sexta-feira, agosto 25, 2017

Umas barbies imbecis a armar confusão



[6169]

Casualmente, entrei há dias, com uma filha, numa loja da poderosa cadeia internacional “Body Shop”.

Regressado à intriga “facebookiana”, de que andei retirado durante uns dias, reparo na inquietação de uma considerável parte da população portuguesa com uns livrinhos de crianças objectivamente dirigidos para meninos e para meninas e que acabou por ser retirado de circulação, por fascizante censura da geringonça. Como vivemos num país saudavelmente isento de grandes problemas (e mesmo que não vivêssemos…) vai de nos lembramos que meninos e meninas, é tudo igual e fazermos livrinhos discricionários é reaccionário, fascista e retrógrado, para o tempo novo que despontou por aí.

Eu tive um filho e duas filhas. Amo-os a todos (todos? Ele e elas?) mas lembro-me bem de que uma e outros tiveram, naturalmente, comportamentos diferenciados, à medida da sua própria diferenciação. Era o tempo em que não existia ainda, como agora, uma caterva de idiotas. Provavelmente com complicados problemas existenciais, ou, simplesmente, imbecis, que provam o “poder” e desatam a fazer asneiras, manipulando as pessoas e sentindo-se “nomeados” (não sei bem por quem) para zelar por nós, no sentido de criarmos uma espécie de género, sem género nenhum.

Há, claramente, uma escumalha (repito e sublinho, escumalha) em exercício que se apostou em desmontar princípios existenciais imutáveis, quer queiram quer não. Frequentemente os mesmos que, por exemplo, execram e punem a homossexualidade. Como os comunistas, por exemplo. Espero bem que não confundam estas minhas modestas linhas com um exercício de vulgar homofobia, coisa de que, absolutamente, não padeço.

Volto à Body Shop. Penso no que sentirá ou sentiria uma mulher que entre naquela loja e a quem tenham instilado um especial conceito de indiferenciação de género.

Vivemos no seio de um grupelho de imbecis. Repescados e acolitados por uma espécie de primeiro-ministro que não pára de contribuir para a nossa desgraça. E nem é necessário que o “diabo” do PPC venha aí. Porque ele, o alegado primeiro-ministro, já é o próprio diabo. E funciona na perfeição para que todos estejamos muito em breve submetidos ao mafarrico.


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sexta-feira, janeiro 08, 2016

Depois queixam-se


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Passo os olhos pelo escaparate dos jornais. Reparo na capa do DN onde, em letras gordas aparece o suculento título: SOCIALISTAS EUROPEUS QUEREM UNIR-SE CONTRA A AUSTERIDADE E POPULISMO.

Pensei: é agora. Lá vão os socialistas todos que restam na União Europeia reunir-se numa conferência numa cidade qualquer do velho Continente e estabelecer estratégias para acabar com a austeridade. Ah! E acabar com o populismo, mesmo achando graça só de pensar em socialistas juntos a combater o populismo (mais ou menos o equivalente a um ébrio a dizer que não está bêbedo...). Comprei o jornal e leio a notícia: Pedro Sánchez esteve com António Costa para construir uma frente socialista.

Estava desvendado o mistério e desfeitas as minhas inquietações. Afinal o aparente movimento para novos regimes e novas ideias (como ontem apregoava o insuportável Nóvoa) resumia-se a dois socialistas e o espanhol veio a Portugal para entender como é que se fazia para ver se conseguia armar a mesma moscambilha em Espanha à la mode de A. Costa.

Convenhamos que pelo título, fui bem levado. E muita gente que não terá comprado o jornal terá pensado que, afinal, os socialistas ainda levarão a sua avante.

Depois queixam-se que não vendem jornais.



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sábado, dezembro 19, 2015

Ele não resiste, não aguenta, não dá…


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O artigo é substancial e incontroverso. A única coisa que me encanita (com o mesmo direito com que JPP se irrita com atitudes aduzidas no artigo) é que este homem não resiste a meter SEMPRE o PSD na caldeirada. Neste caso, chega até a afirmar que Passos Coelho e Portas protegeram Sócrates, ainda que não explique bem em quê. PP não resiste, é mais forte do que ele. Jamais ele exprobará o PS sem que, a talhe de foice, ele mencione uma qualquer malfeitoria do PSD, mais ou menos relacionada com o que aponta ao PS. Tipo, se alguma vez ele disser que o PS tem mau hálito, é certo e sabido que terá de estabelecer um paralelismo dizendo, por exemplo, que o PSD cheira mal dos pés, ou tem recorrentes ataques de flatulência. É ler o artigo com atenção. Ele explica melhor o fenómeno do que eu...


