quarta-feira, outubro 20, 2010

Os protestantes


[3939]

Uma vez andei na tropa. Descontadas algumas perplexidades da altura, consagrei a ideia que tinha que todos nós um dia juraríamos bandeira e defenderíamos a Pátria. Porque era assim. E porque era assim e porque sabíamos que aquele era um período específico, de esquadria bem definida, fiz o que muitos milhares de jovens como eu fizeram, obedeci aos meus superiores e fiz-me respeitar perante os meus subalternos. E na assunção lógica de que o exército não era uma democracia mas sim uma instituição que os cidadãos tinham o dever irrecusável de servir, cumpri o meu tempo, no fim do qual regressei à vida civil.


Os tempos mudaram, eu sei, mesmo na altura em que servi o exército já aparecia quem achasse que servir uma causa era mais nobre que servir o país, de resto os donos desses pensamentos palavras e obras acabam por ser emulados mais tarde. Mas hoje, confesso que quando vejo que existe uma Associação de praças (parece que também há de sargentos e de oficiais) cujo presidente, o senhor Luís Reis, acha que essa Associação deve marcar para o dia da greve geral, 24 de Novembro, um protesto contra a austeridade, cai-me o queixo. Poupo-me às considerações que me suscita haver uma associação de Praças que acham que devem protestar contra seja o que for, mas não consigo esconder a minha estupefacção por ver até onde consegue ir esta carga ideológica que parece ser uma imagem de marca do português contemporâneo. Fomos ensinados a brandir o estandarte dos nossos direitos, parece-me é que nunca ninguém se interessou em nos explicar os deveres e, muito menos, uma noção básica de cidadania, onde caiba a consciencialização de cada qual sobre o significado de servir e representar a instituição militar. Mesmo o facto de o serviço militar hoje ser feito em regime de voluntariado não deveria mudar uma vírgula ao conceito que subjaz à sua existência.

.

Etiquetas: , ,

domingo, fevereiro 17, 2008

Kosovo



[2331]

Hoje tornei-me mecenas de um novo país. Reclama esse país ter estado sob o jugo dos turcos durante 500 anos e cerca de 100 integrado na Sérvia. E tornei-me mecenas porque a minha quota parte em impostos como cidadão europeu vai lá parar.

No mais, não conheço bem a história para me alongar sobre o assunto. Mas do que conheço, parece-me mal. É tudo muito confuso. E porquê o Kosovo? Cadê os outros?

NOTA: Espantei-me com a precisão com que um general português estacionado no Kosovo afirma que dos 30 mil milhões de Euros enviados para o Kosovo apenas 20% foram para benefício das populações. Os outros 80% (24 mil milhões, portanto), tinham ido direitinhos para empresas multinacionais de consultadoria. Para além de me espantar com o conhecimento exacto que os militares têm destas coisas (com esta precisão só me recordo do vagomestre da minha companhia que lá fazia as contas dele e conseguiu comprar uma casa na terrinha e ninguém passou fome no quartel),
espanta-me como é que com números destes não há uma "investigaçãozinha"? Havia de ser cá na terra que eles haviam de ver como elas mordiam. E logo multinacionais.
.

Etiquetas: , ,