Ser humano

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Não há como nem porque ignorar a profunda emoção que tenho sentido no decurso da operação de salvamento dos trinta três mineiros encurralados a cerca de setecentos metros de profundidade. Emoção pelo regresso daqueles homens à vida e uma sensação muito gratificante pelo reconhecimento do engenho admirável do homem, quando submetido a situações especiais de exigência e que lhe fazem vir ao de cima as suas extraordinárias capacidades e as suas virtudes inatas de solidariedade, espírito de sobrevivência, inteligência, vontade, coragem e bravura. Só o conjunto destas virtudes poderia possibilitar o rigor e a eficácia com que a operação se tem vindo a efectuar, ao lado de, repito, uma enorme coragem (não é pêra doce uma pessoa «entalar-se» numa cápsula de meio metro de diâmetro e pouco mais alta do que ela para transpor cerca de setecentos metros de rocha em cerca de vinte minutos).
Uma lição de humanismo, uma lição de engenho, uma lição de coragem. Provando que o homem, quando quer e precisa é um ser extraordinário de inesgotáveis virtudes, de entre elas a sua capacidade intelectual para se adaptar às exigências e vicissitudes em que a vida, aqui e ali, nos faz tropeçar.
Vídeo com o aparecimento à superfície do primeiro mineiro. Ver aqui.
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