Rosa Coutinho

Segundo, da esquerda para a direita
[3781]
Morreu Rosa Coutinho. A coisa quase passou despercebida mas não o suficiente para que não surgissem os idiotas de serviço que, entre outras coisas, acham que quem não gostava de Rosa Coutinho era ou um colonialista acabado ou uma mente cinzenta escura onde os raios do sol das manhãs que se fartavam de cantar não conseguiam penetrar. Idiotas que, muito provavelmente, não conheciam Rosa Coutinho, muito menos conheciam África e cuja formação política eventualmente se resume ao invejável currículo de terem sido presos pela Pide, pelo menos uma vez.
Rosa Coutinho foi um esbirro dos sovietes e, contrariamente a opiniões que já ouvi por aí entre ontem e hoje, não morreu fiel aos seus princípios. Pelo contrário, a etapa final da sua vida tem nada a ver com os ideais (!!!!) do comunismo e do internacionalismo proletário que eram, à altura da descolonização exemplar, as imagens de marca de um almirante mentiroso e indigno da honra exigida ao posto que ocupava nas Forças Armadas. O que era bem patente nas atitudes e oratória usadas enquanto esteve em Angola como primeiro representante do Governo Português. E não teve nada a ver porque ficou rico, por mor de uma actividade empresarial mais própria de um «swine capitalist» do que por uma alma socialista prestes a debutar numa qualquer emulação da época e do estilo.
Rosa Coutinho foi causa directa da desgraça de muita gente. Muita gente que acabou por se portar bem melhor do que ele, como pessoas, como chefes de família e como resistentes a uma situação que ele ajudou a criar, conscientemente. Pessoas que cruzaram o mundo, protegendo a família e reorientando o futuro, por força da loucura e imoralidade dos Rosas Coutinhos a que o destino de centenas de milhares de portugueses foi inexorável e cruelmente entregue. E que percebiam tanto de colonialismo como de botar meias solas.
.
Etiquetas: descolonização exemplar, Rosa Coutinho


