quinta-feira, dezembro 18, 2014

Cuba e os EUA trocam embaixadas


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Muito positiva esta decisão de abrir embaixadas em Havana e Washington. Sempre é um passo mais para arrancar os cubanos ao degredo. Negativo, verdadeiramente, foi a excitação registada na generalidade da nossa comunicação social que ia relatando o facto com a alegria dos grandes acontecimentos, o menor dos quais não seria o facto de os cubanos se terem finalmente libertado do jugo americano, do bloqueio económico, da Baía dos Porcos e outras malfeitorias dos americanos. O facto de Cuba ter sido governada por mais de 50 anos por um regime torcionário do qual milhares de cubanos fugiram em frágeis balsas para a Florida ou de desertarem das representações desportivas sempre que podiam e, pior, a mentalidade de gerações de cubanos ter sido moldada à imagem e semelhança de um grupelho de facínoras no poder não contou nada para a nossa comunicação social. Era ouvi-la cantando loas a Obama por, finalmente, ter acabado com as injustiças dos USA perante a injustiçada Cuba.

Às vezes, a idiotia estabelecida em muita da nossa comunicação social poderia ser amenizada por alguma cultura geral e pelo elementar bom senso.

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segunda-feira, dezembro 20, 2010

Castro feliz


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A rádio e a televisão vão dando conta paulatina da série de modificações que se estão a operar em Cuba. A possibilidade de um cidadão cubano se estabelecer por conta própria tem aberto caminho no sector terciário a barbearias, esteticistas, táxis e outras pequenas empresas de transporte, comércio geral e até agricultura. Estas medidas possibilitarão não só o «abate» de um importante contingente de funcionários públicos como, sabe-se bem, provocará um «boost» na economia cubana.

Nenhuma destas boas notícias mereceria mais que isso mesmo, Serem noticiadas como boas para o mundo em geral e para os cubanos em particular. Mas em Portugal as coisas não são bem assim, esta mania que temos de que somos de esquerda não nos permite noticiar estas medidas sem uma auréola de júbilo, não pelas medidas em si mas enaltecendo as vigorosas declarações dos líderes sobre a matéria, durante as quais e com o paternalismo habitual da esquerda, se vai explicando (diligentemente) ao rebanho a necessidade de se proceder a tais medidas em nome do povo cubano, da revolução e como mais uma vitória do povo sobre a hegemonia imperialista.

Esta gente, leia-se líderes da esquerda pré-muro de Berlim, devia ser sumariamente condenada pela opinião pública pela tragédia em que manteve gerações de cidadãos no mais completo obscurantismo ideológico, fazendo deles marionetes e vítimas de regimes que inevitavelmente haveriam de sucumbir ao apodrecimento natural, como aconteceu. Ao invés, pressente-se um certo júbilo na comunicação social autóctone (e não só), uma paciente compreensão e, até, admiração, pela forma quiçá sábia e contemporizadora com que os Castros e comandita se têm entretido a formar engraxates, barbeiros, caixas de pequenos mercados, motoristas de táxis e outros a quem, com grande alívio, têm de deixar de pagar salário. Acresce que, pelo contrário, serão eles agora a pagar impostos ao Estado.

Resta a consolação que Cuba passará a comer melhor, a ter os cabelos mais bem cortados e os sapatos mais bem engraxados. A produção agrícola irá também aumentar mas, sobretudo, o cubano poderá dispor da sua vontade e contribuir para uma economia que mais cedo do que tarde, tirará aquele povo da miséria a que durante décadas foi submetido.

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quarta-feira, agosto 26, 2009

Internacionalistas


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A vinda recente de uns quantos médicos para Portugal e a sua respectiva mediatização deu-me que pensar.

- Estas missões internacionalistas ainda dão direito a pontos, tipo BP ou Galp, mediante os quais os «voluntários» têm direito a um par de torradeiras quanto voltam a casa?

- Os médicos em questão têm as qualificações necessárias? Ou são os conhecidos eternos finalistas de medicina que Fidel não deixa acabar o curso para evitar que eles debandem do paraíso do comandante, tal como fazia, aliás com os advogados?

- Mesmo não sendo contas do nosso rosário, os salários são pagos aos interessados? Ou são pagos ao governo cubano através de protocolos adequados mediante os quais os internacionalistas apenas recebem um subsídio local estritamente de acordo com as suas necessidades básicas?

Mesmo dando de barato que Cuba e Venezuela são, hoje por hoje, um fetiche da esquerda intelectual portuguesa (entenda-se aquela que acha que se pode e deve criticar os regimes de Chavez e Castro mas que encontra sempre um fundo «humanista» nas barbaridades de cada um deles), gostava de ter respostas a estas minhas dívidas. Para além de me explicarem a diferença entre o escarcéu habitual com a vinda de médicos vizinhos espanhóis e a solene mediatização concedida aos «internacionalistas» cubanos.

Nota: Esta nota nada tem a ver com os médicos em si, como pessoas. Conheci situações semelhantes com outras profissões, como a de pilotos de pulverizações aéreas, por exemplo, onde encontrei e acabei por fazer amigos, na convicção pueril de que o mundo era assim (subsídio local, salário para o partido, pontos para a torradeira, etc.). Nesse grupo de amigos descontava os bufos, naturalmente sempre incluídos nos «grupos de trabalho» para manterem os niños na ordem e evitar que se rendessem aos pecados do capitalismo e se «esquecessem» de apanhar o avião de volta.

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terça-feira, abril 14, 2009

Uma boa medida


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Ora aqui está uma coisa que eu, se mandasse, já tinha feito há mais tempo. Melhor que qualquer embargo de duvidoso efeito, é esta medida de Obama. Uma medida que vai certamente ajudar a esboroar a noção de paraíso que muitos cubanos, tragicamente, ainda têm. Perceberem por amigos e familiares chegados dos Estados Unidos que se pode comer frango ou comprar um rudimentar electrodoméstico sem senhas de pontos, acabar cursos na universidade sem serem chamados a serviços cívicos indefinidamente antes de terminarem os estudos e, ainda por cima, serem livres de dizer o que lhes apetece, pode vir a ser uma medida de longo alcance e de grande importância para ajudar a “desformatar” os cérebros daqueles que nasceram e viveram sob a batuta do comandante e a trazer uma autêntica vaga de frescura e liberdade aos jovens que, felizmente, beneficiarão já de um regime livre.

Resta saber se o fim da tragédia se fará por simples implosão do sistema ou se ainda vai ter de morrer mais gente…

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