sábado, agosto 23, 2014

Um burro simpático


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O burro mirandês é o animal mais simpático de Portugal. Pelo menos na minha opinião e vão por mim que levo alguma experiência de burros.

A SIC Notícias tem uma excelente série de programas onde as maravilhas gastronómicas e paisagísticas de Portugal são enaltecidas a um ponto que nos faz apetecer saltar da cama e comer um daqueles pratos ou conhecer um daqueles sítios.

Hoje fiquei a saber que o burro mirandês tornou-se no primeiro animal da sua espécie em Portugal a fazer parte do grupo de raças asininas (esta do asininas, eu sabia, não foi preciso sociólogo) protegidas pela União Europeia. Sendo uma espécie em risco de extinção, é grato saber que se dão bem no Algarve e que a sua população progride em número. Curiosamente, dizem os entendidos, cruzar o burro mirandês com outros burros não ajuda, pelo contrário conduz à extinção da espécie, pelo que se aconselha os donos de mirandeses a escolherem bem as suas (dos burros) parceiras.

Repito. É um animal dócil, de extrema simpatia, parece que não é daqueles burros teimosos que se fincam no terreno e não querem andar (como alguns burros que eu conheço que se lhes mete uma coisa na cabeça e dali não saem) e por €30 é possível dar um passeio pela Serra de Monchique montado num destes amorosos animais. Não refilam, coabitam sem discussões, são bichos cordatos e proporcionam excelentes e saudáveis passeios. Só não lhes dêem uma burra qualquer para dormir. Seria uma burrice de todo o tamanho. E sabe-se que quando se fala de tamanhos de tudo o que tenha a ver com burros é coisa para se pensar duas vezes

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quarta-feira, março 28, 2007

burros


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sexta-feira, março 02, 2007

Burrices simpáticas


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Não sabia, mas fiquei a saber, da abundância, no Mali, do mais simpático e interactivo burro que possamos imaginar. Não é bem um burro, é um burrico, um burro anão com não mais de um metro de altura e dificilmente ultrapassará os oitenta quilos de peso. São cinzento claro e uma argola de pelo preto fazem-nos parecer que usam um colar.

Este burricos são importantíssimos na vida das populações rurais pois prestam uma série de estimáveis e infindáveis serviços aos “amigos”, porque é impossível chamar donos àqueles que os controlam e lhes atrelam umas pequenas carroças com tudo o que possamos imaginar que precise de ser transportado, desde colheitas de vegetais, a lenha e carvão, passando por pessoas.

Numa demonstração de controle de infestantes aquáticas que afectam seriamente a vida das populações ao longo do rio Níger, algures nas paragens remotas do leito do rio, juntou-se uma pequena multidão aos técnicos que me acompanhavam, seguindo com inusitado interesse o desenvolvimento dos trabalhos. E nessa multidão se misturaram os burricos, muitos, vivamente interessados no decurso dos trabalhos. Quando digo misturados é isso exactamente o que pretendo significar já que o contacto físico entre os homens e os burricos era permanente, resultando numa plateia mista de humanos e asininos que ali demonstraram como a co-existência de espécies é possível e proporcionando vasta matéria de reflexão sobre o evolucionismo!

Os trabalhos terminaram, as populações ficaram mais informadas, os burricos com a curiosidade satisfeita e eu, provavelmente, um pouco mais burro. Mas feliz, como sempre fico, de cada vez que vejo uma coisa de novo. Como esta de ver gente e burros misturados a observar um interessante trabalho científico, algures no meio do nenhures africano, ali por onde acaba o verde do rio e começam as areias, a caminho da milenária Toumbouctou…

Nota: Conto publicar uma foto dos tais burricos por estes dias. Agora, tenho de ir dormir primeiro…


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