sexta-feira, julho 22, 2016

O Tó-tem no quintal, uma rosa cor-de-rosa a que nunca fará mal… (la-lari-lala



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Em traços largos, poder-se-á dizer que uma democracia assenta numa matriz básica de funcionamento - o Poder e a Oposição. O Poder governa e legisla, A Oposição opõe-se, critica, combate.

Em Portugal, como em muitas outras coisas, até neste desiderato tínhamos de ser originais. Em Portugal, o Poder governa, legisla, em última análise, pode. Já a Oposição faz o que lhe compete. Opõe-se. Só que, ao contrário do que seria de esperar, a Oposição opõe-se a ela própria. Não por via dos Partidos com assento na Assembleia, mas através de uma teia difícil de definir de órgãos de comunicação social, redes socais e uma parafernália de meios que sistemática e ferozmente a combatem. Os pivots de televisão, os comentadores, “paineleiros”, enviados especiais, os jornalistas em geral, os humoristas, os artistas (?), os intelectuais (??), os professores, os sindicatos e os próprios Partidos no poder e inúmeros outros agentes fazem uma permanente e agressiva oposição à Oposição. O que era suposto (expressão muito em voga no léxico socialista) era que que a Oposição fizesse oposição ao Poder. Em Portugal é o contrário. Os últimos dias têm sido um exemplo raro disto mesmo. A Oposição é acusada de tudo e um par de botas, muitas vezes de uma forma tosca mas, surpreendentemente, eficaz. Ainda ontem a Quadratura do Círculo (uma tortura que me auto-inflijo sem eu perceber bem porquê) foi um bom exemplo, quando o governo anterior parece amarrado a um totem com os “quadraturos” dançando, ululantes, à sua volta, prontos para lhe arrancarem o escalpe, ao mesmo tempo que mantêm um regiso encomiástico e laudatório, em regime permanente, ao Poder. Mesmo que este seja um exemplo trágico de uma via trágica para um desfecho que facilmente se adivinha trágico. Também impressiona Jorge Coelho, um lídimo exemplo da nossa classe política que consegue debitar vacuidades tipo «…o céu deve ser azul, porque assim não há nuvens e não havendo nuvens não chove e os portugueses precisam de sol tanto como as culturas, especialmente na nossa agricultura que precisa que tudo esteja bem e que principalmente não discutamos e deixemos o governo trabalhar…». Ontem foi mais ou menos assim, quando Jorge Coelho depois de dar uma tremenda sova no PSD acabou a rogar aos portugueses uma trégua de uma semana porque, confiemos, o governo vai resolver a CGD.

Resumindo. O PAF não é governo há cerca de um ano e após um período tremendamente difícil em que, apesar de tudo, conseguiu endireitar a nau e, não menos louvável, recuperou a confiança dos portugueses que lhe deram a vitória eleitoral, continua sujeito a uma barragem de críticas na comunicação social. Já a chamada “geringonça”, apesar de ter consubstanciado uma autêntica fraude pela forma como surripiou o Poder pelas vias tortuosas de uma Constituição ínvia, que não sei bem como alguma vez poderá ser revista e alterada, continua a merecer os favores do rebanho que apascenta.

Um «case study», diria eu.


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segunda-feira, julho 04, 2011

Sermão da Montanha


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Aturar esta rapaziada no poder já exigia contornos de resistência muito acima do que permite a força humana. Aturá-los na oposição começa a ser uma das nove bem-aventuranças do Novo Testamento. Resta-nos assim esperar a vinda do Reino de Deus através da palavra e acção de Jesus que tornem a justiça divina presente no mundo. E, assim sendo, que a leitura da sua produção diária nos seja leve como a terra que a todos nos há-de comer. Ámen.

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sexta-feira, setembro 17, 2010

Eles não diziam?




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O governo (???) anulou o concurso relativo ao troço de alta velocidade entre Lisboa e Poceirão, bem assim como o da terceira travessia sobre o Tejo. Nada que espante muito, afinal, como não espanta a reacção do CDS e do PSD, cujos porta-vozes, instados pela TSF a pronunciar-se sobre esta matéria, a primeira coisa que lhes veio à cabeça foi soltar, ufanos, um nós não dizíamos? Nós sempre dissemos que não havia escolha, o governo, com esta anulação, veio dar razão ao CDS/PSD…”.

É perfeitamente lamentável, e estas declarações espelham bem a qualidade da nossa Oposição, que a única coisa que “lhes” tenha saltado à cabeça foi que os seus respectivos Partidos tinham razão. Ninguém se lembrou, por exemplo, de como Sócrates há bem pouco tampo ralhava com as pessoas dizendo que o projecto ia para a frente, que o concurso já tinha sido aberto e que era a resposta do governo àqueles que se empenhavam em denegrir a imagem do governo e patatipatatá. Ninguém se lembrou de frisar a forma patética como este primeiro-ministro tem conduzido os elevados interesses da nação, para mais usando aquele ar… barroco/manuelino com que nos mimoseia sempre que ralha connosco. E que foi o que fez há bem pouco tempo quando o questionavam sobre a viabilização do TGV. Isto antes de ter ido ontem a Bruxelas, de onde veio com o rabinho entre as pernas. Tal como ninguém se lembrou de questionar quanto é que custou até agora a via processual dos concursos que acabaram por ser anulados, desde uma altura em que se sabia já que não havia dinheiro para a coisa. E quando à qualidade da reacção do CDS e do PSD sobre o assunto… estamos conversados.

Curiosamente, a TSF poupou-nos a um pedido de reacção do PCP e do Bloco. Tão lestos que são em procurar Louçã e Jerónimo, desta vez ficaram-se nas covas e eu… estranhei.


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