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No dia dos namorados, vai por ali uma notícia na TV de que os espargos são o melhor que há. Vitaminas, sais minerais, fibras solúveis, baixas calorias, antioxidantes, agite-se bem, leve-se para o quarto e sirva-se quente, frio, verdes ou brancos e creia-se na suas propriedades afrodisíacas.
Confesso que não sabia. Já tinha ouvido falar em ostras, corno de rinoceronte, pimenta do reino e vick´s vapo’rub. Mas espargos, não. Acho-os até uma coisa sem graça e de sabor discutível. Mesmo aqueles enormes que se comem à mão, elegantemente embrulhados em guardanapo de pano. Mas agora que a televisão fala no assunto e olhando bem… talvez que o formato não seja despiciendo.
Está decidido. Hoje vou comer espargos. Se houver, que ali para a minha zona onde trabalho é mais cozido à portuguesa, mãozinhas de vitela com feijão branco e pataniscas com arroz de feijão. Nada, como se vê, de muito romântico. Mas como mantenho um gosto especial pela fantasia, mesmo que não haja espargos, mando vir um bife com ovo a cavalo (está-me a parecer que hoje estou a abastardar um pouco o conceito de namorar, mas tudo bem) e quando chegar àquela parte alarve de encharcar o pão no molho do bife, faço um preito mental às namoradas que tive, às namoradas que tenho e às namoradas que espero vir a ter. Mesmo admitindo que aquela parte "namoradas que tenho" seja claramente uma liberdade poética. Mas não é a liberdade poética uma forma de namorar também?
Namoremos muito, portanto. E consumamos, já agora. Compremos peluches, cartões, perfumes, flores e chocolates. E celebremos uma das mais gratificantes manifestações do jogo do amor. Do homem ao bicho-de-conta, passando pelas aves, répteis e insectos. Rendamo-nos, por um dia, à sublime sensação de cortejar.
NOTA: Depois de ver este vídeo pergunto-me se alguma vez terei feito figuras destas. Provavelmente, piores. Mas isn’t that what’s all about?
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Etiquetas: dia dos namorados