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quarta-feira, janeiro 15, 2014

Não se calam


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A esquerda saliva com o programa de ontem da SIC Notícias, em que Mário Crespo é indicado (mesmo por outros que não a esquerda) como tendo dado uma sova em Assunção Crista. Confesso que não vi o programa, ou melhor, parece que o mesmo foi considerado tipo antibiótico de largo espectro e longa duração, a avaliar pelo número de vezes que a SIC Notícias o repete, pelo que já vi o essencial. E o que vi foi o habitual. Chego ao fim do programa e acabo por não me lembrar já do tema da conversa. Fica-me na ideia um exercício execrável, através do qual os nossos apresentadores parecem ufanar-se de mostrarem que sabem mais que o entrevistado. Se o fenómeno cai em gente que acha que a idade é um posto, então a coisa vira um espectáculo deprimente – o entrevistado não tem sequer tempo para acabar um raciocínio porque o apresentador simplesmente não deixa.

Mário Crespo não é caso único. Judite de Sousa faz gala em fazer o mesmo com Medina Carreira e de tal maneira o faz que, por vezes, me interrogo sobre se está apenas a exibir-se ou se é estruturalmente estúpida.

Sonho com o dia em que um entrevistado se farte e faça como o rei de Espanha fez a Chávez. E lhes diga: Ó homem cale-se, deixe-me falar. Ao invés, parecem assumir uma postura reverencial, timorata, enquanto os Crespos, Judites, Lourenços e outros, avulso e de menor expressão, nos tentam demonstrar, ralhando, que os gatos gostam de alpista.

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segunda-feira, novembro 18, 2013

O costume...


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Tanto «hollandismo», tanto wishful thinking, tanta confiança na derrota da direita, tanto blogue excitado, tantos comentários no Face, tanto tesão… para dar nisto. É galo.

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quinta-feira, outubro 24, 2013

Três novos ricos


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Aqui está um trio que vale milhões. Qualquer deles «venceu» na vida à custa da demagogia e todos eles têm culpas no desgraçado cartório de quem deles dependeu. Porque contribuíram decisivamente para a trágica «narrativa» que foram construindo ao longo dos seus mandatos. Cada um à sua maneira, todos fizeram fortuna. Uns por caminhos mais ínvios do que outros.

Não se envergonham e, provavelmente, terão um conceito muito próprio de vergonha. Por isso se riem. Na plateia que encheu o Museu da Electricidade a vergonha foi coisa que não abundou, também. Parece que houve muita risada, palmadinha nas costas e mútuos votos de que se continuem «politicando», um brasileirismo que vai, certamente, fazer escola cá pela paróquia.

Cá fora, os que não foram ao lançamento da «Tortura», deviam ser os bandalhos, estupores e os filhos da mãe. Triste!

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terça-feira, outubro 22, 2013

A diferença entre gente decente e um «estupor, bandalho, filho da mãe»


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Esta nota da embaixada da República Federal da Alemanha é bem reveladora dos altos serviços rendidos por esta estranha criatura ao meu país e aos portugueses. De corar de vergonha!

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terça-feira, outubro 08, 2013

Na marginal é que é bom para andar de biciccleta


[4995]

Não é só comunistas. Também é uma amostra bem definida de gente correcta, especializada em rotundas e chafarizes e que gosta imenso dos clichés dos costumes politicamente correctos e que nos «ensaboa» o juízo com uma frequência exasperante. Ainda neste último Sábado fui apanhado (é o termo, apanhado) por um corte na marginal, vindo do Estoril para Cascais. Descrever o tortuoso itinerário que me fez subir o Monte Estoril, Alvide, Fontainhas e 3ª circular até chegar a Cascais, entalado num trânsito caótico durante uma hora e um quarto tornar-se-ia num exercício de desesperante reconstituição do trauma.

