terça-feira, junho 29, 2010

Há-de haver uma razão


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Ontem vi as inúmeras claques brasileiras celebrarem a vitória do Brasil sobre o Chile. Em Lisboa, no Porto, no Algarve e muitos outros sítios vi brasileiros a escorrerem alegria pela vitória e quase todos eles afirmando que hoje estariam de novo colados á têlêvisão para torcer por Portugal contra a Espanha. As inúmeras reportagens por esse mundo fora têm-me mostrado gente de todas as coordenadas puxar por Portugal. Moçambique, Angola, Senegal, Mali, Marrocos, Tunísia, Tailândia, Austrália, África do Sul, Cabo Verde. Estados Unidos, Canadá são locais de onde me chegaram sinais de entusiasmo e vontade pela vitória de Portugal. Curiosamente, não de países europeus, onde tudo é cada vez mais impessoal, ensosso, em resumo, invertebrado e de onde a adrenalina de há muito parece ter emigrado.

Durante muito tempo, em miúdo, o Estado Novo ensinava-nos que a diferença entre os portugueses e os «outros» era, basicamente, a facilidade com que promovíamos a mestiçagem de povos colonizados, enquanto os «outros» os chicoteavam e obrigavam a trabalhar. Quando cresci percebi que esta asserção não era assim tão linear, mas era parcialmente verdadeira, mesmo que eivada de conceitos filosóficos que talvez não abonassem muito os seus mentores. Hoje, já crescidinho, deixei de me dar ao trabalho de pensar nos porquês desta empatia. Limito-me a fruir esta sensação estranha mas gratificante de ver miúdos tailandeses, gente não portuguesa de dezenas de países diferentes e multidões moçambicanas e angolanas a puxarem pela vitória portuguesa para logo à noite e ver centenas (milhares???) de brasileiros sambando na Caparica, Parque das Nações, bares, restaurantes e dezenas de outros locais de Lisboa e outras cidades do país puxando já pela vitória mais logo sobre os espanhóis. E pensar que tem de haver mesmo uma razão para isso. Um dia, quem sabe, perceberei porquê…

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domingo, fevereiro 21, 2010

Pintei de rosa, senhor


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Para quem não conhece Maputo, a Embaixada de Portugal situa-se na Julyus Nyerere, no entroncamento com a longa Eduardo Mondlane e oposta à Embaixada da África do Sul.

Acabei de saber que foi pintada de cor de rosa. Sinal dos tempos? Ou alguém “encornou” o embaixador, situação que anda agora muito em voga, já que os primeiros responsáveis parecem não saber de nada do que se passa e queixam-se de ser os últimos a saber, e achou que a embaixada em rosa ficava linda de morrer e que o Grande Líder, longe em Portugal, merecia uma atençãozinha?

Nota: A Julyus Nyerere é uma longa avenida, muto bonita, na zona nobre da cidade, bordejada de acácias e com placa central, também povoada de acácias e, salvo erro, casuarinas. É uma avenida de prédios muito altos e maioritariamente brancos. Agora tem um prédio muito alto (vinte andares, salvo erro…) todo rosa. Eu, se fosse o presidente do Conselho Executivo da cidade, armava um pequeno «milando», um pequenino incidente diplomático, so to speak…
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