sexta-feira, agosto 10, 2012

Idem, idem, aspas, aspas


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Carolina Reis, uma «jornalista» do «jornal» O Expresso, que faz «notícias» e «crónicas» de vez em quando, noticia os roubos e os assaltos que alguns sindicalistas espanhóis vão fazendo em Espanha, nomeadamente em Sevilha, à boa maneira comunista. E jornalista de causas que se preze não pode dispensar as aspas diferenciadoras, não vá o povo não entender a bondade destas acções. Mais ou menos como quando por cá se assaltavam bancos e os assaltantes eram glorificados.

Esta gente (socialistas, sindicalistas, comunistas e outros agentes criptogâmicos da democracia) tem a virtude de nos ir recordando como eles funcionam em matéria de liberdades, direitos e garantias, enquanto alguns dos nossos jornalistas continuam a vestir a farpela das aspas sempre que acham que há roubos que são causas que urge defender e há os outros, os roubos, roubos. Normalmente feitos por patrões, empresários e outros poderosos avulso.

Esta «jornalista» deve dormir a pensar em que causa vai colocar aspas no dia seguinte. Por mim, revela-se, como muitos outros, uma pateta. Um Sancho Pança empertigado, de fidelidade canina ao Quixotismo moderno, mentalmente superior e moralmente asséptico em uso nesta repartição. Sem aspas nenhumas.

Leitura relacionada: A luta continua


Via O Insurgente

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domingo, outubro 31, 2010

Quotas para as "curitas". Já


Um bom exemplo do sentido prático dos americanos. Um popular «burger» com recheio do mais fino caviar, não esquecendo a equidade cromática alusiva a Barack Obama e a Sitting Bull. A. Lincoln está representado no guardanapo de papel.


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Fico com a ideia de que a f. acorda todas as manhãs angustiada com a causa a eleger apara a sua luta do dia. Porque tem de ser causa, tem de fracturar e tem de apontar o dedo às consciências pesadas. Como aquelas que desta vez acharam por bem criar um estereótipo injusto ao denominar a cor dos pensos rápidos como sendo cor de pele, sendo estes normalmente bege rosado ou mel (também há pensos transparentes, mas a f. esqueceu-se). A injustiça é flagrante porque, como se sabe, há negros na Terra e ninguém se lembrou de fazer «curitas» pretas, um despautério que reflecte bem a facilidade e superficialidade com que estes assuntos são tratados. Com desfaçatez e total alheamento dos direitos e liberdades das minorias. No fundo nada de muito diferente de expressões tipo, o futuro está muito negro, a ovelha negra da família, a coisa aqui está preta (no Brasil) e outras que não me ocorre agora, mas que são por demais conhecidas.

Tenho de admitir que as angústias da f. não são contas do meu rosário, cada um acorda com as suas e ninguém tem nada com isso. Mas que esta dos pensos rápidos não lembra ao careca é verdade. Penso mesmo que a f. deveria, já, promover um abaixo-assinado para o estabelecimento de quotas para a cor dos pensos rápidos. E que rapidamente se produza adequada legislação na AR. Por forma a que ninguém se sentisse constrangido se lhe venderem na farmácia um penso de uma cor de pele que notoriamente não seja a sua.

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segunda-feira, abril 12, 2010

Vai-se a ver ainda se descobre que era católico


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O delírio e a criatividade do nosso jornalismo não conhecem fronteiras. Sobretudo quando se tende a transformar um assassinato num assassinato “bom”. Assassinato, mas bom. E é assim que Terre’blanche é nazi, de extrema direita, traficava armas, batia nos pretos … oops, e descobre-se agora que um dos seus assassinos o matou porque ia ser violado. O bóer não era só racista, separatista, inumano e torcionário. Era violador de pretos e, portanto, foi muito bem feito.

Por este andar ainda vão descobrir que o homem era católico apostólico romano e constava da lista de amigos de Ratzinger no Face Book!

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segunda-feira, dezembro 07, 2009

Agora é que o Público começa a dar lucro?


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Em seguimento a este meu post e à capa do Público de hoje (acima) eu ia escrever qualquer coisa. Mas apareceu alguém que já o fez. E, decididamente, melhor do que eu o faria. Ora vejam:

Nos últimos dias, a causa do aquecimento global foi abraçada de corpo e alma pelo Público, de uma forma totalmente acrítica, ignorando todo o debate à volta do tema. A capa de hoje é, a todo o tamanho, um sofrível manifesto político, cheio de certezas ‘científicas’ a roçar o ridículo e estranhamente mal escrito. A meio do manifesto, uma referência ao climagate foi inserida a martelo em meia dúzia de linhas, apenas para informar os crentes de que não aconteceu nada. Sim, houve um climagate, mas não quer dizer nada. Sim aldrabaram-nos, mas gostamos mesmo assim. Está bem, aquilo era mentira mas quero mesmo acreditar que era verdade. Como diria o Jorge, Sim, eu sei que me enrabaram e eu gostei, mas isso não quer dizer que seja gay”.

Ontem, a causa militante abraçada tinha sido a dos minaretes. O Público é o jornal dos “Minaretes na Europa, sim, Catedrais em Lisboa, não”. Alexandra Lucas Coelho encheu páginas de acusações à Europa islamofóbica, mas não arranjou espaço para umas linhazitas de lucidez na análise. Os suíços votaram contra os minaretes por medo, por islamofobia, por ignorância. O comportamento das comunidades islâmicas ou de parte relevante dessas comunidades não cabe nesta análise. A preservação dos espaços de acordo com a tradição, gostos ou desejos das comunidades locais também não vale grande coisa e é apresentada apenas como se fosse um álibi. As opiniões extremistas de muitos líderes islâmicos na Europa e fora dela são convenientemente ignoradas como se fossem irrelevantes para o assunto. O radicalismo islâmico é um problema menor. A “extrema-direita” transformou os minaretes em mísseis, sem qualquer razão para tal, e meteu medo aos votantes. O mal está só nos europeus ignorantes.

Abraçando sem qualquer espaço para confronto de opinião todas as causas PC do momento, numa previsibilidade confrangedora, o Público está a transformar-se no novo Jugular da imprensa escrita. Muito pouco para aquele que tem sido sempre o melhor diário português.


JCD aqui

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