O corte deveu-se… não sei bem, juro. Sei que no semáforo junto aos Salesianos, durante os sólidos trinta minutos que esperei pela minha vez para virar para o Monte, passaram dois (!!!) ciclistas, marginal (deserta) fora, com a «gear» adequada à celebração de qualquer coisa que devia entroncar com bicicletas, uma coisa que o meu pai me ensinou a manejar ao ar puro do campo mas que agora parece ser de bom tom fazê-lo em vias de grande movimento. E os carros, esses subprodutos horrendos que os homens inventaram para encher o ar de CO2? Então… desviam-se ali para o Monte, Pai do Vento, para Alvide, pelas Fontainhas… Ah! Já tinha dito.

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segunda-feira, agosto 05, 2013

Cada um… com a sua, lá diz o velho e sábio adágio português


[4958]

Em matéria de descontentamento com os líderes dos respectivos Partidos, cada um tem o Mário Soares que merece.

De resto, é o que está a dar. Dizer qualquer coisa mal do governo é passaporte garantido para um momento televisivo de glória. E nem de visto precisa.


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terça-feira, julho 23, 2013

Não fosse ele...e Mandela ainda estaria em Robben Island!





[4942]

«…De Klerk disse-me que não queria a África do Sul isolada do mundo. Desejava, de seguida, acabar com o apartheid. Respondi-lhe: "Isso é impossível." …»

 …«De Klerk disse-me que não queria a África do Sul isolada do mundo. Desejava, de seguida, acabar com o apartheid. Respondi-lhe: "Isso é impossível." …»

«…De Klerk ficou a pensar. E no dia em que, dadas as melhoras do meu filho, regressei a Lisboa, o ministro Pik Botha esteve de novo no aeroporto à minha espera e disse-me: "Hoje à noite vamos libertar dez prisioneiros políticos, como verá quando chegar a Lisboa. Mas não Mandela." Respondi-lhe: "É bom, mas não consegue resolver o problema do isolamento da África do Sul."…»

«…Passaram as semanas até que Mandela foi finalmente libertado. Foi uma explosão de alegria universal. O apartheid entretanto acabou e Nelson Mandela algum tempo mais tarde foi eleito Presidente da República…»

Estas afirmações de Mário Soares são retiradas da sua crónica do DN de hoje onde, no seu estilo próprio e a par das inanidades do costume sobre a decisão de Cavaco Silva e a providência cautelar da Alfredo da Costa, ele se arvora como que em mentor da libertação de Mandela. Não fosse João Soares ter tido o acidente à saída da Jamba e Mário Soares não ter ido a Pretoria visitá-lo (coisa de que a África do Sul tirou partido e vantagens) e de Klerk não teria libertado Mandela. É caso para nos questionarmos porque é que o Nobel foi atribuído a Mandela e de Klerk e não a Soares. Soares, muito provavelmente, fê-lo.

É penoso arrastar esta criatura pela história e arrostar com a sua inqualificável vaidade e permanentes disparates e pensar na sua objectiva contribuição para o trágico destino de muitos cidadãos. Nacionais e estrangeiros.
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sábado, abril 13, 2013

Asas assassinas ou "Alguém who still knows what I did last summer"



Este osso é de asa de galinha. Tem 4 cm bem aviados, medidos no hospital e tem uma ponta afiada como uma agulha, como se pode ver na foto, apesar de não estar muito boa

[4886]

Após tantos dias de paragem deste blogue, não faleceu a escrita mas ia falecendo o escriba. Eu explico rapidinho.

Os americanos, com o seu esmerilhado gosto pela comida, consideram uma delicacy tudo o que vá para além daquele insípido peru no forno, smashed potato, pumpkin e uma massaroca cozida com que se deliciam no «thanks giving». Daí que as asas de franco se tenham tornado ícones da boa cozinha norte-americana. Fritam-nas ou grelham-nas, besuntam-nas de tabasco e barbecue sauce e…salivam.

