sexta-feira, dezembro 14, 2007

Indecoroso



[2207]

O povo é incauto, de uma ingenuidade pueril e tendencialmente dado a tresler o que lhe impingirem. A profusão de notícias sobre o rapto de Maddie ainda há-de convencer o rebanho, de novo, da candura dos McCann e do facto de a PJ algarvia ser um grupo de bestas cavalares.

Esta notícia espantosa, no que contém de hipocrisia, sobretudo no toque de ternura consubstanciada na imagem da menina que ainda virá a passar o Natal com os pais, é revoltante. Não porque seja novidade mais uma empresa de detectives privados paga pelos pais a emitir boletins informativos para os media, afinando todos pelo diapasão do rapto (logo, excluindo a hipótese de crime, acidental ou não), mas pelo tal pormenor do Natal a puxar lágrimas.

Que essa lágrimas corram todas direitinhas para a infeliz criança em vez de correrem para os pais, que uma vez mais se prestaram a uma indecorosa acção de maketing.
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sexta-feira, setembro 14, 2007

Só uma vez



[2010]

Nunca disse nada sobre os McCann (os maqueines, como grande parte dos media portugueses dizem e a Sofia, com oportunidade e muita graça referiu). Como tenho filhos, tenho grande dificuldade em me colocar nos sapatos daquele pai, tanto no caso de a filha ter sido raptada como no cenário hediondo, que se tem desenhado, de morte da criança, com ocultação do cadáver por parte dos pais. É que não sou capaz sequer de imaginar-me como protagonista, acho que ainda hoje andava por aí aos saltos a bater em toda a gente até ser preso e/ou cair para o lado com um esgotamento ou um enfarte.

Daí que tenha gerado até alguma simpatia pela frieza dos pais, pelo controle evidenciado, algum respeito até pela faculdade deles se manterem tão racionais, pensando eu que a haver uma forma de reencontrar a criança a via seria essa mesma.

Com as coisas chegadas ao ponto a que chegaram e sendo eu um fervoroso defensor da presunção de inocência até à condenação, começo todavia a sentir-me terrivelmente incomodado. Primeiro porque as diligências da polícia judiciária apontam indícios muito difíceis de contrariar, como sejam os vestígios biológicos da criança, sobretudo a “grande quantidade de cabelos” encontrados na bagageira do carro alugado. E depois porque, uma vez mais, deparo com uma faceta absolutamente insuportável dos ingleses, qual seja a convicção real de que vieram a este mundo condenados a conviver com uma comunidade que eles próprios tem dificuldade em qualificar antropologicamente. Só sabem que, em princípio, devem pertencer a uma forma humanóide, vivem para lá do canal, emitem algumas sonoridades que poderiam eventualmente ser línguas e que, por isso mesmo, eles se recusam (ou não conseguem) aprender e têm um aspecto morfológico que lhes é mais ou menos semelhante. Esta atitude justifica os últimos desenvolvimentos e eu acredito que virá a ser muito difícil, agora, a judiciária provar seja o que for, no caso de ter havido crime. A não ser que as evidências sejam tão fortes que eles se vejam obrigados a claudicar. Mas com advogados pagos a €1000/hora e com os donativos já a chover para um fundo que se destina a pagar a defesa contra os bárbaros e polícias do terceiro mundo a fabricarem provas para incriminar os “maqueines”, duvido bastante.
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