quinta-feira, outubro 10, 2013

Admiram-se de quê?


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A esquerda «beluga», que, de resto, se movimenta com profusão e incontida excitação pelo FB, Twitter e blogues, acolitada pela parada habitual de idiotas úteis batendo palmas em comentários apropriados, anda com uma preocupação imensa pela emergência do que chamam de extrema-direita em França

Esquece-se essa esquerda, como tem contribuído decisivamente para este desiderato através de políticas desastradas, desbragadas, utópicas e lesivas dos interesses das pessoas em geral (pessoas, aqui está um termo que gostam imenso de usar), incluindo os próprios imigrantes. A sua forma truculenta de argumentação e demonstrando uma exasperante ignorância sobre a realidade dos países que geram a imigração ilegal para a Europa e, ainda, o patético entusiasmo de cada vez que acham que apareceu uma personagem como Hollande, por exemplo, que, depois de meia dúzia de lugares comuns disparados durante o período eleitoral acabou por se render à realidade e acabou a expulsar imigrantes em regime de moto-contínuo (este ano já vão em 21.000 expulsos de  França), a esquerda caviar continua a ser insuportável na idiotia militante com que vão repetindo os chavões usuais e apropriados à tragédia da imigração clandestina de África para a Europa. Se a isto juntarmos as políticas de catástrofe estrepitosa de cada vez que governam, não têm muito por que se admirar com a subida da direita que eles chamam de extrema. Mas lá que se enrodilham de preocupação aí pelas redes sociais… ai isso enrodilham.

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terça-feira, outubro 08, 2013

Vergonha de quem?


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Por razões várias andei um pouco arredado de blogues. Mas um post da Margarida fez-me recordar este episódio que, na altura, confesso, também me fez reflectir. Tem a ver com o Papa Francisco achar que o trágico naufrágio em Lampedusa foi uma vergonha. Eu também acho que foi. Só que o Papa não terá sido bem explícito ou as notícias, com a habitual comunicação social atenta a estas coisas, logo tratou de sugerir que a vergonha era dos países europeus que não sabem ainda tratar bem os infelizes que tentam fugir, com as respectivas famílias, de países párias, tiranizados por gente corrupta e indiferente ao sofrimento dos seus cidadãos e mentores de regimes mais ou menos conhecidos por todos nós.

Simpatizei com o Papa Francisco, apesar de me soar um pouco a Renault 4 L a mais e a histórias de sapatos baratuchos mais ou menos populistas. Enfim, são estilos, mas algo me dizia que mais tarde ou mais cedo o Papa Francisco acabaria por cair num episódio infeliz como este de deixar transparecer a ideia de que temos todos uma culpa imensa por terem morrido mais de duzentas pessoas num naufrágio, enquanto tentavam fugir do despotismo e miséria dos seus países de origem. No caso vertente, os países de origem eram o Gana (onde há escravatura), a Eritreia e a Somália, países modelo de virtudes que todos nós conhecemos. E o Papa acha que é uma vergonha. E eu, pergunto, tal como a Margarida já o fez, vergonha de quem?

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quinta-feira, setembro 25, 2008

Agora é na margem-sul


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Penso que estamos a pagar um preço demasiado caro por tudo o que se tem feito e não tem feito face a uma imigração desregulada, acomodada a "trouxe-mouxe" e, sobretudo, inquinada pelo politicamente correcto, que as luminárias do costume conseguiram fazer prevalecer ao longo dos anos.

É curioso lembrar que a mais superficial referência ao tema imigração nos remetia, durante anos, para o pensamento político de le Pen. Racista, fascista e xenófobo. Hoje, a pressão de uma considerável faixa de população, cuja última culpa é a de serem permanentemente alvo de injúrias, assaltos, agressões e até assassinatos tem feito alargar um pouco o leque de referências e, aqui e ali, já se vai falando no assunto com mais realismo. Apesar dos esforços dos especialistas correctos e moral e intelectualmente superiores da paróquia que acham que todos os imigrantes são vítimas de políticas racistas, xenófobas e são atirados para guetos e correlativos. Estão bem frescas ainda as reacções do inefável confrade Daniel Oliveira e da Diana Adringa que não é confrade nem inefável, sobre o arrastão que não houve em Carcavelos. "Não arrastão", aliás, que mereceu uma visita de Jorge Sampaio à Cova da Moura. Não me lembro se Sampaio chorou, mas retive este episódio como um dos mais patéticos momentos da nossa sociedade e de profundo desrespeito por aqueles que umas horas antes tinham sido atropelados, agredidos e roubados. Lembro-me é que todo o arraial se compôs de uma forma que a ideia geral foi a de que as pessoas não tinham nada que ir para Carcavelos naquele dia e que os jovens se excederam um bocadinho, tudo isto fruto de se sentirem marginalizados. Daí que roubar e agredir os banhistas de Carcavelos tenha sido uma situação perfeitamente aceitável.

A verdade é que os incidentes se multiplicam e desde o remoto arrastão, é rara a semana em que as lutas, escaramuças, assaltos e mortes se sucedem. Naturalmente que os mais vulneráveis são exactamente aqueles que só têm dinheiro para ir a Carcavelos e que residem em zonas paredes-meias com malfeitores. Que é disso que se trata e bom seria que se deitasse mão a todas as medidas preventivas que acharem por bem adoptar, mas que entretanto não se esquecessem daqueles que ao longo do programa vão sendo roubados, agredidos e, aqui e ali, mortos. Em português corrente: - Reprimir já para não morrer mais ninguém, ou o menos possível e, paralelamente, iniciem então a profilaxia que entenderem. Mas haja respeito por todos aqueles que estão a ser vítimas de uma situação caótica e de reconhecido descontrole sobre um bando de malfeitores. Impunes.

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quarta-feira, dezembro 19, 2007

Acidentes logo pela manhã

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"O que aconteceu foi um acidente do percurso e um navegar próximo da costa".

Acabou de anunciar um senhor de gravata ali na televisão, sobre o caso dos marroquinos que deram à Culatra.

Fiquei elucidado e muito mais descansado.
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