Eu confesso a minha indiferença pelas asas de frango, mas se como um caril de galinha, não há como evitá-las. E assim, e porque as asas de frango têm um osso traiçoeiro, engoli um deles, sem saber como. O osso estava partido numa das extremidades. Seguiu calmamente a sua viagem pelo esófago, alojou-se calmamente no antro gástrico e, não contente com isso e quiçá incomodado pela movimentação constante do estômago, foi-se enterrando na parede do órgão. Repito: EN-TE-RRAN-DO na parede do estômago. Claro que dois dias depois tive dores que devem ter atirado as famosas dores de parto para milhas da linha de resistência ao sofrimento e lá vou, cinco da manhã, conduzido por uma das filhas direitinho ao hospital de Cascais. Durante quase todo o dia, já de soro e analgésico em perfusão permanente, ninguém fazia a mínima ideia do que me pudesse estar a causar semelhante sofrimento. Raios X, análises, ecografias, nada dava qualquer indicação do que pudesse ser. Até que numa das repetidas análises ao sangue apareceu uma bendita proteína que é suposta estar quietinha, mas que começou a dar sinais de que havia um processo inflamatório algures. Mandaram-me então fazer uma TAC. A TAC mostrava claramente um corpo estranho…mas como as TAC’s não têm legendas todos ficámos sem saber que corpo era aquele. De Cascais, metem-me numa ambulância para o S. Francisco Xavier, urgências de gastro. E aí me anestesiam total e profundamente. Acordo com uma médica simpática e triunfante, mostrando-me o troféu que exibo na foto. Um osso de galinha, traiçoeiramente partido numa das extremidades, acerado e assassino que, aparentemente, não me daria mais 10 a 12 horas de vida se tivesse acabado por me «perfurar» convenientemente.

Osso extraído, voltei para o hospital de Cascais onde permaneço internado por razões de segurança. Quatro dias depois de não ingerir NADA (nem água), o cirurgião de serviço às urgências deu-me um pequenino copo de chá e disse-me para o beber, para ver se o estômago «espichava». Não espichou… e mandaram-me para casa.

Notas finais: Nunca se riam nem pensem que a recomendação de não se dar ossos de galinha aos cães é uma mania dos veterinários. Eu não sou cão mas sou prova viva desse cuidado; fui bem tratado, paguei €53 pelo internamento, tratamento, exames, duas viagens de ambulância e intervenção cirúrgica no HSFX. Parece que há uns meses não pagaria nada e agora paguei €53. Pois… paguei e acho muito bem que tenha pago, em face dos cuidados que recebi, não percebo muito bem esta vozearia idiota que vai por aí. Uma última menção de apreço e simpatia à Daniela Sá Leão, médica cirurgiã do HPP de Cascais que me acompanhou e tratou, pelo diagnóstico assertivo que me fez e pelo elevado profissionalismo demonstrado, apesar de ter levado algumas horas e, ao princípio, nos termos embirrado mutuamente.
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quarta-feira, março 27, 2013

Da operação quase satírica, roçando o erótico e certamente burlesca da colheita de uma amostra de urina


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Eu assim, velho, velho, não sou. Mas ainda me lembro de, em jovem, ir a um qualquer laboratório de análises e ver gente com garrafas de refrigerante ou cerveja embrulhadas em folhas do Diário de Notícias encobrindo (muitas vezes, mal) a primeira urina da manhã de muita gente que, por isto ou por aquilo, tinha de fazer análises. Era o tempo da famosa Urina Tipo II, designação hoje vertida numa designação mais harmónica com os tempos modernos de análise sumária com análise de sedimento. E era assim que me recordo do par de vezes que fiz este tipo de análises que me vi rodeado de gente com garrafinhas de laranjina C semi-embrulhadas em papel de jornal que colocavam num cantinho de chão junto aos pés, enquanto liam uma revista com dois ou três anos de idade da sala de espera.

