terça-feira, julho 19, 2016

Relativizemos, para não nos sentirmos envergonhados



[5421]

A culpa é nossa. Da Europa, do ocidente e da forma deficiente como aplicamos o multiculturalismo. A maneira como desrespeitamos esta gente que procura na Europa um clima eventualmente melhor, quem sabe uma reforma, um médico ou uma casa, não pode estar sujeita a que se coma uma bifana à frente deles, que uma mulher guie um automóvel ou, imagine-se, pratique descaradamente o adultério. E isso de se vestirem pouco abala qualquer fiel. Alá é grande, mas a testosterona pode muito e não podemos esperar milagres. Temos, assim, que a interactividade e o multiculturalismo míope são uma vergonha. Já Sua Santidade o disse a propósitos das centenas de milhar de refugiados a desembarcarem diariamente na Grécia e na Itália. Sua Santidade zangou-se imenso e achou que nos devíamos envergonhar todos. Menos aqueles que vão bolçando umas tretas por cá, Rosas, Boaventuras, Ramos e demais palhaçóides que não se calam.

Entretanto, umas machadadas, punhaladas, catanadas, tiros, violações, bombas e camiões devem ser naturalmente relativizados, antes que Sua Santidade venha por aí outra vez dizer que nos devíamos envergonhar. Por acaso, eu também acho que sim. Certamente não pelas mesmas razões do Papa.


*
*

Etiquetas:

sexta-feira, agosto 12, 2011

Os britânicos não colaboraram





[4381]

Pode ter calhado, mas ainda não ouvi um único britânico, governante, residente ou mero turista no Algarve que «achasse» que os tumultos ocorridos naquele país radicassem nas malfeitorias de que os europeus são normalmente acusados, sempre que se trata de falar nas comunidades de imigrantes.

Por cá, é o que se sabe. O sol, a chuva, o frio, o calor, o desemprego, as diferenças sociais, a falta de oportunidades, o consumismo, a falta de poder de compra dos imigrantes (exactamente para, ao que parece, poderem aceder ao condenado consumismo), a «guetização» das comunidades, a brutalidade das polícias, a direita, o capitalismo, o liberalismo, o… qualquer coisa que meta «neo», a sociologia, os cuidados de saúde, a sopa com falta de sal, o pão que tem sal a mais, a intolerância, os franceses que proibiram a «burka», os alemães que pariram um Hitler, os holandeses porque davam graxa aos alemães, os austríacos porque bem lá no fundo são mais nazis que os alemães, os belgas porque não têm governo e também tiveram colónias em África, as monarquias, os suíços porque são uns sonsos, os dinamarqueses que fizeram caricaturas do profeta, os espanhóis porque não dão a independência à Galiza, Catalunha e País Basco, os finlandeses que não nos compreenderam e não nos queriam pagar as contas, os italianos porque os do Norte descriminam os napolitanos e os sicilianos e o Berlusconi porque pinta o cabelo, os sérvios porque não gostam dos albaneses, o PSD porque são todos a mesma coisa e havemos de chorar pelo Sócrates, o Benfica porque vendeu o Roberto por €8.6 M. Os nossos «tudólogos», para usar uma feliz designação do João Gonçalves, trataram de erigir uma barreira da causas, culpas e consequências. Científicas, sociais, políticas, económicas e economicistas, aquele palavrão que os capitalistas de esquerda inventaram.

Os ingleses, repito, limitaram-se a afirmar a sua vergonha pelo sucedido, a sua incompreensão pela falta de determinação das polícias e, sem rebuço, «achar» que este é um caso de desordem, de tumulto e que como tal deveria ser tratado. Se preciso fosse que chamassem o exército. Para além de considerarem que fazer do multiculturalismo uma religião é um exercício masturbatório da esquerda politicamente correcta, trágico tanto para os europeus como para os próprios imigrantes. É. Pode ter sido coincidência, ou azar dos repórteres, mas foi sempre isso que ouvi.


.

Etiquetas: ,

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Multiculturalismo


Beijos de mulata (Vinca rosea), planta medicinal muito abundante em Moçambique. As flores fervidas em água causam resultados surpreendentes em feridas, úlceras e em conjuntivites. A sua acção nas conjuntivites é mais rápida que a maioria dos antibióticos. A planta está classificada e faz parte de um livro publicado pelo Ministério da Saúde com a relação das plantas medicinais em Moçambique.

[2269]

Há um par de maleitas que são com a papaia. Só dão em África. Ou melhor, só davam, porque sei que tem havido algum sucesso na produção de umas papaias, ainda que raquíticas, no Algarve. Mas as maleitas a que me referi são africanas por natureza e não me ocorre alguma vez tê-las visto em Portugal. Estou a falar daquelas conjuntivites que transformam os olhos de um cidadão em duas autênticas cebolas (das grandes), vulgarmente conhecidas por mexe-mexe e das mataquenhas (bitacaias, em Angola) que são uns bichinhos que se instalam nos dedos dos pés de um cidadão e nos vão comendo paulatinamente o dedo mindinho enquanto a gente se coça pensando que é outra coisa qualquer.

Pois... já tinha visto um mataquenha, numa pessoa que tinha estado em Moçambique seis meses antes e posso afiançar que essa pessoa toma banhinho todos os dias e há três dias vi um colega com dois olhos do tamanho de duas batatas “rena”. Não sei se é sugestão mas a verdade é que nestes dois dias em que estive em casa encostado à box, os olhos me pareceram estar com mexe-mexe. Pelo sim pelo não fui à farmácia buscar uma pomada oftálmica e um colírio com antibiótico. E concluir que há umas quantas coisas em que o multiculturalismo não faz cá falta nenhuma...
.

Etiquetas: ,

quinta-feira, novembro 08, 2007

Incongruências



[2129]

Como se sabe, as minorias étnicas (o segundo termo mais conseguido do politicamente correcto…) que vivem nos Estados Unidos são americanos e proud of it. Aqui pela Europa, após sucessivas gerações, continuam muitos deles a manter a sua etnia original, and proud of it.

Mas há excepções. E excepções neste campo são sempre de registar. A verdade é que a Daniel Chipilica, de origem angolana, nasceu-lhe uma filha ali para o concelho de Loures e o bom do Daniel, num notável esforço de integração e em reconhecimento pelo seu país de acolhimento, resolveu registar a miúda com o nome de Malmequer Bicicleta. Tendo-lhe sido negado o propósito, apesar de muita insistência, Chipilica acabou por registar a miúda como Domingas Macavele. Mas não deixou de comentar:

- Ainda gostava de saber porque é autorizaram uma Rosa Mota e agora não me autorizam Malmequer Bicicleta.

Claramente uma falta de sensibilidade da nossa administração pública.

* Baseado numa história da minha querida amiga Ana Odala. Que não leva link porque não tem blog. E não tem blog porque é teimosa. E é teimosa porque… bom, isso já não sei, mas que é, é.

.

Etiquetas: