segunda-feira, agosto 29, 2011

Irene, preguicento, sofreu um embaraçoso «downgrading»



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A minha boa amiga Cláudia reside em NY e publicou uma «comprehensive» série de fotos, a maioria das quais revelando o sentido profilático que os americanos têm a mania de ter. O «Irene» passou pela cidade, esmoreceu (vá-se lá saber se foi pelas medidas preventivas dos seus habitantes) e seguiu viagem. Para desgraça da nossa comunicação pessoal que nos bombardeou com a tragédia que ia acontecer mas não aconteceu. Para isso entrevistavam diariamente portuguesas de Newark e Jersey, sabendo-se como as portuguesas são especialistas da desgraça e antecipadas carpideiras por tudo o que de mal vem ao mundo. Os géneros iam faltar, já havia prateleiras vazias, não havia pilhas (imagine-se) e receava-se o pior com as inundações que aí vinham. Os americanos chamam àquilo (como é Vánessa, first aid kits, isn’t it?…) «first aid kits» que, entretanto, acabaram e restava esperar pelo dilúvio, armagedão, fim do mundo em cuecas que, finalmente, acabou por passar um bocadinho ao lado.

Em qualquer dos casos havia Obama. Ele esteve atento e ia avisando as pessoas. Fosse Bush e a esta hora estaríamos a contar mortos e feridos.

Para nossa vergonha, há que referir com toda a frontalidade (que nem o Baptista Bastos) que já vi efeitos bem piores na 24 de Julho, avenida de Ceuta e em Sacavém com uma pífia meia hora de chuva. Mas aí, claro, a culpa é «deles».
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terça-feira, janeiro 18, 2011

O Katrina e as chuvas torrenciais no Brasil




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A Helena Matos chama-nos a atenção para este facto e é bem certo. É absolutamente lastimável a diferença de tratamento dada às calamidades nos países dos «governantes maus» e as calamidades ocorridas nos países dos «governantes bons».

Nada disto seria muito grave se não configurasse até o desrespeito tanto pelas vítimas do Katrina, como as vítimas das inundações do Brasil. Há realmente qualquer coisa de muito estranho na fenomenologia política contextualizada pela maré sociológica trazida por aqueles que dividem o mundo entre os bons e os maus. No caso vertente, Bush era o mau, Dilma e Lula são bons. Daí que a cobertura das tragédias obedeça já a mecanismos próprios de análise, cujos mentores, provavelmente, nem se apercebem já de como ou porque o fazem. É porque é assim, porque sim. Uns porque foi assim que os ensinaram nas universidades outros porque sublimaram uma forma de ser e de estar que um dia se perceberá como definitivamente contribuíram para o descalabro final de uma sociedade com todos os ingredientes necessários para funcionar bem e que os idiotas se encarregam de fazer funcionar mal.

E, uma vez mais, esta dualidade de critérios enforma um desrespeito total quer pelas vítimas do Katrina, quer pelos milhares de brasileiros que agora morreram ou se encontram destituídos pela adversidade. Uns pela «adversidade má». Outros, pela «adversidade boa» e na graça do Senhor.

NOTA: Pouco se tem falado na tragédia de Queensland, na Austrália que afectou a própria cidade de Brisbane. Mas foi uma tragédia enorme e os efeitos são devastadores. Para se ter uma ideia, há uma região completamente inundada com uma área semelhante à de França e Alemanha juntas. Morreram 18 pessoas. No Brasil são quase setecentos mortos, um número crescente à medida que se vai descobrindo mais cadáveres.

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