Com a modernização que assolou o país, auto-estradas e assim, também os laboratórios de análises acompanharam o passo do progresso e foi assim que perante a indicação do meu médico fui fazer um exame geral que inclui análises de sangue e urina. Pelo que me dirigi a um laboratório de análises e percebi que a velhinha Tipo II sofreu um adequado aggiornamento e me deram uma espécie de tubinho de ensaio para a colheita de urina. Hoje de manhã, obediente às instruções da menina do laboratório, acordei muito cedo e atirei-me à operação de colheita e aí a porca torceu o rabo. Eu sei que sou um homem dimensionado dentro dos parâmetros normais dos hominídeos, serve isto para dizer que não sou grande nem pequeno, sou assim a atirar para o normal, mas quando me vi obrigado a «acertar» (é o termo) com a primeira urina da manhã num tubinho de cerca de 10 cm de comprimento e não mais que 10 mm de diâmetro percebi que a «coisa» ia ser complicada. Começa porque um cidadão acorda como um exemplo acabado daquele princípio da física de que o calor dilata os corpos, uma saudável questão que eu espero ver continuada por muitos mais anos e deve haver um calor qualquer durante o sono que se encarrega de no-lo provar. Depois… pôr um cidadão a praticar tiro ao alvo ainda com sono, a veicular o tal princípio da física e com um potencial fluxo comparável às cheias da avenida de Ceuta no princípio dos Outonos de cada ano é realmente complicado. A gente segura no tubinho, obviamente estreito para colocar lá dentro seja qual for a peça anatómica do corpo e percebe que... não dá... a opção é acertar com o fluido corporal na abertura do tubo e é isso que faz. Depois de pormenores que me abstenho de esmiuçar, por decoro, lá acertamos com o alvo e quando pensamos que a operação vai levar alguns segundos, eis que o tubinho se enche num lapso inferior ao dos mecânicos da fórmula 1 a mudarem uma roda nos «pits»… ora o resultado de tudo isto é um tubinho cheio, molhado, para não falar noutras coisas que ficam molhadas também e não creio que haja forma de fugir a esta situação, considerado que seja o dimensionamento normal do nosso equipamento varonil (literalmente). Bom, mas lá acabamos com o tubinho cheio e quando pensamos que tudo o que resta é fechá-lo com aquela eficiente tampinha de borracha, percebemos que o tubinho está demasiado cheio. É aqui que a física entra de novo e percebo que na verdade não há como dois corpos ocuparem o mesmo espaço, independentemente de serem sólidos líquidos ou gasosos. Ou seja… tubinho cheio não dá… porque a tampa é de rosca interna e penetra um bom centímetro dentro do tubo. Que tem, assim, de ser esvaziado uns dois centímetros para a tampa penetrar o tubo e cumprir a sua missão.

Acaba tudo numa profusa lavagem exterior do tubo, das mãos e de outras coisas que não vêm ao caso. É no que dão estas modernices. Não digo que voltemos à era de irmos para uma sala de espera com uma garrafinha de mini embrulhada numa folha do Correio da Manhã ou me expliquem, finalmente, o que era aquilo da Urina tipo II. Mas, sinceramente, não há como providenciar uns tubinhos um pouco maiores? Digamos… uns tubos, tubos… juro que isto não é publicidade enganosa, este desabafo decorre de serem ainda cinco e meia da manhã, eu ter de estar no consultório às oito e recear ir para a cama de novo, pelo que me atirei ao duche, olhei de soslaio para o tubinho (inho, inho, inho), lavado, seco e depositado num cantinho da pedra do lavatório e lembrar-me que a melhor maneira de passar este bocadinho era vir aqui desabafar e apelar ao ministério da saúde que em vez de andar para aí preocupado com problemas menores como as dívidas às farmácias, médicos a menos, enfermeiros a mais e tempo de espera das cirurgias se lembrasse de propôr ao parlamento a adopção de tubos de colheita de urina, em vez deste material liliputiano que se por um lado nos dá uma sensação de vincada manhood (a dificuldade de coordenarmos a nossa dimensão à coisa ou, porque não, coordenarmos a coisa à dimensão…), por outra nos conduz àquele velho conceito das mulheres, segundo o qual os homens são uns descuidados e raramente conseguem acertar na sanita.
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domingo, março 24, 2013

E ninguém se lembrou de dizer às criancinhas que se lhes saisse o jackpot também poderiam e deveriam ir ao cinema e jantar fora. Depois de pagar os impostos do papá, claro



[4880]

A SIC Notícias mantém a sua continuada acção de deprimir as pessoas através de um enquadramento de notícias ou factos que nos fazem suspirar de alívio no fim de cada um dos serviços informativos. Raia o absurdo a forma grotesca como esta estação aproveita qualquer circunstância para manter bem viva a instilação do desânimo, a cultura da depressão, do pavor, do desalento e, pior ainda, convencer-nos que esta desgraçada crise que atravessamos tem a ver com o desgraçado governo que temos.

Ocorreu-me esta reflexão na sequência do cinzentismo acentuado deste últimos dois dias, logo que soube que o inenarrável estava aí, comentando na RTP, e logo que começaram a surgir os seus prosélitos a botar «faladura», sobretudo Jorge Coelho que reiniciou aquele seu estilo de descompostura paternalista para nos fazer ver que há-dem ver como ele tem razão e que não nos metamos com ele (mêtamos?) senão levamos.

