segunda-feira, outubro 11, 2010

O costume


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Outra coisa curiosa de observar é um português vestido de poder, na circunstância, um blusão com um emblema da Protecção Civil.

Nas recentes inundações em Sacavém, um comerciante dizia que ia falar com o presidente da Câmara (suponho que de Loures) e pedir responsabilidades pelas inundações. O agente de Protecção Civil vociferou:

- Oiça lá, pedir responsabilidades de quê? Aqui a responsabilidade é da chuva, tá a ouvir? Há inundações porque choveu.

O comerciante calou-se e daqueles dois nenhum realmente percebeu de quem era a culpa. Da Câmara porque autoriza o caos urbanístico que se conhece e que leva a que com meia dúzia de pingos toda a gente se ponha a varrer e escoar as águas das chuvas. Do comerciante, porque frequentemente abre lojas em locais perigosos e, quem sabe, de forma clandestina. E do agente de protecção civil porque é malcriado e, como muitos portugueses pequeninos, se sente grande quando se vêem outorgados de um bocadinho de poder. Mesmo que pequenino.

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quinta-feira, outubro 08, 2009

A "desordem perfeita"


Clicar na foto para ver bem

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E a season chegou. Gente armada de vassouras, motobombas, bombeiros equipados a preceito e directos com os populares sobre os prejuízos da chuva começaram, finalmente, a animar a pantalha, cansada da função da campanha para as autárquicas.

Desfia-se as mágoas, o sofá inutilizado, as máquinas de café estragadas e até a mercadoria dos clientes que o seguro não paga, regouga-se contra os autarcas, valetas entupidas e muros construídos onde não se devia, num dos cenários mais desordenados que alguma vez me foi dado ver na esfera do chamado mundo desenvolvido.

É difícil imaginar maior balbúrdia de planeamento (????) urbano como o nosso. Em grandes cidades ou em pequenas aldeias, onde tudo se faz ao arrepio das mais elementares regras de precaução contra as intempéries. Daí que ver gente a carpir a mágoa dos bens perdidos, ou mesmo a morte de familiares, ouvir os bombeiros, autarcas e outros responsáveis no meio da desordem perfeita que é o nosso plano de urbanismo, soa a patético e faz-nos pensar um pouco mais profundamente sobre nós próprios.

Nota: O alarido que vai por aí tem a ver com um par de horas de chuva intensa e, mesmo assim, com diferenças de intensidade a espaços. Ocorre-me pensar no que sucederá se um dia Portugal for sujeito a uma tempestade a sério.
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