quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Mudam-se os tempos...

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Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões


No século XVI parece que era mais ou menos isto. E a gente forte sabia como transmitir a ideia à fraca gente. Hoje já não é bem assim. A Vodafone engendrou um anúncio para o dia dos namorados, no  qual se vê uma senhora boazuda e um cavalheiro tipo fat wallet, sort of thing, cada um no seu carro a caminho de um encontro. Antes do qual, cada um deles tem o cuidado de tirar a aliança. 

Juro que não sou santinho nenhum, nem sequer exemplo feliz de impoluto procedimento neste «departamento». Mas... confesso que tive alguma dificuldade em explicar o assunto a uma sobrinhita de doze anos que me questionou o anúncio, as alianças tiradas e a vulgarização da cena para um anúncio relativo ao dia dos namorados. Agarrei-me à música de fundo (lindíssima, de resto) e disse-lhe que tal como a Mrs Jones, o senhor e a senhora do anúncio they had a thing going on...
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terça-feira, fevereiro 14, 2012

De mão dada

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Quem me conhece sabe que sou alérgico aos «dias de», com que a vida moderna e, quase sempre, excessivamente correcta, nos «afogou».

Faço uma gostosa excepção ao dia dos namorados. Porque namorar é bom. Porque namorar é um refrigério da alma, um consolo do corpo e, quiçá, uma das mais genuínas e elevadas realizações espirituais do homem. De todos os que namoram qual abelha picando o néctar de flor em flor, àqueles que encontram a sua flor de sempre e para sempre e dela extraem o mel da vida que nos calhou em sorte.

No dia de hoje, muitos sentirão o toque doce da mão dada num passeio a pé, a volúpia de um beijo apaixonado ou, simplesmente, um sorriso (e ele há coisa mais bonita que um sorriso de mulher?). Outros não o poderão fazer mas mesmo esses, tenho a certeza, semicerrarão os olhos e deixarão arrastar-se por uma brisa morna e suave que os levará ao toque da mão dada, ao beijo voluptuoso que faz os corpos estremecer de leve um contra o outro. E, mesmo com os olhos cerrados, terão sempre presente a imagem gratificante de um sorriso.

Feliz dia dos namorados para todos. Sem distinção de raça, cor, peso, altura, sexo, religião ou filiação clubística (não é assim que se diz?).
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domingo, fevereiro 14, 2010

Dia dos Namorados


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Mas quem sou eu para discordar da Cristina? E eu diria mais. Se se fartarem ou amuarem, que nos virem as costas e nos mandem f… a nós!

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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Dia dos namorados

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No dia dos namorados, vai por ali uma notícia na TV de que os espargos são o melhor que há. Vitaminas, sais minerais, fibras solúveis, baixas calorias, antioxidantes, agite-se bem, leve-se para o quarto e sirva-se quente, frio, verdes ou brancos e creia-se na suas propriedades afrodisíacas.

Confesso que não sabia. Já tinha ouvido falar em ostras, corno de rinoceronte, pimenta do reino e vick´s vapo’rub. Mas espargos, não. Acho-os até uma coisa sem graça e de sabor discutível. Mesmo aqueles enormes que se comem à mão, elegantemente embrulhados em guardanapo de pano. Mas agora que a televisão fala no assunto e olhando bem… talvez que o formato não seja despiciendo.

Está decidido. Hoje vou comer espargos. Se houver, que ali para a minha zona onde trabalho é mais cozido à portuguesa, mãozinhas de vitela com feijão branco e pataniscas com arroz de feijão. Nada, como se vê, de muito romântico. Mas como mantenho um gosto especial pela fantasia, mesmo que não haja espargos, mando vir um bife com ovo a cavalo (está-me a parecer que hoje estou a abastardar um pouco o conceito de namorar, mas tudo bem) e quando chegar àquela parte alarve de encharcar o pão no molho do bife, faço um preito mental às namoradas que tive, às namoradas que tenho e às namoradas que espero vir a ter. Mesmo admitindo que aquela parte "namoradas que tenho" seja claramente uma liberdade poética. Mas não é a liberdade poética uma forma de namorar também?

Namoremos muito, portanto. E consumamos, já agora. Compremos peluches, cartões, perfumes, flores e chocolates. E celebremos uma das mais gratificantes manifestações do jogo do amor. Do homem ao bicho-de-conta, passando pelas aves, répteis e insectos. Rendamo-nos, por um dia, à sublime sensação de cortejar.

NOTA: Depois de ver este vídeo pergunto-me se alguma vez terei feito figuras destas. Provavelmente, piores. Mas isn’t that what’s all about?

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