Pois a SIC Notícias deu há um par de dias uma reportagem sobre o Jackpot do euromilhões, 100 milhões. E qual a maneira mais inteligente de o fazer? Pois, juntar uma dúzia de crianças de sete ou oito anos e começar a perguntar-lhes o que fariam com cem milhões de euros. Claro que as criancinhas responderam de forma adequada, uma dizia que ia ajudar o pai a pagar a renda de casa, outra que ia ajudar a pagar os medicamentos do avô, que estão muito caros, outro ainda que ia ajudar na comida, mais um que era para pagar os impostos do pai (esta é superlativa…) e ainda outro que ia ajudar o pai que estava desempregado.

Arranjar um conjunto de crianças amestradas e explicar-lhes o que devem dizer perante perguntas de uma televisão já é notoriamente condenável. Pôr nas crianças este tipo de respostas no sentido óbvio de fazer «negrito» na crise já me parece obsceno e indigno. Não que isso me surpreenda muito em face do mais ou menos recente alinhamento da SIC. Mas, infelizmente, não há como calar este tipo de estratégias e apetece dizer à SIC Notícias que vá fazer reportagens sobre o euromilhões para um sítio que não digo, que este blog não tem bolinha vermelha e ainda são quatro da tarde.
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quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Repulsa


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Este militar/bispo ou, mais prosaicamente, um exemplo vivo de idiotia repulsiva, não perde uma. E ei-lo numa diatribe à sua escala, a propósito das acusações correntes a D. Carlos Azevedo sobre alegadas práticas homossexuais ocorridas há trinta anos


Ou seja, o bispo militar não está preocupado em saber se é verdade ou se é mentira, ele está, sim, é preocupado por lhe faltarem elementos para achar que isto não é verdade. É a inversão total da lógica é a total ausência de honestidade. Este homem está obcecado com qualquer coisa ou, para nos situarmos no seu próprio enquadramento, está possesso do mafarrico. Mas por mim, acho que ele é apenas mau. Má gente, caldeado numa sopa de má vontade e de ódio.
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sexta-feira, janeiro 11, 2013

A antiguidade é um posto?




[4836]

EU : - Boa tarde Dr. TC, deixe-me apresentar-lhe aqui o engenheiro PR...
TC: - Pois, muito prazer em conhecer.
Meu colega (PR): - Muito prazer Dr. TC.

O grupo senta-se para almoçar, a conversa generaliza-se e a dada altura...

MEU COLEGA: - Mas o Dr. TC está a ver a coisa... desculpe... posso tratá.lo por T... não posso?
TC: - Mas claro, pode e deve.
MEU COLEGA: - Então o T está a ver, a situação é clara e não deixa margem a dúvidas. Se o T quiser, poderei mandar-lhe depois umas gravuras etc., etc., etc., etc.,

Mais tarde, no carro, e já sem o TC:

MEU COLEGA: - Ó engenheiro, a coisa correu bem? O que acha?
EU: - Acho que sim, foi óptimo...
MEU COLEGA: - E o que acha de eu deixar de lhe chamar doutor? Embirro solenemente com esta coisa do engenheiro e do doutor, o que é que acha, engenheiro?
EU: - Acho óptimo, eu também embirro.
MEU COLEGA: - Ainda bem que o engenheiro concorda comigo

Nos 200 kms seguintes até Lisboa, procurei algumas razões para a deferência deste último diálogo do PR comigo. Encontrei algumas. Não gostei. Entre elas a de que a antiguidade é um posto. Treta. Ainda se ela não significasse sermos respeitavelmente remetidos para uma galeria de venerandas figuras a quem há que, aqui e ali, arear os amarelos com uma boa dose de solarine...
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sexta-feira, outubro 05, 2012

A Rititi no seu melhor

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Aqui. Ou de como a rir e a escrever lampeira e escorreita se fala de coisas bem sérias.

