quarta-feira, junho 30, 2010

A culpa é dos acontecimentos *


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Queirós já o tinha pedido uma vez, aqui há uns anos atrás: - Varram a porcaria da Federação. Disse ele.

Aparentemente a varridela não terá sido eficiente ou a porcaria foi varrida para debaixo do tapete. Esperemos que desta vez a Federação considere o pedido de Queirós como deve ser e varra tudo muito bem varridinho. E, já agora, que espane bem os tapetes. E se Queirós for no lixo, então fica mesmo obra asseada.

* Ideia do título indecentemente pifado à Cristina

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terça-feira, junho 29, 2010

Há-de haver uma razão


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Ontem vi as inúmeras claques brasileiras celebrarem a vitória do Brasil sobre o Chile. Em Lisboa, no Porto, no Algarve e muitos outros sítios vi brasileiros a escorrerem alegria pela vitória e quase todos eles afirmando que hoje estariam de novo colados á têlêvisão para torcer por Portugal contra a Espanha. As inúmeras reportagens por esse mundo fora têm-me mostrado gente de todas as coordenadas puxar por Portugal. Moçambique, Angola, Senegal, Mali, Marrocos, Tunísia, Tailândia, Austrália, África do Sul, Cabo Verde. Estados Unidos, Canadá são locais de onde me chegaram sinais de entusiasmo e vontade pela vitória de Portugal. Curiosamente, não de países europeus, onde tudo é cada vez mais impessoal, ensosso, em resumo, invertebrado e de onde a adrenalina de há muito parece ter emigrado.

Durante muito tempo, em miúdo, o Estado Novo ensinava-nos que a diferença entre os portugueses e os «outros» era, basicamente, a facilidade com que promovíamos a mestiçagem de povos colonizados, enquanto os «outros» os chicoteavam e obrigavam a trabalhar. Quando cresci percebi que esta asserção não era assim tão linear, mas era parcialmente verdadeira, mesmo que eivada de conceitos filosóficos que talvez não abonassem muito os seus mentores. Hoje, já crescidinho, deixei de me dar ao trabalho de pensar nos porquês desta empatia. Limito-me a fruir esta sensação estranha mas gratificante de ver miúdos tailandeses, gente não portuguesa de dezenas de países diferentes e multidões moçambicanas e angolanas a puxarem pela vitória portuguesa para logo à noite e ver centenas (milhares???) de brasileiros sambando na Caparica, Parque das Nações, bares, restaurantes e dezenas de outros locais de Lisboa e outras cidades do país puxando já pela vitória mais logo sobre os espanhóis. E pensar que tem de haver mesmo uma razão para isso. Um dia, quem sabe, perceberei porquê…

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domingo, junho 27, 2010

See? Not even close

[3809]

Corre por aí uma tremenda especulação sobre um golo anulado à Inglaterra. Para que não restem dúvidas, saiba-se que o golo foi anulado e muito bem anulado. Na realidade a bola NÃO chegou a ultrapassar a linha de golo. Segue a prova fotográfica e que, de uma vez, por todas, espera-se, acabe com a especulação. É ver aqui

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segunda-feira, junho 21, 2010

A selecção canarinha (tem de haver qualquer coisa)


[3803]

No princípio era o verbo. O verbo da finta, da habilidade pessoal, do engenho e da virtude. Jogadores que punham os olhos dos adversários em bico e os sentavam e em «reviangas» vistosas, antes de correrem e marcarem os golos das vitórias. Era o futebol brincalhão, o futebol da meia enrolada ou «brinca na areia» e a ideia de que os brasileiros eram bons de bola porque eram «pobrezinhos» e começavam a jogar logo de pequeninos e, de preferência na favela. Era a versão poética, sociológica, antropológica, psico-sociológica e outras lógicas em que os europeus foram sempre mestres, provavelmente por começarem a brincar com estes palavrões logo de pequeninos.

Mais tarde, os meninos brasileiros começaram a emigrar para a Europa. Entrosaram-se em futebóis diferentes, estilos diversos, vincada exigência de preparação física, técnica, táctica, científica e outros palavrões que tanto incomodam o Alfredo Barroso mas que é o futebol que ganha campeonatos e movimenta milhões. E não é que os brasileiros não só se adaptaram a este novo tipo de exigências e, deuses, continuavam a ser os melhores?

Ontem, no Soccercity de Joahannesburg (com uns inesperados 12º) o «escrete» deu mais uma lição de futebol. Sem fintas nem «reviangas», continuam a sentar os adversários pô-los com os olhos em bico e meter golos do outro mundo. Mesmo obedecendo aos cânones do pontapé na bola europeu que a maioria deles professa. E continuam a ser os melhores.

Há-de haver uma explicação para isto. Uma delas poderá ser o seleccionador Dunga, tão mal-amado no próprio Brasil. Vestindo um daqueles horripilantes casacos que a filha desenha, conseguiu ontem, por exemplo, calar diplomaticamente os jornalistas que, lá como cá, continuam a viver do mexerico, da mentira e da maledicência. Dunga, na conferência de imprensa de ontem não só calou a rapaziada da esferográfica e bloco de notas, indicando casos em que eles objectivamente mentiram, como lhes sugeriu que deveriam pedir desculpas à «torcida» brasileira pelos dislates que proferem. No fim da conferência ganhou um jogo. Difícil. E ganhou bem, apesar das mãos do Luís Fabiano.

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