quarta-feira, março 14, 2007

Muito obrigado senhor engenheiro



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É de mim, ou a forma como a RTP tem vindo a noticiar a recuperação da bebé raptada em Penafiel tem uma “pontinha socrática” do conforto e da segurança que o regime (este regime, este governo) nos garante?

Ainda bem que a criança apareceu mas, sem embargo do eventualmente meritório trabalho da Polícia Judiciária, percebe-se que o aparecimento da bebé se deveu a um caso fortuito, mais propriamente uma zanga entre marido e mulher que terminou com aquele a denunciar esta. Um caso absolutamente fortuito, pois.

Daí o reparo na forma enfática como a notícia da recuperação da bebé é dada num descarado exercício de propaganda por parte da nossa televisão estatal. Mas eu tenho para mim que isto de propaganda é assim mesmo. Basta começar, o processo ganha depois uma dinãmica muito própria que, sem esforço, vai atingindo os fins em vista. Fenómeno particularmente visível nas sociedades do tipo da nossa. Melhor do que isto só quando Nossa Senhora de Fátima nos livrou da guerra e explicou aos pastorinhos os porquês do que ia fazer.

Como já morei numa avenida Kim Il Sung, onde todos os anos um grupo de cidadãos ia polir os amarelos da placa toponímica quando o Grande Líder fazia anos, faz-me impressão este sentimento crescente de que o que os portugueses gostam é disto mesmo. A sacralização da figura protectora de alguém que vele por nós. Nestes caso, José Sócrates que até tem polícias que recuperam bebés, mesmo quando a recuperação surge a partir duma denúncia de um marido que acordou mal disposto com a mulher.


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