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quarta-feira, outubro 03, 2012

Pissed off goose


[4786]

Encontrei-o vagueando na estrada do Guincho, junto ao parque do restaurante das furnas. Macambúzio, abúlico e taralhoco. Parei o carro e perguntei-lhe o que tinha. Sick my duck, disse-me o ganso e levou-me algum tempo até eu decifrar o trocadilho. Mas lá atingi, e percebi que parecia irritado, deprimido e não queria que o chateassem. Ainda lhe perguntei o nome, mas ele grasnou qualquer coisa ininteligível e caminhou, desengonçado ao longo da berma da estrada, do lado do mar. De repente, bateu as asas e, desajeitadamente, tentou voar. De pouco lhe valeu o propósito. Esparramou-se com estrondo e espuma numa onda prestes a rebentar. Vi como ele foi atirado contra as rochas, desalentado. Chamei: Sick my duck. Grasnou-me, mal humorado, sick my duck era a avozinha.

Não foi bem isto o que ele disse mas ainda são dez da noite e não dá para escrever palavrões. O ganso desistiu de voar, meteu-se à água, apanhou a borla de uma onda de viés e deixou-se ir. Boiando. E não é que começou mesmo a afastar-se da costa? Já a uma distância considerável do enrocamento das furnas, virou-se para mim e acho que esboçou um adeus com uma das asas. Deve ter apanhado uma corrente favorável, porque rapidamente, levado pela maré, se afastou, mar adentro, e não voltei a vê-lo.
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segunda-feira, julho 09, 2012

Em nome de Deus


[4690]

Encontra-se, desde ontem, acessível na internet ampla cobertura (incluindo vídeo) do assassinato de uma mulher acusada de ter cometido adultério. No vídeo, a mulher está de costas para o verdugo, o qual dispara uns quantos tiros até a mulher ser atingida.

Não fosse esta cena verdadeiramente dramática, há uma pequena multidão ululante que desata a comemorar, dançando e gritando, logo que a mulher é atingida. Um espectáculo grotesco e que faz pensar que em boa verdade há muitas coisas neste mundo que só mesmo a tiro se resolvem. Certamente não contra as mulheres que deveriam poder dormir com quem lhes aprouver, muito menos contra aquelas que são violadas e em que o violador resolve acusar às autoridades religiosas de que a violada cometeu adultério.

Nas fotos, retiradas do vídeo, a mulher a ser atingida e a assitência a retirar-se do espectáciulo.
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domingo, abril 01, 2012

Linhas tortas. Ou mal lidas pelos portugueses

[4610]

Uff! Estou muito mais aliviado e esclarecido agora, senhor Presidente. Apesar de me sentir, de novo, ridicularizado. Há tempos atrás achava V. Excelência que aqueles que se insurgiam contra a destruição das gravações de conversas quando Sócrates se entretinha em diálogos picarescos e comprometedores com a nata dos (alegados) mafiosos a que estávamos entregues, andavam mal informados, possessos por diabos atacados de «socialistite» aguda e desconheciam a Constituição. Agora vem V. Excelência dizer que as decisões do Supremo Tribunal de Justiça foram mal lidas. Depois explana ainda um arrazoado pastoso, que ainda irei ler outra vez, só para ver se sou episodicamente estúpido ou se sou mesmo um exemplo acabado de burrice sem remissão.

Shame on you, senhor presidente Noronha do Nascimento. Mas não me chame mau leitor…
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segunda-feira, outubro 17, 2011

Confiteor Deo omnipotenti (...) quia peccavi nimis

[4439]

A propósito das recentes medidas do governo, o bispo emérito de Setúbal aproveitou a corrente para se indignar um bocado também. Truculento como sempre foi, não cuidou sequer de camuflar o azedo que lhe vai na alma e expeliu uma série de diatribes que, mais do que figurarem a sua indignação, deixam perceber um secreto desejo de que o pessoal se engalfinhe ao estalo, de preferência com sangue. Expressões como as medidas do governo são uma desgraça muito grande ou vão fazer correr muito sangue entremearam-se com isto vai rebentar ou com um cínico receio de que as manifestações da população sejam o mínimo ou o começo de algo muito grave. Ele não sabe se o povo terá forças para ir para a rua, mas muitas coisas graves poderão acontecer. Por estas e por outras, a emérita figura considera que o governo devia protelar a dívida porque isto vai mesmo rebentar.

O bispo devia confessar-se. O ódio é um pecado muito feio. E a parcialidade clubística, nestas coisas de política, um sentimento misto de parolice enviesada e hiper-acidez gástrica. O confessor dar-lhe-ia, certamente, uma penitência suave, no que constituiria um serviço público junto das consciências mais timoratas, todavia mais permeáveis à visão apocalíptica de alguns cordeiros do Senhor.
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