso interesses, porque é que esse chumbo, perguntava eu, deve comprometer o nosso futuro como nação, como país integrante do concerto europeu e, no extremo, da zona Euro. Quando, afinal, o que me parece curial é que os socialistas (pelo menos estes, em palco) e o seu chefe de banda sejam, rapidamente afastados, mesmo com todos os custos que daí possam resultar. Está por saber, e os técnicos que se manifestem, quais os danos maiores. Passar por um período complicado ou manter este bando no poder.

.

Etiquetas: , ,

quarta-feira, janeiro 27, 2010

No aconchego de quem toma conta de nós


[3610]

Teixeira dos Santos deixou ontem o país em suspenso com o anúncio do orçamento. Televisões em stand by iam dando notícias avulso de locais que se tornavam verdadeiras capelinhas das aparições, versão pós moderna de um país a caminhar aceleradamente para a condição de trouxa. Nos estúdios fazia-se o que normalmente se designa por «encher chouriços», enquanto a virgem, peço perdão, o ministro não aparecia aos pastorinhos. Programas vários eram adiados para a madrugada por causa de tudo isto.

Aparece o ministro. Explicações dadas ficou, pelo menos, a ideia de que o tom paciente, didáctico, sapiente e quase protector da criatura, apesar de uns assomos episódicos de alguma severidade como convém, já que nem sempre nos portamos bem, temos muitos telemóveis, somos consumistas, usamos pouco os transportes públicos e pedimos muito dinheiro emprestado aos bancos, nos deviam fazer agradecer a Deus estarmos protegidos por quem tão bem zela por nós. São os momentos Chávez do nosso contentamento (a propósito, se Chávez nos pagasse à TAP e os Magalhães, as nossas contas não melhorariam? Podiam pedir a Mário Soares para dar um jeitinho, sei lá…).
.

Etiquetas: ,